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'Estamos hoje muito orgulhosos do Brasil e da indústria brasileira, e não posso deixar de imaginar o que sentiria nosso patrono da aviação, Alberto Santos Dumont, pioneiro deste sonho e que ainda nos inspira a inovar e a ousar', disse Rafael Cervone, presidente do Ciesp após o lançamento.

O presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Rafael Cervone, que também e 1⁰ vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), participou, na manhã desta quarta (25/03), do lançamento do primeiro caça supersônico F-39 Gripen produzido no Brasil. O evento aconteceu no aerodrómo da Embaer em Gavião Peixoto (SP) e contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e ministros de Estado.

Segundo a Embraer, o modelo apresentado foi o primeiro montado em território nacional, o que é considerado um marco, visto que consolida o Brasil como um dos poucos países com domínio sobre etapas consideradas estratégicas na produção de caças de alta tecnologia.

Cervone estava acompanhado do presidente do Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa (Simde) e diretor da Divisão de Segurança do Deseg (Departamento de Segurança) da Fiesp, Carlos Frederico Aguiar, e do major brigadeiro Nilson Carminati, que é diretor da Divisão de Defesa do Deseg.

Transferência de Tecnologia
O Gripen é originalmente da empresa sueca Saab. No Brasil, o modelo é desenvolvido pela Embraer, em parceria com a empresa sueca, e faz parte do programa de modernização da FAB (Força Aérea Brasileira) por meio de um projeto de transferência de tecnologia. O F-39 substitui os antigos caças F-5, de origem norte-americana, que estavam em uso no Brasil há décadas.

A transferência de tecnologia ocorreu por meio de um intenso programa de treinamento prático e cooperação industrial, no qual mais de 300 engenheiros e técnicos brasileiros foram à Suécia para aprender técnicas para o desenvolvimento e a fabricação do caça. Esse intercâmbio permitiu que o Brasil absorvesse conhecimentos críticos em design, software de voo e integração de sistemas, culminando na criação de uma infraestrutura nacional capaz de montar, testar e manter as aeronaves de forma autônoma na unidade da Embraer em Gavião Peixoto.

O caça é equipado com sistemas avançados de combate e alta capacidade de operação. O Brasil pretende adquirir 36 aeronaves, sendo que parte delas será produzida no próprio país, resultado de um acordo firmado em 2024, com a fabricante, com custo total de US$ 4 bilhões (R$ 21,25 bilhões).

Fortalecimento da base industrial de defesa
Dentre as vantagens apontadas para a aquisição dos caças, estão a autonomia tecnológica e para a defesa do espaço aéreo brasileiro, capacitação técnica de engenheiros brasileiros, a modernização da FAB e a geração de 2 mil empregos diretos e de 10 mil indiretos no país, reafirmando a unidade da Embraer de Gavião Peixoto como um polo que abriga o Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen e a linha de montagem, ecossistema que atrai fornecedores de componentes eletrônicos, softwares e materiais compostos, fortalecendo a base industrial de defesa no interior paulista.

Impacto na Cadeia Produtiva
De acordo com Rafael Cervone, o lançamento do caça produzido no Brasil trará benefícios para toda a indústria ao desenvolver a cadeia de fornecimento e gerar impactos de longo prazo, seguindo o planejamento do projeto. Ele destaca que a iniciativa fortalece o setor industrial brasileiro e seus fornecedores, impulsionando o uso de materiais avançados e da manufatura aditiva (impressoras 3D).

Além disso, Cervone ressalta que haverá uma integração entre as áreas eletrônica e aeroespacial, unindo inovação, design e tecnologia, somados à qualificação profissional, uma vez que o sucesso do projeto depende diretamente da capacitação das pessoas, inclusive, com o apoio de entidades, como o Senai-SP, diretamente, e o Sesi-SP, indiretamente.

Esse é o futuro do Brasil e o país entra no rol dos pouquíssimos países do mundo que detêm este nível tecnológico avançadíssimo. Estamos, hoje, muito orgulhosos do Brasil e da indústria brasileira, e não posso deixar de imaginar o que sentiria nosso patrono da aviação, Alberto Santos Dumont, pioneiro deste sonho e que ainda nos inspira a inovar e a ousar", disse Cervone.

O diretor do Deseg/Fiesp disse que a produção do novo caça no Brasil é um passo "inédito" e um "marco".

Um caça, como esse, projeta poder, é uma soberania assegurada e é o desenvolvimento do país. Nós estamos olhando para o futuro", afirmou Carlos Frederico Aguiar.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, em seu discurso, disse que a Embraer é um exemplo de indústria sustentável, competitiva e exportadora.

Tudo isso é emprego e desenvolvimento. Isso agrega valor e gera salários mais altos. Hoje é um dia de festa para o Brasil, país continental, o 5⁰ maior do mundo, e com uma força aérea que muito nos orgulha", afirmou Alckmin.