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Mercosul 30 anos: estimular a retomada do crescimento econômico e realizar novos acordos, entre as prioridades

Especialistas em comércio internacional pontuam como está o bloco econômico sul-americano no cenário atual

Milena Nogueira, Agência Indusnet Fiesp

Em comemoração aos 30 anos do Mercosul, o  Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp convidou Fabrizio Sardelli Panzini, gerente de Políticas de Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e o embaixador Michel Arslanian Neto, diretor do Departamento de Mercosul e Integração Regional, para um webinar nesta terça-feira (16/3), conduzida pelo embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex/Fiesp.

O momento atual é complicado para o Mercosul, não pelas suas regras de comércio e qualidade de integração, mas pela inserção internacional e falta de estabilidade econômica, ou seja, é uma questão econômica e de competitividade muito mais grave, alerta Panzini.

Para ele, o Mercosul tem sido menos importante para o Brasil, porque desindustrializamos a nossa pauta de exportação, vendendo menos produtos. Porém, apesar de ter o lado positivo nas últimas décadas, perdendo apenas para a China, o lado negativo é que provavelmente o crescimento foi muito menor do que houve na Ásia.

Em comparação à década de 2000, o Mercosul está num patamar menor na recepção de investimentos estrangeiros, o que deixa nítido uma falta de segurança e estabilidade para que a organização seja vista como um bloco que possa receber mais investimento em cadeia.

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Para o embaixador Michel Arslanian Neto, o Mercosul tem materialidade e solidez econômica, o que contribui para a continuidade de permanência do bloco. Foto: Fiesp

Pontos positivos do Mercosul

Para cada R$ 1 bilhão exportado é o terceiro destino que cria mais emprego num número de 33 mil, e é o segundo maior, praticamente empatado com os EUA em termos de salário gerado, muito acima da China, gerando um total de mais de R$ 200 milhões de massa salarial na economia do que se vendesse R$ 1 bilhão para o país asiático. 

E, em se tratando de impostos gerados e de produção de cadeia, os dados ficam mais impressionantes, cada R$ 1 bilhão que se vende do Mercosul, geram-se mais tributos para a economia, no valor de R$ 362,9 milhões, e, para cada R$ 1 bilhão exportado, geram-se mais de R$ 4 bilhões para a economia brasileira, segundo dados levantados e apresentados pela CNI.

Atualmente, o Mercosul vem avançando com revisão de regras de origem, retomada de negociação automotiva e de açúcar, além do acordo em e-commerce.

Prioridades

No entanto, Panzini elenca as prioridades para o Mercosul. Criar metas comuns para estimular a retomada do crescimento econômico, como, por exemplo, para médio prazo, com meta comum de inflação, de endividamento do PIB e de reservas financeiras. Outra prioridade é concluir acordos importantes em negociação com parceiros estratégicos e nas consultas públicas sobre bens e regras, além de reforçar a integração interna, o Livre Comércio, internalizar normas e acordos pendentes para dar mais leveza e efetividade ao bloco. Quanto à competitividade, melhorar políticas e equalizar a tributação.

Para o embaixador Arslanian Neto, o Mercosul é essencial para economia, para a indústria e para o futuro. A conjugação do Livre Comércio entre os países e a adoção de uma tarifa externa comum, que deu uma margem de preferência contra supridores externos, tem contribuído para manter a importância relativa do bloco no comércio, mesmo com sua participação no comércio internacional mais reduzida, em 6,2%, em 2020.

“O Mercosul tem materialidade e solidez econômica, o que contribui para a continuidade de permanência do bloco, independentemente da volatilidade política, porque o interesse se manifesta”, destaca Arslanian Neto.

Brasil no Mercosul

“O Brasil tem apetite negociador, com interesse em avançar no acordo com a Colômbia e o Peru. Assim como com o México, mas não houve reação deles até o momento a uma proposta nossa de ampliação do Acordo de Complementação Econômica nº 53 (ACE 53). Estamos também tentado ampliar a fronteira de liberalização para a América Central, percebida como interesse prioritário para nossa indústria brasileira”, informa o embaixador.

O Brasil tem feito uma revisão integral, procurando levar adiante uma agenda de modernização do processo de elaboração e revisão de normas e regulamentos para o Mercosul e agora tem como objetivo alinhar o bloco econômico às práticas e padrões internacionais.

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Fabrizio Sardelli Panzini, da CNI, avaliou o atual momento do Mercosul como complicado por uma série de fatores, que abordou no encontro on-line. Foto: Fiesp