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Iniciativa reúne empresas, poder público e universidades para fortalecer a indústria, estimular a inovação e construir caminhos para a transição da mobilidade sustentável.

Diretor Titular do Ciesp São Bernardo do Campo, Mauro Miaguti, fala sobre a criação do Comitê de Eletromobilidade, que reúne representantes da indústria, do poder público e de instituições parceiras para discutir os desafios e as oportunidades para a mobilidade elétrica no Grande ABC. O projeto busca promover estudos e fortalecer o desenvolvimento estratégico de novas tecnologias para a cadeia industrial.
Durante a entrevista, Miaguti destaca que a consolidação dessa agenda depende de investimentos, trabalho contínuo e da articulação entre os diferentes setores, por meio de encontros com especialistas e ações colaborativas que darão suporte às propostas desenvolvidas pelo Comitê.

O que é o Comitê de Eletromobilidade do Ciesp São Bernardo do Campo e qual a importância da criação desse projeto para a região do Grande ABC? Por que este é um momento estratégico para discutir a transição para uma mobilidade mais sustentável?

O Comitê de Eletromobilidade do Ciesp São Bernardo do Campo é uma iniciativa criada para reunir indústria, poder público, universidades, centros de pesquisa, entidades e profissionais em torno de uma agenda comum: preparar a nossa região para participar de forma efetiva da nova cadeia da mobilidade elétrica.
O Grande ABC, em particular a cidade de São Bernardo do Campo, se desenvolve economicamente graças, em grande parte, à indústria automotiva. Pensando no que já existe hoje temos conhecimento técnico, empresas instaladas, mão de obra qualificada, instituições de ensino e uma tradição industrial que não pode ser ignorada neste momento de transformação.
A eletromobilidade não é mais uma tendência distante. Ela já está acontecendo. Por isso, este é um momento estratégico. Se a região se organizar, poderá ocupar um papel relevante nesse novo ciclo. Mas, se não houver articulação, planejamento e visão de futuro, corremos o risco de perder oportunidades

A eletromobilidade envolve tecnologia e planejamento urbano. Como as cidades podem contribuir e quais benefícios essa transformação pode gerar para a população?

As cidades têm um papel fundamental nesse processo. A eletromobilidade não depende apenas do veículo elétrico. Ela envolve infraestrutura de recarga, planejamento urbano, transporte público, logística, legislação, energia, capacitação e uma visão integrada de desenvolvimento.
O poder público municipal pode contribuir criando condições para que essa infraestrutura avance de forma organizada. Isso passa pela discussão sobre pontos de recarga, mobilidade urbana, transporte coletivo, frotas públicas, uso inteligente dos espaços urbanos e incentivo a soluções mais sustentáveis.
Para a população, os benefícios são concretos. Estamos falando de uma cidade com menor emissão de poluentes, menos ruído, melhor qualidade de vida, novas oportunidades de trabalho, fortalecimento da economia local e maior conexão entre inovação, indústria e desenvolvimento urbano.
A eletromobilidade está aí e não falo apenas pensando nos carros ou ônibus, por exemplo, temos os patinetes que facilitam a locomoção das pessoas. Tudo isso precisa ser compreendido não apenas como uma transformação que impacta diretamente a forma como as pessoas vivem, trabalham e se deslocam.

Como será a participação do poder público, empresas e universidades no Comitê?

O Comitê nasce justamente com o objetivo de integrar esses diferentes setores. Cada setor tem um papel específico e complementar.
O poder público contribui com a visão de planejamento, políticas públicas, infraestrutura e articulação institucional. As empresas trazem a realidade da produção, da cadeia de fornecedores, dos investimentos, das demandas técnicas e dos desafios do mercado. Já as universidades, escolas técnicas e centros de pesquisa entram com conhecimento, formação profissional, inovação e desenvolvimento tecnológico. Precisamos preparar os profissionais para essa nova tecnologia.
A proposta do Comitê é criar um ambiente de diálogo produtivo, com foco em encaminhamentos práticos. Não queremos apenas debater o tema de maneira conceitual. Queremos identificar gargalos, mapear oportunidades, aproximar instituições e construir propostas que possam contribuir para o desenvolvimento da eletromobilidade no Grande ABC.

Hoje, quais são os principais desafios industriais e de infraestrutura que precisam ser superados para ampliar a eletromobilidade no Brasil?

O Brasil tem grandes oportunidades na eletromobilidade, mas também enfrenta desafios importantes.
Do ponto de vista industrial, precisamos desenvolver a cadeia de fornecedores, ampliar a competitividade das empresas brasileiras, investir em tecnologia, fortalecer a produção local de componentes e preparar a indústria para novas demandas, como baterias, sistemas eletrônicos, softwares, conectividade e novos modelos de manutenção.
Outro desafio é a capacitação profissional. A mobilidade elétrica exige novos conhecimentos técnicos. Mecânicos, engenheiros, técnicos, gestores públicos, fornecedores e profissionais da indústria precisarão estar preparados para essa transição.
Na infraestrutura, o país ainda precisa avançar na instalação de pontos de recarga, na padronização de soluções, na integração com a rede elétrica e na criação de condições para que a eletromobilidade não fique restrita a poucos centros urbanos.
Também há uma agenda importante ligada à sustentabilidade, como o ciclo de vida das baterias, reciclagem, descarte correto e economia circular.
Por isso, a discussão precisa envolver indústria, energia, planejamento urbano, tecnologia, meio ambiente e políticas públicas. É uma agenda ampla e estratégica.

Quais resultados o Comitê espera alcançar ao longo desse trabalho?

O primeiro resultado esperado é criar uma articulação regional consistente em torno da eletromobilidade. Queremos reunir quem produz, quem pesquisa, quem forma profissionais, quem regula, quem planeja e quem pode investir nessa agenda.
Também esperamos mapear oportunidades para a indústria do Grande ABC, identificar gargalos, fortalecer a cadeia de fornecedores e contribuir para a formação de mão de obra qualificada.
Outro objetivo importante é produzir um documento com propostas e encaminhamentos, que possa orientar ações futuras e servir como referência para empresas, poder público e instituições de ensino.
Esse é um trabalho que exige planejamento a curto, médio e longo prazo.

Quais serão os próximos passos do Comitê e como profissionais interessados podem participar dessa iniciativa?

Os próximos passos envolvem a organização das frentes de trabalho do Comitê. Estamos estruturando discussões em áreas como cadeia de fornecedores, capacitação, sustentabilidade e infraestrutura.
A ideia é que cada frente possa aprofundar os principais desafios e apresentar propostas concretas. Já realizamos uma primeira reunião e, ao longo dos próximos meses, o Comitê deverá realizar novos encontros, ouvir especialistas, reunir empresas e instituições e consolidar esse material em um documento de trabalho.
Profissionais, empresas e instituições interessados em contribuir podem procurar o Ciesp São Bernardo do Campo. A participação de pessoas com conhecimento técnico, experiência industrial, atuação acadêmica ou envolvimento com políticas públicas será muito importante para enriquecer esse processo.
A eletromobilidade é uma agenda coletiva. Quanto mais qualificada for essa construção, maiores serão as chances de a região ocupar um papel relevante nesse novo cenário.

Para finalizar, qual mensagem você deixaria para as pessoas sobre a importância de discutir a eletromobilidade neste momento?

A mensagem principal é que a eletromobilidade não deve ser vista apenas como uma mudança no tipo de veículo que circula nas ruas. Ela representa uma transformação industrial, tecnológica, econômica, ambiental e urbana.
Para uma região como o Grande ABC, que tem uma história tão forte ligada à indústria automotiva, essa discussão é decisiva. Estamos diante de uma oportunidade de construir um novo ciclo de desenvolvimento, com inovação, sustentabilidade, geração de empregos e fortalecimento da indústria.
Mas essa oportunidade exige organização. Não basta esperar que as mudanças aconteçam. Precisamos participar delas.
Discutir a eletromobilidade hoje é discutir o futuro da indústria, das cidades e da qualidade de vida da população. É uma agenda que precisa envolver empresas, poder público, universidades e sociedade. A janela de oportunidade está aberta, mas ela não ficará aberta para sempre.