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Convênio é considerado um marco importante para as micro, pequenas e médias empresas por atuar em uma das principais dificuldades do setor: o custo e a burocracia do crédito para inovar.

A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, firmou nesta terça-feira (24/03), um acordo de cooperação estratégica com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). A parceria, com vigência prevista até 2029, tem como objetivo central facilitar o acesso de MPMEs (micro, pequenas e médias empresas) a linhas de financiamento voltadas à modernização e ao desenvolvimento tecnológico.

​O anúncio ocorreu na sede da Fiesp e do Ciesp, na capital paulista, durante o evento "Finep pelo Brasil". A iniciativa busca aproximar o setor produtivo das agências de fomento por meio de uma agenda, que inclui seminários, eventos de orientação e rodadas de negócios com agentes financeiros credenciados.

O presidente do Ciesp e 1⁰ vice-presidente da Fiesp, Rafael Cervone, assinou pelas duas entidades e disse considerar "fundamental" um acordo com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e com a Finep para prover recursos desburocratizados para que a indústria possa continuar sendo o "baluarte da inovação, pesquisa e desenvolvimento no país".

A grande maioria dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento é feita pela iniciativa privada, que é um motor do desenvolvimento. Nós temos ainda vários entraves para fazer com que estes recursos de financiamento cheguem à ponta, especialmenteno no caso da micro, pequena e média empresa", disse Cervone.

Ele explicou que as MPMEs têm dificuldades, hoje, de competitividade e de acesso aos recursos. Por outro lado, segundo ele, há uma rede que pode acelerar a inovação no país e há um interesse do setor industrial de que as cadeias de fornecimento sejam integradas, de forma a multiplicar Pesquisa e Desenvolvimento pelo país. Ele lembrou que há um distrito voltado à inovação no Senai de São Bernardo do Campo, por exemplo.

Capilaridade
Segundo Elias Ramos, diretor de Inovação da Finep, a união é fundamental para capilarizar o atendimento, permitindo que os recursos cheguem com mais facilidade a empresas situadas fora dos grandes centros urbanos.

​O acordo é considerado um marco importante para as micro, pequenas e médias empresas por atuar em uma das principais dificuldades do setor: o custo e a burocracia do crédito para inovar. Para esses empreendimentos, o acesso a recursos com juros competitivos e prazos adequados permite a atualização de maquinários, a digitalização de processos e a criação de novos produtos, fatores essenciais para manter a competitividade em um mercado globalizado.

​Além do suporte financeiro, o intercâmbio de informações previsto no acordo promete desmistificar o processo de captação de recursos públicos. Muitas vezes, o pequeno empresário possui o projeto de inovação, mas carece de orientação técnica para enquadrá-lo nos editais de subvenção econômica.

​A ação se insere em um cenário de forte expansão dos investimentos em São Paulo. No triênio 2023-2025, o volume de contratações da Finep no estado cresceu 3,5 vezes em comparação ao período anterior, atingindo a marca de R$ 15,4 bilhões.

A Finep registrou um desempenho histórico em 2024, impulsionado pela estratégia da "Nova Indústria Brasil", alcançando uma carteira total de R$ 22 bilhões (o maior valor de sua história). Deste montante, aproximadamente R$ 17,8 bilhões foram investidos diretamente pela financiadora, complementados por cerca de R$ 3,4 bilhões em contrapartidas das empresas.


Pandemia
Daniel Almeida Filho, secretário Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, representando a ministra Luciana Santos, relembrou a experiência do Brasil durante a pandemia de covid-19.

A experiência brasileira com insumos na pandemia foi marcada pela extrema vulnerabilidade devido à dependência de importações da China e da Índia. A interrupção das cadeias globais causou a escassez de itens básicos, como máscaras e testes, culminando na falta dramática de oxigênio e de medicamentos do "kit entubação". Esse cenário expôs a fragilidade da autonomia industrial do país e forçou uma disputa logística complexa em um mercado internacional inflacionado.

Precisamos mobilizar cada vez mais o ecossistema para que a gente consiga fazer essas produções aqui no Brasil, para que possamos ter autonomia", afirmou Almeida Filho.