Perspectivas para construção civil e mineração são positivas para o próximo ano

Representantes do setor falam dos resultados do ano e expectativas para 2022, em última reunião do departamento da Fiesp

Milena Nogueira, Agência Indusnet Fiesp

O Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic) realizou na sexta-feira (10/12) a última reunião plenária do ano, para apresentar as realizações e as perspectivas do setor. José Romeu, diretor titular do Deconcic, agradeceu a todos pelo trabalho ao longo do ano, em meio a incertezas, mas com esperança de um 2022 com mais emoções.

Baixe a apresentação de José Romeu, neste link.

Representando o setor imobiliário, Celso Petrucci, chefe no Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (Secovi), disse que 2021 está sendo um ano difícil para se fazer previsões, em função de todo cenário econômico, com a atual taxa Selic de 9,25%, tendendo a 11% ou 12% para 2022. “A taxa de financiamento imobiliário já subiu a 1,5 ponto, com projeção de que suba um pouco mais no início do próximo ano, além da questão das eleições, que influencia o debate político”.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) consolida os números do mercado imobiliário em praticamente 40% no país, que são as 162 cidades mais representativas do Brasil. De acordo com Petrucci, “teremos o melhor ano em número de unidades lançadas e vendidas desde 2016, apesar da percepção do terceiro trimestre apontando uma queda tendo como principal fator o aumento dos insumos”.

Segundo a Secovi, o Programa Casa Verde e Amarela foi afetado, em relação ao que vinha acontecendo até o segundo trimestre de 2021. “Mesmo sabendo que vamos ter o melhor ano com indicadores nacionais em lançamentos e vendas, já acendemos uma luz de alerta pela perda da força do Casa Verde e Amarela em algumas praças. Essa perda acontece em mercados onde o poder de compra (afordability) – que caiu para todo mundo, principalmente, nas regiões mais pobres do país -, é mais baixo. As medidas tomadas pelo Governo Federal poderão voltar a dar um gás no programa, mas essa curva de aumento de insumos dá a impressão de que ainda haverá mais perda na participação no mercado imobiliário nacional”, pondera Petrucci.

Com base nessas 162 cidades, de tudo que é vendido no Brasil no mercado imobiliário, 75% são unidades produzidas pelo Programa Casa Verde e Amarela, e 25% por mercados para a classe média baixa, classe média e outros. Outro paradoxo acontece na cidade de São Paulo, onde o ano de 2021 vai apresentar um número recorde de unidades lançadas (até 70 mil), com uma constatação sobre a queda do Casa Verde e Amarela, que em São Paulo ainda não aconteceu.

Apesar do aumento dos insumos e dos tetos de 10%, o ano de 2021 vai fechar muito forte no mercado do Casa Verde e Amarela no município de São Paulo, além dos números de unidades lançadas (70 mil) e vendidas (65 mil).

Petrucci revelou que a projeção para 2022 é difícil, “mas imaginamos um ano com um pouco menos de vendas tanto no Casa Verde e Amarela quanto nas mercadorias de médio, alto e altíssimo padrão”. Embora haja muitos empreendimentos de luxo em construção, com mais de 50% de vendas nos plantões, por outro lado, a produção da indústria da construção civil – com o crescimento do PIB muito forte em 2021 e com um 2022 com essa tendência, com o melhor ano de lançamento desde 2016 – “vamos ter novas obras se iniciando, o que vai propiciar a contramão do que desponta o cenário econômico na absorção de mão de obra já existente e, possivelmente, na criação de novos empregos no segmento imobiliário”. Para 2022, a Secovi não está projetando queda e nem crescimento no mercado, “vamos ter um ano de recordes, mas os números estarão próximos aos de 2020 e 2021. Não estamos otimistas para o ano que vem”, conclui Petrucci.

Fernando Mentone, presidente da Regional São Paulo do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), comentou sobre o comportamento do segmento de arquitetura e engenharia consultiva. “Houve uma recuperação antecipada da receita a partir de 2017, em virtude da necessidade de desenvolver e adequar projetos, contudo as perspectivas para 2022 trazem para o mercado de edificações uma preocupação decorrente da elevação dos juros, aumento dos custos e queda das rendas das famílias. No setor de infraestrutura público, por se tratar de ano eleitoral, há boas perspectivas de crescimento de serviços. Já o investimento privado em infraestrutura deve crescer nos próximos anos (em 2020 representou 80% do investimento total) e pode trazer um crescimento de serviços a partir do segundo semestre do próximo ano”, disse ele.

