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Em palestra no Congresso Paulista do Transporte Rodoviário de Cargas, Rafael Cervone apontou macrotendências mundiais até 2040 e destacou a necessidade de o setor de transportes identificar novas oportunidades de mercado diante do avanço tecnológico.

A economia de baixa altitude e a logística integrada foram temas de destaque do presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Rafael Cervone, durante apresentação na manhã deste sábado (16), no Congresso Paulista do Transporte Rodoviário de Cargas, em Águas de Lindoia (SP). Cervone ministrou a palestra "Macrotendências Mundiais até 2040", destacando aspectos cruciais relacionados à logística e ao transporte.

Ele chamou a atenção do público para o fato de que o setor de transportes passará por uma modernização obrigatória, com o desafio de reconquistar mercados. O dirigente exemplificou os impactos práticos dessa transformação citando o mercado da moda.

Segundo Cervone, no setor têxtil, o intervalo entre a compra e o recebimento de um produto será de apenas 90 minutos, uma dinâmica que impactará fortemente o sistema de logística atual. Ele observou ainda que, enquanto a Ásia aposta no transporte pneumático subterrâneo e a Europa avança com o uso de drones para viabilizar essa agilidade, o Brasil precisará definir o seu próprio caminho.

Um dos caminhos leva à chamada economia de baixa altitude, apontada por ele como um dos vetores estratégicos para o futuro global. O presidente do Ciesp explicou que o conceito engloba o conjunto de atividades econômicas que utilizam o espaço aéreo próximo ao solo, em geral até mil metros de altitude, envolvendo tecnologias como drones, táxis aéreos e entregas aéreas.

De acordo com os dados apresentados, a expectativa é de que esse mercado movimente R$ 2,6 trilhões na China até 2035 e alcance a marca de R$ 10,2 trilhões em âmbito mundial até 2040. Diante dessas projeções, Cervone defendeu a urgência de um planejamento estruturado de infraestrutura de suporte para viabilizar o desenvolvimento e a consolidação do setor.

O dirigente ressaltou que essa realidade já começou a se desenhar em território nacional, apontando que, hoje, em seis cidades-piloto no Brasil, já há uma empresa entregando mercadorias por drone.

Integração e Oportunidades
Nesse novo cenário produtivo e urbano, Cervone destacou que a indústria vai migrar para dentro do bairro, ao mesmo tempo em que a agricultura avança para fazendas verticais e prédios agrícolas, o que impacta fortemente o transporte.

O transporte no Brasil terá que se adaptar fortemente e, pensando de maneira mais macro, na América Latina também, pois temos que recuperar o market share que perdemos para os chineses na região. Isso vamos fazer por meio de integração logística e de produção, com concorrente se alinhando a concorrente para ganhar escala e eficiência. Nosso objetivo com esse panorama é, justamente, ajudar o setor de transportes a enxergar essas transformações não como ameaças, mas como grandes oportunidades de negócios", afirmou o presidente do Ciesp.

O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp), Carlos Panzan, disse que o setor de transporte vem buscando uma aproximação com a indústria, que tem evoluído de forma mais rápida em relação à tecnologia. Segundo ele, há um diálogo contínuo com entidades como o Ciesp e a Fiesp a fim de buscar soluções conjuntas.

Pudemos, por meio do Rafael, transmitir a realidade nacional e mundial e colocar reflexões sobre o que nossas entidades representativas podem fazer”, concluiu Panzan.