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Sustentabilidade é uma prática

* Odilon Ern

O termo sustentabilidade já foi associado a questões puramente ambientais

Em pouco tempo, no entanto, ampliou-se o entendimento de que sustentabilidade embute variáveis mais amplas: práticas que, além de ambientalmente corretas, sejam ainda economicamente viáveis e socialmente justas. Esse entendimento atingiu igualmente pessoas físicas, ONG e empresas, com a divulgação oficial de pesquisas que indicam os perigos do aquecimento global, o maior rigor de legislações que coíbem atitudes predatórias, ou ainda a conscientização de que integramos um todo e de que a inter-relação entre o homem e a natureza é tão efetiva quanto entre causa e efeito.

Nesse cenário, bancos passaram a ampliar a análise de fatores ligados ao aquecimento global em suas políticas de empréstimos, investimentos e estratégias de negócios de forma geral, bem como a incluir o mercado de crédito de carbono como uma nova realidade em seus portfólios. Ao mesmo tempo, fabricantes de automóveis aceleram a construção de modelos capazes de rodar com vários combustíveis ou até mesmo com baterias elétricas. Enquanto isso, produtores de computadores apostam em programas destinados a construir equipamentos dotados de componentes ambientalmente mais adequados, que consumem menos energia e permitem reciclagem ao final de sua vida útil.

Para empresas do setor químico, os desafios não são menores. Elas buscam caminhar na direção de processos que garantam produtos capazes de gerar menos lixo e resíduos, sejam mais biodegradáveis e consumam menos energia na fabricação. Analisar e otimizar o uso de matérias-primas e energia em processos produtivos e monitorar o impacto de suas atividades na água e na atmosfera são, assim, rotinas de sua gestão. Dessa forma, em um segmento que até bem pouco tempo era considerado vilão, já há ações de referência em gestão ambiental, que extrapolam as áreas da empresa e atingem a própria sociedade. Empresas de todo o mundo, de diferentes setores, convencem-se rapidamente de que não se pode mais mirar a atividade econômica simplesmente a partir da ótica do produto ou serviço a ser gerado. Cresce a percepção de que se deve planejar o ciclo de vida de produtos e processos em linha com o tripé da sustentabilidade. É o que se convencionou chamar de análise de impacto.

Tal evolução só é completa, no entanto, quando ela permeia as organizações e tem em cada colaborador um aliado. Por isso, é preciso multiplicar a percepção da sustentabilidade como um caminho seguro e sem volta. Isso se faz com lideranças bem preparadas e em organizações que possuem a questão ambiental no seu DNA.

Já na sociedade, a consciência – que significa ter conhecimento – cada vez maior da finitude dos recursos naturais e do papel e responsabilidade do ser humano no cenário atual e nos desígnios futuros, com certeza contribuirá para que consigamos trilhar o caminho também sem volta do desenvolvimento sustentável.

* Odilon Ern é diretor de Meio Ambiente da BASF na América do Sul