Baixe a apresentação de Fernando Mentone, neste link.

Fernando Valverde, do setor de mineração – que representa 4% do PIB, 60% do saldo positivo da balança comercial, 2 milhões de empregos e investimento de 40 bilhões de dólares -, está confiante: “estamos conseguindo reverter a queda histórica com 2020 num aumento de 13,1%, em relação ao ano anterior, atingindo 605 milhões de toneladas, maior volume da indústria extrativa mineral, abarcando 3 mil empresas produtoras de agregados e 85 mil empregos diretos e indiretos”.

Rodrigo Navarro, de materiais de construção, falou que 2021 foi um ano de recuperação, mesmo com o aumento e a indisponibilidade de matéria-prima. “Conseguimos fechar o ano acima do que foi planejado, que era 8%, fechamos, porém, com um faturamento de 8,5% comparado ao ano passado”.

Já Newton José Soares Cavalieri, do setor da construção pesada, relatou que em 2021 o desempenho na área foi pequeno. “Poucas obras novas se iniciaram, foi um ano difícil para as empresas. O segundo semestre foi dedicado às licitações com obras que atingirão as grandes, médias e pequenas empresas”.

Ainda assim, a perspectiva para 2022 é boa devido a grande contratação de obras, incluindo conservação rodoviária e duplicação de vias, na ordem de R$ 300 a R$ 600 milhões de contrato. Cavalieri expressa sua opinião sobre os trâmites: “O ideal é que os investimentos do governo [federal] sejam tratados como políticas de Estado, sem depender de programas eleitorais, uma bandeira que a Fiesp deve levantar. Devemos também aproveitar a nova lei de licitações que rege os contratados administrativos para tentar trazer o entendimento dos nossos governantes que a infraestrutura, seja ela econômica (transportes, energia e logística) ou urbana (saneamento, transporte urbano, iluminação pública), seja tratada como planejamento de longo prazo com revisões sistemáticas e a obrigatoriedade de manter os investimentos governamentais para cumprir esse programa de Estado.

Eurimilson Daniel, da Sobratema, de máquinas e equipamentos, entende que através da produção e venda de máquinas e equipamentos se consegue medir a força do setor e o tamanho do segmento. “As máquinas se depreciam, precisam ser renovadas, então as vendas precisam ser constantes de ano em ano, ou seja, é uma excelente referência e um indicador”, afirmou.

Daniel contou que a referência do setor foi 2011, com um total 83 mil equipamentos adquiridos, a partir de 2015 houve queda, e ainda se atravessa um processo de recuperação. “Desde 2018 que começamos a recuperar o mercado. Neste ano estamos atingindo 49 mil unidades, com expectativa de 12% em 2022, apoiando-nos na locomotiva do país (agricultura e mineração)”, contextualizou.

Baixe o estudo da Sobratema de Mercado Brasileiro, neste link.

Claudio Conz, do setor de comércio de materiais, tratou do varejo. “Os anos de 2020 e 2021 foram extraordinários no varejo de materiais de construção, com crescimento até 10% no seu volume físico. Entretanto, houve queda no faturamento por conta dos preços. Para o próximo ano, diante dos aumentos dos produtos, a queda do volume de vendas está proporcional ao aumento de preço, logo, é uma questão de renda”, segundo disse.

De uma maneira geral, o setor acredita que fechará o ano com crescimento ainda bastante expressivo, carregado pelo primeiro semestre de 2021, mas que a atenção para 2022, de expectativa de crescimento em torno de 2,5 vezes, o PIB poderá se ajustar. É provável que o setor de varejo cresça 4%.

Para Rafael Silva, do setor de aço, e gerente executivo do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), 2021 teve um forte crescimento de 24% por conta da retomada do mercado interno. Sobre a produção de aço bruto, espera-se crescimento em torno de 14% e vendas internas de 17%, em comparação com 2020. Silva destaca que o mercado interno já se encontra abastecido. “É esperado que em 2022 a produção de aço bruto tenha crescimento de 2,2%, alcançando 37 milhões de toneladas, e, no mercado interno, 2,5%, ou seja, 23 milhões de toneladas e o consumo aparente cresça 1,5%”.

 

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Representantes do setor falam dos resultados do ano e expectativas para 2022, em última reunião do departamento da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

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