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“Sucesso dos programas de qualidade vida nas organizações depende da nossa capacidade de conhecer os líderes como indivíduos,” diz especialista

Relevância da promoção da saúde e do bem estar dos funcionários para a produtividade e a competitividade das empresas esteve no centro do debate do 4º Seminário de Qualidade de Vida e Sustentabilidade da Fiesp

Mayara Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Você sabia que a participação da liderança na promoção da qualidade de vida dos funcionários é fundamental? Em nome do bem-estar dos colaboradores e da produtividade das empresas, é imprescindível que o capital humano seja valorizado pelas organizações como um investimento, e não avaliado como mais uma fonte de despesa. Essa foi a conclusão do debate fomentado durante o 4º Seminário de Qualidade de Vida e Sustentabilidade, realizado na sede da Fiesp, nesta terça-feira (3/12).

Diante de uma plateia que encheu o Salão Nobre da entidade, organizações nacional e internacionalmente reconhecidas por sua atuação junto ao fator humano, como a Great Place to Work, a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), a Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) e o Serviço Social da Indústria (Sesi), cobraram comprometimento dos times de Recursos Humanos e pediram envolvimento dos CEOs das empresas.

“A liderança é decisiva para o sucesso de iniciativas e programas de qualidade de vida dentro das empresas, mas quem é essa liderança?”, provocou o gerente de Promoção da Saúde do Sesi-SP, Eduardo Muzzi. “Esse líder tem uma história, conceitos e vivências, e esses aspectos vão ter reflexos diretos na sua liderança, por isso é tão importante conhecê-lo como pessoa”, destacou Muzzi.

Para o especialista, “o sucesso dos programas de qualidade vida nas organizações depende da nossa capacidade de conhecer os líderes como indivíduos” e para garantir esse êxito a proatividade da equipe de Recursos Humanos nunca foi tão fundamental. “A gente ainda vê o RH de uma forma muito reativa, sem um entendimento de quem é aquele líder, como ele pensa e como ele lidera”, criticou o gerente do Sesi-SP.

Ruy Shiozawa, CEO da Great Place to Work (GPTW) Brasil, concorda que o papel do RH nunca foi tão decisivo. “Esses profissionais têm a missão-chave de formular e executar programas de liderança, formando líderes para esse novo mundo volátil e incerto, e para empresas que estão em constante transformação”, disse o empresário.

Para o CEO, diversidade e inovação são dois conceitos que estão intrinsecamente conectados à ideia de liderança e valorização do ser humano e de suas habilidades. “A inovação tem que estar na mesa de qualquer CEO porque estamos lidando com uma transformação constante dos modelos de negócios, e no meio disso tudo temos outro grande desafio que é o da capacitação”, alertou Shiozawa. “Nosso maior desafio não é o da tecnologia, mas o do capital humano, como vamos educar, formar e reciclar as pessoas”, ponderou.

Para o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Guilherme Cavalieri, a pauta é louvável, mas o Brasil ainda se encontra em um estágio inicial desse processo evolutivo de mudança de mindset: o estágio de atender às necessidades básicas de seus colaboradores. “Muitas empresas no Brasil ainda estão na base da pirâmide”, advertiu Cavalieri. “Não podemos esquecer que estamos em um local privilegiado, falando com a nata das empresas, mas que aí fora ainda há empresas praticamente na base da sobrevivência de seus trabalhadores, então, liderar com essa realidade ainda é um desafio para todos nós”, reconheceu o presidente.

O Brasil ainda pode ter um longo caminho pela frente, mas não pode hesitar, nem ficar para trás. Conforme indicado pela diretora do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, Grácia Fragalá, pesquisas indicam que, entre os países emergentes e em desenvolvimento, aqueles que investiram na qualidade de vida de sua força de trabalho cresceram mais rapidamente nos últimos anos – cerca de 1 ponto percentual todos os anos desde 2007 -, e registraram menor desigualdade de rendimento.

“Quando a gente fala de saúde, bem-estar e trabalho digno, a gente está falando que é bom para todos, para as pessoas, para o negócio e para a sociedade”, afirmou Fragalá. “Acompanhamos diariamente os custos para a produtividade e a competitividade decorrentes de tempo perdido de trabalho e interrupção nas produções, falta de acesso a cuidados médicos; lesões e doenças levam as pessoas a deixarem seus trabalhos e aumentar os contingentes de pobreza e vulnerabilidade”, acrescentou a diretora.

De acordo com Eloir Edilson, presidente da ABQV, até 80% dos problemas do planeta poderão ser resolvidos até 2030 se houver comprometimento das organizações em implementar ações voltadas ao cumprimento dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Por esse motivo, é tão importante que as organizações e as lideranças se engajem em torno dessas causas. Senão for pelo imperativo moral, que seja pela obtenção de melhor reputação para suas empresas, redução de custos ou retorno financeiro.

“Da mesma forma que diversidade dá um melhor resultado no stock option do valor da ação, programas de investimento na saúde do funcionário têm impactos no valor das ações e dá retorno aos acionistas”, lembrou o diretor titular adjunto do Cores, Alberto Ogata.

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Foto: Karim Kahn/Fiesp