Com a proximidade do Dia do Trabalho, celebrado nesta próxima sexta, 1º de maio, o debate sobre o futuro das carreiras ganha um novo fôlego. Para além do domínio técnico ou acadêmico, competências como resiliência, versatilidade e inteligência emocional consolidam-se como as grandes apostas para o mercado de trabalho nos próximos anos.
As mudanças, que impactam diretamente o planejamento de empregadores e empregados, foram detalhadas pelo presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone, durante a palestra "Macrotendências Mundiais até 2040", que aconteceu na tarde desta terça (28/04) na sede da Distrital Leste do Ciesp, na capital paulista. Segundo o executivo, essas soft skills serão os diferenciais decisivos em um cenário global em constante transformação.
Cervone fez sua apresentação para quase 40 lideranças empresariais e abordou nove temas: saúde; alimentos; energia; infraestrutura; urbanização; perfil do consumidor; trabalho e qualificação; segurança e entretenimento e turismo.
Alterações Profundas
Segundo ele, o mercado de trabalho tende a passar por “alterações profundas” com maior flexibilidade nas relações de trabalho, intensificação do trabalho remoto e híbrido, maior diversidade, alta demanda em serviços de TI e concorrência internacional por mão-de-obra qualificada.
Ao mesmo tempo, nós vamos ter que adaptar o mercado de trabalho. As empresas têm dificuldade de contratação e nós precisamos atrair e reter cada vez mais os talentos.”
Segundo ele ainda, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) precisará passar por reformas que permitam maior flexibilidade e versatilidade, acompanhando as aspirações das novas gerações, que já não buscam permanecer décadas em um mesmo cargo ou empresa.
Outro desafio crucial é reposicionar a imagem da indústria perante o trabalhador, destacando-a como um polo de inovação e modernidade.
Precisamos mostrar que a indústria ainda é altamente atrativa. Talvez não nos enxerguem mais como uma atividade desejável para trabalhar; ainda enxergam muito o capacete, mas não veem toda a inovação, tecnologia, design, novos materiais e Inteligência Artificial que o setor, desde o início, propõe e proporciona. A Revolução Industrial veio da indústria”, disse o presidente do Ciesp.
Na palestra, ele também explicou que a tendência é que haja mudanças mais frequentes de carreira e que surgirão novas profissões, ao mesmo tempo em que haverá o aumento do empreendedorismo.
Informação de qualidade
O empresário Laércio Buzas foi um dos que assistiu a palestra. Ele considerou o tema atual e defendeu que este tipo de iniciativa do Ciesp seja disseminado, especialmente, por considerar que há excesso de informação somada à baixa qualidade, em um cenário em que, muitas vezes, os empresários são bombardeados com fake news ou com notícias mal explicadas.
As informações que nos chegam, muitas vezes, são desencontradas. Informação confiável, com detalhes destrinchados, com embasamento jurídico e de forma didática são essenciais para trazer mais segurança para os empresários”, afirmou Buzas.
Essa palestra pra mim teve um aproveitamento de 150%, ou seja, eu não esperava tanto. O Cervone foi muito assertivo na colocação desses dados e deixou claro que nós, [brasileiros] podemos [ter um mercado competitivo]. Foi muito interessante, muito importante e, ao mesmo tempo, preocupante porque muita gente ainda não abriu os olhos para o que está por vir. Precisamos entender que sem trabalho não tem futuro e que é preciso que a gente se qualifique para a tecnologia e a modernidade”, disse a empresária Gislaine Biasia de Almeida Pires.
O conceito da palestra nos dá uma amostra do que o futuro nos prepara. Ouvir isso de uma pessoa tão capacitada quanto o Cervone é extremamente importante porque nos dá o poder de analisar e decidir o que vamos fazer daqui para frente”, disse a diretora da Distrital Leste, Fátima Andrijic Marinera.