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Apesar da queda do PIB mundial, especialistas confirmam esperança de melhoria para 2021

Projeções para 2021 são favoráveis, mas ainda há incerteza, a depender da velocidade da vacinação e de novas variantes do vírus da Covid-19

Milena Nogueira, Agência Indusnet Fiesp

Nesta sexta-feira (26/2), realizou-se, na Fiesp, a primeira reunião deste ano do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, com o tema central sobre a indústria e o comércio exterior, ponto que se somou ao panorama dos efeitos da pandemia de Covid-19 no Brasil e no mundo.

Para apresentar como a indústria brasileira tem lidado com o atual cenário, mostrar tendências de longo prazo e a relevância do setor, o convidado foi o diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sergio Gomes de Almeida.

Embora não tenha sido tão grave como se esperava – em jun/20, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), -4,9%; pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), -6% – a crise econômica decorrente da Covid-19 derrubou o Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 2020. Entretanto para o ano de 2021, pode haver melhoria contanto que a vacinação se acelere e que variante do vírus seja controlada.

“Vamos ter um declínio, porém menor do que estávamos esperando. Com a crise global, nossas exportações totais encolheram e a queda das vendas externas da indústria de transformação foi mais intensa, caiu 6,9%. O quadro não é bom, mas tem um quadro mais esperançoso”, na opinião de Julio Sergio.

O diretor do Iedi esclarece que a corrente de comércio é um melhor termômetro que a exportação para avaliar nossa inserção internacional e participação na cadeia global. Houve uma perda aproximada de 25% da corrente de comércio na inserção internacional, porém isso ocorre desde a crise global de 2008 e não por conta da pandemia, segundo o expositor.

Sob a ótica dos efeitos da pandemia, na indústria houve queda de 3,5%, mas com recuperação em 2021 e 2022 na economia mundial poderá voltar a crescer. Essa é projeção e o impacto nesse processo.“O comércio mundial que sofreu um golpe em 2020, em -9,2%, e, em 2021, deve ser um pouco menos, -7,25%. A trajetória de crescimento é muito mais baixa desde a crise de 2008 e com a pandemia”, complementou Almeida.

A importância da indústria

Segundo o levantamento feito pela Iedi, com fontes como Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Ministério da Economia, quando a indústria cresce ela alavanca o restante da economia. Isso devido aos seus efeitos multiplicadores, que permanecem mais elevados do que dos outros setores da economia, como o impacto de 2,63 na Indústria de Transformação, 1,66 na Agropecuária, e 1,49 em Serviços [a cada R$ 1 produzido]. A indústria é o setor que mais exporta, respondendo por 55% do total e é também a responsável pela integração comercial do Brasil à economia global, com 71% da corrente de comércio de bens.

Emprego Industrial

A indústria no Brasil, mesmo em um contexto extremamente desfavorável, continua sendo dos setores que mais investe em inovação. Em relação à empregabilidade, a indústria de transformação corresponde a 13% do emprego total do setor privado e por 20% dos postos com carteira assinada. A formalização do emprego industrial (64,2%) é a mais elevada entre os grandes setores da economia. Já o nível do salário médio na indústria também é superior ao dos demais setores, o que traz mais um indício da melhor qualidade, segundo dados apresentados pelo diretor-executivo do Iedi.

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A contribuição da indústria para o financiamento do Estado também é expressiva. Mais de 1/4 dos tributos federais, acrescidos do ICMS, são obtidos junto ao setor industrial. Para fortalecer a indústria nacional, o Iedi defende a adoção de estratégias na absorção de tecnologias emergentes e na inovação, promovendo sua articulação com o setor produtivo, e desenhando políticas orientadas a missões, assim como a modernização do parque industrial para também impulsionar a competitividade da indústria. Entretanto, mobilizando competências industriais, sem comprometer a produtividade e competitividade, para enfrentar desafios sociais, como segurança sanitária, saneamento e sustentabilidade ambiental.

Outra estratégia é o aumento da exportação de manufaturados, em especial de produtos mais complexos e intensivos em tecnologia, ou seja, agregar valor a atividades em que reconhecidamente o Brasil apresenta forte vantagem comparativa, a exemplo da agropecuária. Para que os resultados dessa estratégia sejam potencializados, é importante o equacionamento de distorções sistêmicas da economia brasileira, como na manutenção de níveis de juros básicos do Banco Central em linha com os padrões internacionais, na diversificação dos mecanismos de financiamento da economia (mercado de capitais) e redução de seu custo, na atração de investimentos privados em infraestrutura, a consolidação e estabilização fiscal, a Reforma Tributária que instaure um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e a ampliação e melhoria da inserção externa da economia brasileira.