“A desaceleração da inflação, conforme divulgou o IBGE nesta terça-feira (11/08), reforça a necessidade de o Brasil adotar uma política monetária menos restritiva e mais compatível com os desafios do crescimento econômico e da competitividade.” A Avaliação é de Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Fiesp, ao fazer menção à alta de apenas 0,07% do IPCA em julho, abaixo dos 0,16% apurados em junho.
No acumulado de 2026, a inflação soma 3,44%, enquanto o índice em 12 meses recuou para 4,44%, frente aos 4,64% registrados até junho. Para Cervone, esses indicadores evidenciam que há espaço para uma condução da política monetária mais favorável ao desenvolvimento.
Com a inflação em trajetória de desaceleração, o Brasil precisa de uma política monetária menos restritiva, mais criativa e alinhada à realidade de um país que necessita crescer de maneira mais robusta para promover ampla inclusão social e alcançar o patamar de economia de renda alta”.
Segundo o presidente do Ciesp, os juros reais mais altos do mundo impostos ao País comprometem a capacidade de investimento das empresas, dificultam o acesso ao crédito, reduzem o consumo, freiam a atividade produtiva e afetam diretamente a indústria, setor responsável por impulsionar a inovação, agregar valor e gerar empregos de maior qualificação.
Uma taxa muito elevada trava a economia, restringe a criação de empregos, reduz a competitividade e enfraquece a capacidade de o Brasil disputar mercados internacionais", ressalta.
Cervone pondera que a redução dos juros, entretanto, deve caminhar lado a lado com o fortalecimento da política fiscal:
Também é indispensável enfrentar o rombo das contas públicas. O elevado déficit reduz muito a capacidade de investimento do Estado em infraestrutura, educação, inovação e serviços essenciais, além de fragilizar a confiança na condução da política econômica. O equilíbrio das contas públicas e uma política monetária mais eficiente não são objetivos conflitantes, mas sim complementares e fundamentais para criar um ambiente favorável ao crescimento sustentável".
Na avaliação do presidente do Ciesp, o Brasil reúne condições para combinar responsabilidade fiscal com uma política monetária mais aderente à realidade econômica.
É preciso construir um ambiente que estimule investimentos, produtividade e inovação. Somente assim conseguiremos acelerar o crescimento, fortalecer a indústria, ampliar a geração de empregos e elevar o padrão de vida da população", conclui.