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“O argumento para mais essa sobretaxa é improcedente, pois o Brasil é um dos maiores signatários das convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), , sendo aderente a 66 delas", explica Rafael Cervone, presidente do Ciesp.

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) refuta de modo enfático a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, agora sob a alegação de que o Brasil falha no combate a práticas de trabalho forçado em setores produtivos. A medida, que entra em vigor já nesta sexta-feira (24/07), soma-se aos 25% da sobretaxa válida desde o dia 22 último, ampliando de maneira expressiva as barreiras comerciais impostas ao País.

“O argumento para mais essa sobretaxa é improcedente, pois o Brasil é um dos maiores signatários das convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sendo aderente a 66 delas, com destaque para os pactos contra o labor infantil e o forçado, consubstanciados nas de números  29, 105, 138 e 182”, ressalta Rafael Cervone, presidente do Ciesp e primeiro vice-presidente da Fiesp. “Ademais, temos uma das mais rígidas legislações trabalhistas do mundo, forte fiscalização e punições são severas”, frisa.

Por isso, é grave que acusações dessa natureza, relacionadas ao trabalho forçado, sejam utilizadas para justificar novas restrições comerciais sem a devida comprovação concreta. Trata-se de um argumento que, além de atingir a imagem internacional do Brasil, reforça a percepção de que as medidas adotadas extrapolam critérios estritamente técnicos e comerciais.

"As novas tarifas colocam o Brasil dentre os países com as mais severas barreiras de acesso ao mercado norte-americano, comprometendo a competitividade da nossa indústria e do agronegócio em um dos mais importantes mercados do mundo. Ao mesmo tempo, penalizam o próprio consumidor dos Estados Unidos, que pagará mais caro por produtos brasileiros", afirma Cervone.

O Ciesp reitera que o governo brasileiro deve intensificar os esforços no campo da diplomacia econômica, desviando-se do viés político que a tarifação dos Estados Unidos parece ter, conduzindo as negociações com serenidade, firmeza e base em argumentos técnicos e econômicos. A entidade também considera acertada a criação de linhas de crédito com juros menores, recém-anunciadas pelo governo, para apoiar as empresas afetadas, mas ressalta que medidas emergenciais não substituem a necessidade de restabelecer condições equilibradas para o comércio bilateral.

Para o Ciesp, essa questão deve ser tratada como uma agenda de Estado, voltada exclusivamente à defesa dos interesses nacionais, da competitividade das empresas, dos investimentos e dos empregos, sem contaminação pelo ambiente político-eleitoral.

“Em momentos de desafios ao comércio exterior, o Brasil precisa atuar com responsabilidade, equilíbrio e unidade, preservando uma relação econômica estratégica construída ao longo de décadas”, enfatiza Cervone.