‘Temos que nos adaptar’, diz professor de Harvard sobre indústria 4.0

Ao lado de Paulo Skaf, Sunil Gupta falou sobre a indústria na era digital na manhã desta quarta-feira (05/04)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

É tempo de redefinir negócios. E de buscar novas formas de criação de valor nas empresas. Diante de uma plateia lotada no Teatro do Sesi-SP, no prédio da Fiesp, em São Paulo, na manhã desta quarta-feira (05/04), o professor de Administração de Negócios da Escola de Negócios de Harvard (Estados Unidos), Sunil Gupta, falou a empresários e interessados de todos os perfis sobre como a tecnologia vem mudando a forma de gerir as empresas. Principalmente a partir do advento da indústria 4.0, guiada pela internet, pela interligação dos processos e pelo aumento da produtividade. O evento, chamado de A Indústria na Era Digital, teve a participação do presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

“Temos que nos adaptar”, disse Gupta. “A pergunta é: como como encontramos as oportunidades? A tecnologia está mudando as nossas vidas e os nossos modelos de negócios”.

Desse modo, a indústria 4.0, combinando estrutura física e digital, deve estar focada em produtos como tratores que dizem a quantidade de nutrientes necessários ao solo em determinada lavoura. Ou identificam quais morangos estão mais maduros antes da colheita. “Essa é a tecnologia 4.0”, explicou. “Baseada na integração entre produtos e serviços, estrutura física e digital”.

O professor citou ainda a existência de um comprimido que, além de seus componentes medicinais, traz um chip passível de ser ingerido e apto a captar informações sobre o estômago do paciente e enviar os dados a uma distância de até 100 quilômetros. “Não pense nos produtos, pense nos serviços”, destacou Gupta. “Estamos caminhando para uma transição de produto para plataforma”.

Gupta: “É preciso buscar uma comunicação direta entre fornecedor e consumidor”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Nesse sentido, os impactos da indústria 4.0 podem ser observados em corporações como a fabricante de tratores John Deere. Além de vender suas máquinas, a empresa agora é uma “gerenciadora de questões climáticas”. “Eles informam seus clientes sobre as melhores épocas para fazer o plantio, usam a tecnologia para isso”.

De acordo com Gupta, na GE Digital, outro exemplo nessa linha, as máquinas “falam, ouvem e respondem”. “Eles oferecem aplicativos que fazem a gestão do rendimento das máquinas”, contou. “Essa manutenção preditiva é possível e muito importante”.

E por falar em redefinição do escopo do negócio, outro conceito importante para se adaptar a esses novos tempos na opinião do professor, a Going Beyond Weather, de serviços de previsão do tempo, tem 30% de sua receita obtida com a venda de informações para transporte aéreo e marítimo. Os outros 70% são obtidos das propagandas para os clientes. Mas isso das formas mais criativas. “Eles oferecem orientações até sobre a compra de xampus de acordo com o tipo de clima da época, oferecendo produtos direcionados”.

Na mesma linha, gigantes como a Philips podem obter novas receitas a partir de ações como o gerenciamento da iluminação de espaços como aeroportos, indo além da venda das lâmpadas em si. “Os aeroportos querem o serviço de iluminação, não necessariamente os produtos”, disse o professor.

“É preciso buscar uma comunicação direta entre fornecedor e consumidor”, destacou. “Por que não pagar US$ 500 por mês e usar o BMW que eu quiser em vez de ter um único carro na garagem?”, questionou. “Ou usar várias bolsas num sistema de locação mensal como alternativa a pagar US$ 5 mil por um único acessório?”.

Na prática

Anfitrião do evento, Paulo Skaf lembrou as evoluções pelas quais a indústria passou ao longo do tempo, indo da máquina a vapor até a era 4.0. “Estamos vivendo a quarta revolução industrial”, disse. “Agora, temos a inteligência artificial, a internet, os processos interligados, grandes transformações”.

Para ele, essa nova realidade “pode transformar setores”. “O desconhecido preocupa, há o medo de que robôs ocupem lugar de seres humanos”, afirmou. “Mas máquinas podem fazer atividades que nós não precisamos fazer, usando o nosso tempo para outras coisas”.

Assim, é tempo de “buscar alternativas e oportunidades”.

Skaf convidou os presentes a conhecerem a linha de montagem 4.0 da escola do Senai-SP focada no assunto em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. “Trata-se de um centro de excelência, tecnologia e inovação”.

Skaf: “Estamos vivendo a quarta revolução industrial”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp