"O avanço de 1,1% do PIB no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto do ano passado, divulgado pelo IBGE, é um resultado interessante, se considerado o cenário geopolítico global e a persistência dos obstáculos internos sintetizados no Custo Brasil”, avaliou Rafael Cervone, presidente do Ciesp e primeiro vice-presidente da Fiesp.
“Cabe alertar, porém, que a indústria de transformação avançou apenas 0,1%, e este índice têm um componente crítico a ser melhor compreendido pelo poder público e a sociedade”, salientou Cervone.
Refiro-me ao fato de o setor ser o que apresenta o maior índice de multiplicação: cada real que gera R$ 2,44 para a economia brasileira. Por isso, quanto mais crescer, maior será a expansão do PIB nacional”, ponderou. E acrescentou: “São positivas as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que o Brasil voltará a ocupar este ano a posição de 10ª maior economia do mundo, ultrapassando o Canadá. Porém, políticas industriais consistentes e duradouras, como por exemplo a NIB, poderiam nos levar a superar outros países também”.
Todavia, alerta Cervone, “O fator positivo não deve ser neutralizado por ações que prejudicam a produção, derrubando índices de produtividade, como a NR1, a redução de jornada/escala, os juros altos; sem falar de atos governamentais estrangeiros, gerando sobretarifas absurdas”.
Para o presidente do Ciesp, “o Brasil precisa abandonar a lógica de medidas episódicas e construir uma estratégia industrial permanente, como política de Estado capaz de estimular inovação, produtividade e competitividade.”
Quando o setor cresce além do avanço que se verificou no primeiro trimestre, movimenta fornecedores, logística, agro, comércio, tecnologia, bens de capital e serviços. “É uma atividade que semeia desenvolvimento por toda a economia. Por isso, fortalecê-la tem reflexos robustos no PIB nacional”, afirmou.