Você esta usando um navegador desatualizado. Para uma experiência de navegação mais rápida e segura, atualize gratuitamente hoje mesmo.
  • calendar_month
  • update
  • person Adriana Matiuzo
  • share Compartilhe

Em evento promovido pela entidade, executivos e especialistas discutem como a destinação de tributos para projetos nas comunidades ajuda a formar mão de obra qualificada.

Com o objetivo de impulsionar a transformação socioeconômica regional, a Diretoria Regional do Ciesp em Indaiatuba promoveu no último dia 24/06, um debate estratégico sobre como o direcionamento de tributos corporativos pode atuar como motor de crescimento e sustentabilidade para o setor industrial.

Em um cenário onde a escassez de mão de obra qualificada desafia a produtividade, a iniciativa da entidade reforçou que a utilização de leis de incentivo fiscal para financiar projetos nas comunidades é um caminho eficaz para capacitar futuros profissionais e, ao mesmo tempo, blindar a reputação das marcas.

O encontro "Empresas que Impactam: O papel do incentivo fiscal", organizado pela regional, reuniu lideranças políticas, empresários e organizações do terceiro setor para discutir o papel ativo da iniciativa privada no desenvolvimento local por meio da agenda ESG, sigla em inglês para as práticas ambientais, sociais e de governança (Environmental, Social, and Governance).

O elo entre os negócios e as metas globais da ONU
Esses três pilares funcionam como uma métrica para avaliar o impacto e a sustentabilidade de uma operação. Longe de ser um conceito abstrato, o ESG possui conexão direta com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), uma agenda global que visa erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e garantir a prosperidade até 2030. Quando uma indústria investe em projetos de formação humana, cultura ou esporte na comunidade onde atua, ela responde diretamente às metas da ONU para a redução de desigualdades, educação de qualidade e trabalho decente.

Para as corporações, a adesão a esses princípios se traduz em vantagens competitivas nítidas. Empresas alinhadas às diretrizes globais de sustentabilidade mitigam riscos regulatórios, tornam-se muito mais atraentes para fundos de investimento internacionais e fortalecem sua imagem institucional perante um consumidor que exige responsabilidade ética. Além disso, há um ganho interno expressivo: organizações com forte atuação social registram maior retenção de talentos e um clima organizacional mais robusto.

Incentivo fiscal e o combate ao apagão de mão de obra
Durante o fórum, o debate prático sobre a incorporação dessa cultura no cotidiano fabril ganhou o testemunho de multinacionais como MANN+HUMMEL e SEW-EURODRIVE, além de especialistas tributários do Hub do Incentivo e do Cash Atacado. Os painelistas demonstraram que o aporte de recursos incentivados cria um ciclo virtuoso de empregabilidade. Ao subsidiar projetos sociais locais, as indústrias ajudam a capacitar populações vulneráveis que, posteriormente, estarão aptas a preencher as vagas técnicas abertas pelas próprias empresas.

O investimento social privado não pode ser visto como uma despesa ou um ato isolado de caridade, mas como uma estratégia central de governança que gera valor compartilhado para a sociedade e para o negócio", afirma Ricardo Almeida, diretor do Grupo de Trabalho ESG do Ciesp Indaiatuba e profissional da Lenovo.

A programação, articulada em conjunto pelo grupo de trabalho e pela gerente regional Anita Parizzi, também contou com a chancela institucional do vice-diretor da regional, Daniel Jurado, e do diretor Julio Ferron, além da presença da secretária municipal de Cultura, Tânia Castanho. Na abertura, a apresentação musical dos jovens da Associação Camerata Filarmônica de Indaiatuba (ACAFI), regida pela maestra Nathália Laranjeira, exemplificou o destino prático dos recursos obtidos via renúncia fiscal.

Capacitação para fortalecer o terceiro setor
Para garantir que as boas intenções se transformem em projetos viáveis, a Diretoria Regional do Ciesp em Indaiatuba ofereceu, no período da tarde, uma capacitação técnica para as entidades do terceiro setor da região, ministrada por Marcelo Ferraz, presidente do Instituto Vygotskij. O treinamento teve como foco preparar as organizações locais para estruturar propostas robustas e aptas a captar os recursos deduzidos do Imposto de Renda das indústrias, estreitando os laços entre as demandas de qualificação do parque fabril e o potencial de transformação das comunidades parceiras.