A economia de baixa altitude foi um dos grandes destaques da palestra "Macrotendências Mundiais até 2040", apresentada pelo presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Rafael Cervone, na noite desta segunda (26/10), para empresários da NEB (Nikkey Empreendedores do Brasil), associação que nasceu a partir da comunidade japonesa em São Paulo.
A palestra é inspirada em um estudo feito pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em conjunto com o Ciesp e foi concebida a partir do monitoramento estratégico global para orientar investimentos produtivos, antecipar necessidades de consumo e subsidiar políticas públicas e privadas de desenvolvimento.
O estudo abrange uma ampla gama de temas essenciais, englobando fatores estruturais de longo prazo, como o crescimento da renda, a expansão populacional e o envelhecimento acelerado da população, além de macroáreas fundamentais, como saúde, alimentos, energia, infraestrutura, urbanização, perfil do consumidor, trabalho, qualificação profissional, segurança e a inovadora economia de baixa altitude, que inclui o uso de drones e táxis aéreos elétricos.
Segundo Cervone, a iniciativa reforça a importância estratégica da indústria e da evolução tecnológica na consolidação de um futuro mais sustentável, conectado e competitivo para o país.
Economia de baixa altitude
O tema engloba o conjunto de atividades econômicas, como transporte, serviços e tecnologia, que utilizam o espaço aéreo próximo ao solo em geral até 1.000 metros de altitude. A pauta envolve drones, táxis aéreos elétricos, entregas aéreas, monitoramento agrícola, inspeção de infraestrutura, segurança pública, mapeamento e logística aérea urbana, representando um mercado bilionário em expansão global e no Brasil com projetos voltados para entregas rápidas e novas soluções de mobilidade.
Lazer e Urbanização
Outro ponto de destaque abordado foi a tendência de crescimento do lazer e da demanda por espaços verdes, alinhando-se aos debates sobre a evolução do estilo de vida nas cidades. Segundo Cervone, dentro do tema da urbanização, a tendência para os próximos anos é o desenvolvimento de cidades inteligentes, a tecnificação da construção e o crescimento das habitações de baixo custo.
Também deve haver um aumento das casas inteligentes, com espaços físicos integrados por meio de tecnologias", diz Cervone, explicando ainda que a urbanização mundial deve crescer com o avanço das cidades médias em comparação com as metrópoles.
Brasil e Japão
Ao final da palestra, o presidente do Ciesp afirmou ter um grande respeito pela comunidade nipobrasileira devido ao seu longo histórico de inovação, tecnologia, design, uso de novos materiais, desenvolvimento intelectual e mentalidade voltada para a construção de uma sociedade do futuro, mantendo vivas as tradições do passado.
É um mix muito interessante. O Brasil, e especialmente o estado de São Paulo, abriga a maior comunidade de japoneses fora do Japão [1,5 milhão de pessoas], que ainda mantém um contato estreito com as origens japonesas e tem grandes investimentos aqui. Então, há uma conexão muito forte, e eu espero que este possa ser o primeiro passo de uma longa caminhada que possamos fazer juntos", disse Cervone, que representa oito mil empresas associadas ao Ciesp.
Já o presidente da NEB, Paulo Nishimura, disse que este tipo de evento em parceria com Ciesp é significativo, porque conecta a comunidade nipo-brasileira e contribui com as mais de 110 empresas associadas e seus interesses. "Foi muito prazeroso e é uma honra recebê-los aqui", disse.