Você esta usando um navegador desatualizado. Para uma experiência de navegação mais rápida e segura, atualize gratuitamente hoje mesmo.
  • calendar_month
  • update
  • share Compartilhe

“Considerando essa tendência, a expectativa para a Selic ao final de 2026, reduzida de 14% para 13,75% ao ano, segue na contramão da realidade de um país que precisa crescer de modo mais robusto”, afirma Cervone.

“A edição do Boletim Focus do Banco Central desta segunda-feira (03/08) reforça que há espaço para uma redução mais expressiva da taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que será realizada nesta terça e quarta-feira (4 e 5/08).” Avaliação é de Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ele enfatiza as projeções do mercado que voltaram a indicar desaceleração da inflação pela quinta semana consecutiva. 

“Considerando essa tendência, a expectativa para a Selic ao final de 2026, reduzida de 14% para 13,75% ao ano, segue na contramão da realidade de um país que precisa crescer de modo mais robusto”, afirma Cervone. Para ele, “não faz sentido o Brasil continuar convivendo com a maior taxa de juros reais do mundo, penalizando a atividade econômica, os investimentos produtivos e a geração de empregos".

Na opinião do presidente do Ciesp, a manutenção de juros excessivamente elevados produz impactos que vão muito além da política monetária. "Essas taxas drenam recursos que poderiam estar financiando a expansão das empresas, a inovação e a competitividade da indústria. Além disso, aumentam muito o custo de rolagem da dívida pública, hoje próxima de R$ 10 trilhões, equivalente a cerca de 80% do PIB. Quem paga essa conta é toda a sociedade brasileira, que também vive um momento recorde no endividamento das famílias e das empresas, agravado pela Selic exagerada”, ressalta.

No tocante às famílias e aos recursos humanos das empresas, o endividamento está muito ligado às bets. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou que os gastos dos brasileiros com apostas on-line ampliam a inadimplência. As despesas são de R$ 30 bilhões por mês, segundo levantamento da entidade com base em dados do Banco Central.

Cervone também observa que o atual cenário internacional torna uma política monetária menos restritiva ainda mais necessária. "No momento em que o Brasil enfrenta o impacto das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre numerosos produtos nacionais, manter juros tão elevados significa impor uma segunda penalidade à nossa economia. Os custos financeiros elevam o chamado 'Custo Brasil', reduzem a competitividade da nossa produção e dificultam a reação das empresas justamente quando elas precisam ganhar eficiência para disputar mercados", enfatiza.

Na avaliação do presidente do Ciesp, a queda das expectativas inflacionárias representa uma oportunidade para que o Copom sinalize um novo ciclo de estímulo ao crescimento econômico. "Controlar a inflação é indispensável, mas isso deve caminhar ao lado da meta do desenvolvimento. Com os índices cedendo, chegou o momento de calibrar melhor a política monetária para permitir que a economia volte a crescer com mais vigor, estimulando investimentos, produção, emprego e renda", pondera, afirmando que diante de todas as questões citadas, “a taxa de juros do Brasil é um absurdo”.