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Entidades também avaliam que a transição energética na mobilidade exige uma estratégia diversificada.

Reunindo lideranças industriais, executivos e especialistas, um evento sobre mobilidade de baixo carbono realizado nesta última terça (15/09), em São Paulo, serviu de pano de fundo para debater os caminhos, as oportunidades e as diretrizes da transição energética. O encontro evidenciou o protagonismo histórico do Brasil e a força de sua matriz energética predominantemente renovável. O seminário foi promovido pelo Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, com apoio da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Abipeças (Associação Brasileira da Indústria de Autopeças) e Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores).

​Integrante da mesa de abertura, o presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Rafael Cervone, celebrou a maturidade, a resiliência e a capacidade de reinvenção do setor automotivo e fabril nacional. O dirigente enfatizou que o avanço sustentável exige, acima de tudo, uma forte sinergia institucional e o engajamento coordenado de todos os elos da cadeia produtiva.

​Será necessária a adoção de uma estratégia eficaz, que deverá integrar múltiplas rotas tecnológicas e superar barreiras diversas de forma simultânea", afirmou Cervone.

Para o presidente da entidade, somar esforços entre governos, indústrias e a sociedade é o caminho mais seguro e eficaz para destravar inovações, transpor barreiras estruturais de infraestrutura e dar escala real às novas tecnologias de propulsão.

​A visão convergente foi reforçada por Gilberto Martins, diretor de Assuntos Regulatórios da Anfavea, que pontuou a necessidade de uma atuação integrada: "Discutir mobilidade de baixo carbono é discutir de forma simultânea indústria automotiva, tecnologia, energia, infraestrutura e políticas públicas". Nesse mesmo sentido, Claudio Sahadi, presidente do Sindipeças, destacou a coexistência de modelos: "Nós também defendemos essa coexistência de vários modelos de descarbonização, várias rotas tecnológicas".

Estratégia Diversificada
​Cervone também pontuou o diferencial competitivo de marcos regulatórios modernos, como a recente Lei do Combustível do Futuro, que harmoniza programas estruturantes em prol de uma eficiência energética avaliada do poço à roda. Para o dirigente, o país dispõe de um ecossistema ímpar e diversificado, combinando o etanol, os biocombustíveis, o biometano e a eletrificação, o que coloca o Brasil em uma posição absolutamente privilegiada para liderar a agenda internacional de descarbonização com alta competitividade.

As entidades também avaliam que a transição energética na mobilidade exige uma estratégia diversificada e sob medida, uma vez que cada tipo de transporte demanda uma solução tecnológica específica. Por exemplo, enquanto o etanol e a eletrificação com baterias se destacam como alternativas altamente eficientes para os veículos leves e automóveis urbanos de passeio, o biometano e o hidrogênio verde ganham protagonismo no transporte pesado de cargas e de passageiros, como caminhões de grande porte e ônibus rodoviários. Já no setor de longas distâncias, como a aviação comercial e a navegação, os combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e os biocombustíveis avançados representam a rota mais viável para reduzir emissões sem comprometer a autonomia operacional.

O seminário foi promovido pelo Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, com apoio da Anfavea, Abipeças e Sindipeças.