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Mulheres na liderança: tema que ganha cada vez mais destaque nas organizações

Em evento na Fiesp, apresentou-se pesquisa realizada pela Will e pelo Valor Econômico

Milena Nogueira, Agência Indusnet Fiesp

Nesta segunda-feira (13/12), o Comitê e do Núcleo de Responsabilidade Social da Fiesp (Cores) e (NRS) do Ciesp, comandou a live Mulheres na Liderança para apresentar os resultados da 4ª edição da pesquisa homônima, realizada com mais de 160 grandes empresas pela Women in Leadership in Latin America (Will) e pelo jornal Valor Econômico, com o apoio metodológico do Instituto Ipsos.

“Sabendo da dificuldade de trazer mulheres na liderança, essa pesquisa mostra os avanços que as empresas e as indústrias têm conquistado nesse quesito”, disse Grácia Fragalá, diretora titular do Cores. Para explicar mais sobre o trabalho, Fragalá chamou Silvia Fazio, presidente da Will. “A pesquisa é uma maneira de guiar as empresas que estão começando e oferecer devolutiva com melhores práticas tanto é que, neste ano, com o objetivo de seguir o mercado, foram criadas duas categorias: Ascensão das Mulheres Negras e Promoção de Mulheres em Conselhos.

De acordo com ela, a Ascensão das Mulheres Negras premiou a empresa que mais contratou mulheres negras, fazendo ainda uma interseção com as mulheres na liderança. Já a outra categoria premiou empresas que mais promovem mulheres em conselhos, com o intuito de alcançar também uma massa crítica a fim de atuar de maneira conjunta com outras conselheiras e direcionar de maneira diferente o pensamento do conselho como um todo, mudando a cultura da empresa.

“Nosso foco é que exista uma estratégia empresarial para ter mulheres na liderança como um plano de “Environmental, Social and Governance” [em português, Ambiental, Social e Governança, ESG]. Ou seja, tratar o tema da diversidade na liderança como tema fundamental e estratégico da empresa. Temos métricas e ações pontuais para a promoção de mulheres na liderança nas empresas”, disse Fazio. A Will é uma organização internacional sem fins lucrativos criada para apoiar e promover o desenvolvimento de carreira das mulheres na América Latina.

Membros da Fiesp, representantes femininas da multinacional P&G, diretora de Relação Governamentais e Políticas Públicas, Daniela Rios, e a presidente da companhia, Juliana Azevedo, destacaram a empresa em que trabalham como um exemplo, já que, na liderança, as mulheres somam 50%. 

“Que essa questão não seja mais um problema para o futuro. Ficou para trás o fato de a mulher precisar se masculinizar para ser líder”, enfatizou Rios. Azevedo reforçou que a liderança feminina faz parte do ESG da empresa: “É nossa agenda de cidadania, e que essa transformação se materialize de forma acelerada para as demais empresas e indústrias”.

O objetivo da pesquisa é identificar políticas, processos e práticas da empresa quanto à equidade de gênero, tanto no âmbito externo quanto interno. O público-alvo foi formado por empresas de médio e grande porte, segundo critério do Sebrae, dos segmentos de comércio, serviços e indústria.

Priscilla Branco, gerente de Relações Públicas e Reputação Corporativa do Ipsos, apresentou os resultados da pesquisa em blocos. Ela elencou os principais destaque em Estratégia e Estrutura; Equilíbrio entre Trabalho e Vida Pessoal; Qualificação e Incentivo à Liderança Feminina; Recrutamento, Seleção e Retenção; Mulheres e Interseccionalidade; e Atuação Externa.

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Grácia Fragalá, diretora titular do Cores da Fiesp e do NRS do Ciesp, frisou a importância de se debater o tema mulheres na liderança e a pesquisa apresentada que mostra os avanços que as empresas e as indústrias têm conquistado. Fotos: Karim Kahn/Fiesp


Destaques da Pesquisa Mulheres na Liderança

Estratégia e Estrutura:

Aumento significativo na disponibilização de canais de denúncias e reclamações de forma anônima; e o aumento na quantidade de empresas que possuem uma área ou instância específica para garantir a implementação de ações de promoção e inclusão de diversidade.

Houve aumento de 10% de empresas que tratam de racismo e equiparação salarial, mas a pauta mais importante continua sendo mulheres na liderança, conforme pontuou Branco.

Recrutamento, Seleção e Retenção:

Crescimento constante no percentual de empresas que monitoram a proporção de contratação de homens e mulheres; 2/3 das empresas possuem procedimentos formais e claros em relação a aumento salarial. Quase 58% possuem métricas de equiparação salarial entre homens e mulheres; A maioria das empresas monitora o índice de demissão voluntária de mulheres em cargos gerenciais e detecta os motivos de turnover [rotatividade de pessoal].

No geral, desde 2019 vem caindo o percentual de empresas que não possuem políticas de contratação. No caso de políticas ligadas à remuneração, o percentual oscilou e voltou ao patamar de 2019, mas continua baixo, 14%.

Qualificação e Incentivo à Liderança Feminina:

Em relação à capacitação, 61% das empresas focam no desenvolvimento profissional das colaboradoras de forma mais ampla; e 45% estão elaborando programas específicos para mulheres a partir de pesquisa/censo.

Já sobre o estímulo à liderança, o crescimento é constante. 51% das empresas possuem metas para reduzir a proporção entre homens e mulheres em cargos de gerência ou executivos. Em 2019, apenas 1/3 declarava essa meta. Houve crescimento em quase todas as ações de incentivo à liderança como a criação de espaço para compartilhamento de experiências.

Equilíbrio entre Trabalho e Vida Pessoal:

Sobre cuidado com a família, 71% das empresas facilitam o acompanhamento da saúde dos filhos; 2/3 das empresas oferecem o auxílio-creche e pouco mais da metade oferece espaço específico para amamentação. Já na gestação, a maioria é adepta do Empresa Cidadã e, quanto à licença parental, as empresas estão criando mecanismos para garantir o cumprimento integral.

Mulheres e Interseccionalidade

49% das empresas aplicam políticas específicas para mulheres negras ou pardas; 46% para mulheres LGBTQI+; houve aumento significativo em políticas para mulheres portadoras de deficiência e as que têm mais de 50 anos.

Quando analisadas as ações, políticas ou programas específicos para essa área, chama a atenção que as ferramentas de denúncia e o anúncio de valores de não discriminação sejam as duas mais citadas em todas as frentes.

As empresas expandem cada vez mais os treinamentos, não apenas com foco no cargo atual, mas com vistas à questão profissional ao longo do tempo, segundo informou Branco.

Atuação Externa

Ações de engajamento e/ou envolvimento de stakeholders crescem vagarosamente, mas continuamente desde a primeira avaliação; olhar mais atento à cadeia de valor com política que determina rescisão de contrato com fornecedores que não respeitarem a equidade de gênero e também a publicidade; 2/3 terços das empresas são signatárias de compromissos voluntários em prol da equidade de gênero; 7 em cada 10 se posicionam publicamente na figura de suas lideranças sobre questões de equidade.

Saiba quais são as empresas com as melhores práticas para ascensão feminina em 2021, no painel de boas práticas com os cases: Schneider, Gerdau e Ocyan.

Assista ao evento na íntegra no canal da Fiesp no Youtube.