A morte de Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho (29/06/26), foi uma imensa perda para o Brasil e a indústria nacional, cuja trajetória foi marcada com ênfase por sua liderança. Como presidente do Ciesp e da Fiesp (1980-1986) teve forte impacto no avanço do setor, num momento em que o País buscava caminhos para crescer, modernizar sua economia e fortalecer sua capacidade produtiva.
Advogado pela Universidade de São Paulo e pós-graduado em Administração pela Universidade de Illinois (EUA), Luís Eulálio uniu sólida formação acadêmica e notável experiência empresarial. À frente das empresas Cobrasma e Fornasa, conheceu os desafios da indústria.
Em 1980, vivenciou uma disputa democrática marcante ao vencer as eleições para a presidência do Ciesp e da Fiesp. Durante os seis anos em que esteve à frente das entidades, ajudou a ampliar o protagonismo da representação industrial em um momento complexo da História do Brasil, assinalado pela abertura política. Foi um líder empresarial que estabeleceu forte diálogo com os trabalhadores, soube ouvi-los e negociar com eles dentro dos interesses nacionais.
Sua liderança sempre esteve associada ao pensamento estratégico. Defendia a modernização tecnológica, maior competitividade, integração internacional e um ambiente econômico em que a iniciativa privada prosperasse com menos interferências do Estado e mais segurança jurídica. Também compreendia que o fomento da indústria não poderia caminhar dissociado do fortalecimento das instituições e da construção de consensos em torno dos desafios nacionais.
Como presidente dos conselhos regionais do Sesi-SP e do Senai-SP, demonstrou firme convicção sobre a importância do ensino para o desenvolvimento nacional, a formação profissional e a valorização dos recursos humanos como pilares da competitividade industrial. Também exerceu funções de destaque na Confederação Nacional da Indústria (CNI), no Sindipeças e em conselhos empresariais internacionais, contribuindo para aproximar o Brasil dos principais centros de decisão econômica.
Integrou o Conselho Monetário Nacional, a Comissão Provisória de Estudos Constitucionais e o Conselho Estadual do Meio Ambiente. Também foi vice-coordenador da Seção Brasileira do Conselho Industrial do Mercosul, presidente da Seção Brasileira do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos e membro da Seção Brasileira do Conselho Empresarial Argentina-Brasil e do Comitê Empresarial Nipo-Brasileiro.
O compromisso de Luís Eulálio com a formação educacional também se fez presente na Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Durante mais de quatro décadas, como membro do Conselho Curador, ajudou a consolidar a instituição.
Seu legado é imortal. Está vivo nas instituições que fortaleceu, nas ideias que ajudou a difundir e nas gerações de empresários e lideranças que inspirou. Por isso, fazem muito sentido ter recebido, em vida, o título de Presidente Emérito do Ciesp e da Fiesp e o fato de o edifício-sede da entidade e do Cieso ter o seu nome. Assim como o prédio abriga a representação da indústria paulista, a memória de Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho sustenta sólidos alicerces de trabalho, ética, visão de futuro e compromisso do setor com a construção de um Brasil melhor.
*Rafael Cervone é o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).