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8 de março: economia do cuidado, trabalho não remunerado, principalmente das mulheres, se fosse um setor representaria 11% do PIB

Evento on-line Elas na Indústria debate papel da mulher na recuperação da economia, que passa pela inclusão. Com a pandemia, fica mais evidente a fragilidade do mercado de trabalho feminino

Clarissa Viana, Agência Indusnet Fiesp

Para debater os efeitos da pandemia e o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho, a Fiesp e o Ciesp realizaram, no Dia Internacional da Mulher, que se comemora em 8 de março, o seminário on-line ‘Elas na indústria’. O evento contou com porta-vozes da ONU Mulheres, ASHRAE Brasil e WILL, apresentando os desafios e conquistas das mulheres na sociedade, mais a parceria do Sindicato das Indústrias de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar no Estado de São Paulo (Sindratar-SP)

“O público feminino tem diversos obstáculos a serem superados, como ficou evidente com a crise gerada pela pandemia, pois cada sub-grupo tem particularidades para estar inserido no mercado de trabalho. As dificuldades de uma mãe são diferentes de uma mulher negra sem filhos. Por isso, nós, da ONU Mulheres, atuamos para mostrar para as empresas que a inclusão e a diversidade são questões de negócio”, apontou a gerente de projetos da ONU Mulheres, Tayná Leite, que apresentou a iniciativa do programa Ganha-Ganha e o conceito de ‘she-cesion‘, uma recessão que atinge principalmente as mulheres com retrocesso aos índices de participação no mercado de trabalho da década de 1990.

“A economia do cuidado, que é o trabalho não remunerado principalmente das mulheres, com a família e os cuidados com a casa, representariam, caso fossem um setor econômico, 11% do PIB Brasileiro”, comentou Tayna, que reforçou o papel da ONU Mulheres em promover a equidade de gênero para que as próximas crises não atinjam tão fortemente as mulheres, como foi possível constatar na pandemia do novo coronavírus.

Nesse cenário, o papel das empresas é fundamental. “Como sociedade, precisamos buscar as soluções para todos esses problemas estruturais: a fragilidade da mulher no mercado de trabalho, a sobrecarga dela no ambiente doméstico, mesmo trabalhando remotamente, a desigualdade de cargos e salários”, reforçou Gràcia Fragalá, diretora-titular do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp e do Núcleo de Responsabilidade Social (NRS) do Ciesp. Gràcia também destacou a necessidade da união de toda a sociedade para promover a inclusão e combater essa fragilidade histórica da mulher.. “Falar de inclusão e diversidade no mercado de trabalho é tratar de uma questão de negócio e que gera inúmeros ganhos para as empresas”, pontuou.

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Para Gràcia Fragalá, o discurso da promoção da equidade de gênero faz parte da promoção do desenvolvimento econômico e social da sociedade, como um todo. Fotos: Karim Khan/Fiesp

“Um levantamento da McKinsey apontou que os benefícios econômicos da promoção da igualdade de gênero nas empresas superam em oito vezes os investimentos necessários para essas mudanças. Por isso, o discurso da promoção da equidade de gênero faz parte da promoção do desenvolvimento econômico e social da sociedade, como um todo”, comentou Fragalá.

“A mulher tenta abraçar o mundo para mostrar sua capacidade, e isso é extremamente prejudicial para ela. Nossa mentoria quer mostrar para as mulheres o que é indicado para cada uma e o que não tem o perfil dessa mulher porque tem coisas que combinam com a gente e outras não, e tudo bem que isso aconteça”, esclareceu a diretora do Sindratar-SP, Christiane Lacerda. Contratada pelo Sindratar para promover a inclusão e diversidade na organização, Lacerda também destacou que a conquista do espaço da mulher não significa eliminar o espaço dos homens no mercado de trabalho e que as mentorias pretendem que a própria mulher perceba o que é plausível e o que não é na sua realidade para evitar ‘abraçar o mundo’.

O trabalho com as mulheres do setor de climatização e refrigeração que está sendo realizado tem iniciativas que merecem destaque: o Sindratar lançou, durante o seminário, o projeto CEALI, de mentorias com mulheres para promover a conquista de melhores condições de trabalho.

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Fundadora da WILL, Silvia Fazo apresentou as contribuições da organização para que as mulheres conquistem cargos de liderança, em diversos setores do mercado, incluindo o de refrigeração e climatização.

“O ato de empoderar é simplesmente uma questão de mostrar para ela todo esse poder, que ela já tem, não a ensinar a conquistar mais. Por isso, trabalhamos nos pontos que fortalecem a mulher no mercado de trabalho, desde a comunicação mais assertiva até a rede de contatos dela, que percebemos ser um ponto a ser melhorado”, analisou Silvia, depois de apresentar dados da última edição do estudo ‘Mulheres na Liderança’, realizado pela WILL em parceria com a Ipsos e o jornal Valor Econômico.

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Carlos Trombini, presidente do Sindratar- Sindicato da Indústria de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar no Estado de SP

Ao final do seminário, foi divulgado o nome dos ganhadores do prêmio “Agora é que são elas – Mulheres no Avac-R” – do Sindratar-SP. Foram premiadas Daniela Marchesi, diretora da Climasol; Celina Bacellar, gerente de refrigeração industrial da Hitachi; e Fabrizzio Del Grande, gerente de RH da Trane, pelo trabalho prestado em prol da inclusão.