O empresário Rafael Cervone, que é presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e 1º vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) foi o anfitrião do Fórum de Investimentos Brasil-Peru, que aconteceu na tarde da última quarta (11), em São Paulo, reunindo mais de 30 lideranças empresariais. Um dos temas centrais do fórum foi a logística, considerando o megaporto de Chancay e a modernização do porto de Callao como pontos estratégicos para rota que liga a América do Sul à Ásia de maneira mais rápida e que pode ser utilizada tanto pela indústria, quanto pelo agro brasileiros.
Cervone abriu o evento lembrando que o Peru é um “país amigo”, com o qual o Brasil mantém uma relação antiga, perene e estável onde todos ganham. Na sua opinião, é importante cultivar, melhorar e ampliar essa relação, pensando além do fluxo de comércio entre os dois países.
“Estamos vivendo momentos disruptivos para os modelos de negócio, da forma como a gente pensa. Enxergar a América Latina de maneira global é o que a gente deve fazer. Temos que pensar em como nós, juntos, podemos integrar as cadeias produtivas e cadeias de fornecimento na América Latina para ganhar o mundo”, disse Cervone.
Ele também afirmou que a América Latina precisa enxergar as oportunidades no relacionamento com os chineses e ainda destacou que outros continentes exigem um olhar atento, como a África, que terá população equivalente à da Ásia por volta de 2100.
A comitiva peruana foi liderada pelo embaixador do Peru no Brasil, Rômulo Acurio.
Eixo estratégico de conexão
O presidente da Câmara de Comércio Peru-Brasil (Cambraper) e membro da comitiva peruana, Rafael Torres, disse que falar do Peru hoje não significa falar apenas de um mercado de pouco mais de 30 milhões de pessoas. “Significa também falar de um país com um déficit de infraestrutura pública e privada superior a US$ 150 bilhões, o que representa um amplo espaço para investimentos e para participação de brasileiros. Mas investir no Peru significa também algo mais, significa abrir uma porta direta para o mercado da Ásia e do Pacífico, uma região que reúne mais de 4 bilhões de consumidores e neste sentido o Peru tem se tornado cada vez mais um eixo estratégico de conexão”, disse Torres.
As lideranças peruanas frisaram que o aumento de fluxos para a China, os EUA e a Europa gera a necessidade de promover corredores mais curtos ou alternativas multimodais, enquanto o Brasil tornou-se uma potência exportadora (US$ 349 bilhões/2025) com o foco na Ásia. A comitiva ressaltou que a integração sul-americana possibilita novas saídas e reduzem o tempo de acesso do Brasil ao Pacífico por corredores que passam pelo Peru.
A rota atual América do Sul/Ásia, com saída pelos portos brasileiros, faz com que o transporte ocorra em 46 dias, enquanto pelo Porto de Chancay leva de 23 a 25 dias, por exemplo.
Cenário econômico
O baixo índice de inflação, o aumento dos investimentos privados em infraestrutura e mineração e o crescimento do consumo também foram alguns dos fatores destacados pela comitiva do Peru. A delegação também apontou como pontos positivos do país vizinho os reduzidos custos de financiamento, a taxa de câmbio favorável, condições climáticas “neutras” e a recuperação do turismo a níveis pré-pandemia de covid.
Além disso, os peruanos também chamaram a atenção dos empresários brasileiros para a independência do Banco Central do Peru e para o crescimento sustentado do país e as reservas internacionais que hoje estão em 28% do PIB (no Brasil, são apenas 18%).
Política
O diretor executivo da ProInversión Perú, Luiz del Carpio, destacou a confiança democrática no Peru, com processo eleitoral este ano em dois turnos (abril e junho) e que, segundo ele, mantém um clima de “tranquilidade social e otimismo”. De acordo com ele, há 32 candidatos que irão disputar a presidência, mas nenhum dos que lideram as pesquisas demonstra discordar da política econômica atual.
“Nos últimos anos, vocês sabem disso, o Peru passou por diversas mudanças presidenciais, mas a ordem constitucional, o estado de direito e a política econômica foram mantidos e sem alterações. Houve grande estabilidade dos indicadores macroeconômicos importantes e continuidade em instituições-chave, como o Banco Central, que é plenamente independente e autônomo no Peru”, disse Carpio.
Ele também ressaltou que corporações peruanas e brasileiras têm trabalhado nos últimos anos no aperfeiçoamento de suas normas internas para o fortalecimento de seus códigos de integridade e compliance.