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Skaf: “não vai ter acordo” se medidas de curto prazo incluírem aumento de impostos

Presidente da Fiesp e do Ciesp diz a empresários em São José dos Campos que é hora de fazer a economia deslanchar

Agência Indusnet Fiesp

Em reunião nesta sexta-feira (3/6) com empresários em São José dos Campos, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, voltou a elogiar medidas de longo prazo anunciadas pelo novo governo, em especial a limitação de gastos, mas alertou que não há espaço para aumento de impostos. “É uma medida de longo prazo, uma resposta mais demorada, mas é correta. O que não pode é, entre as medidas de curto prazo, haver aumento de imposto. Aí, não vai ter acordo.”

“E o pato está de prontidão”, disse, referindo-se ao símbolo da campanha “Não Vou Pagar o Pato”, contra o aumento de impostos. “O pato está quieto porque até agora não houve motivo para ele voltar à rua”, afirmou. As assinaturas coletadas pela campanha –cerca de 1,2 milhão de pessoas apoiaram o manifesto contra o aumento de impostos– serão entregues ao presidente interino da República, Michel Temer, durante visita de empresários a ele em Brasília.

Skaf explicou que não tem sentido o tamanho que o governo assumiu. São quase R$ 2 trilhões de arrecadação na projeção para este ano, lembrou, mas os serviços não têm qualidade. “Alguém vai falar que quer mais imposto? Não vai nos convencer.” O que é preciso, afirmou, é moralizar a gestão pública, que ela tenha qualidade, sem desperdícios. “É preciso apertar o cinto. Para acertar o orçamento de 2016, que tem um furo de R$ 170 bilhões, tem que reduzir despesas e aumentar sua eficiência. Não vamos permitir que aumente mais ainda essa fortuna que é dada em mãos erradas, que é mal administrada.”

O primeiro passo, defendeu o presidente da Fiesp e do Ciesp, é não permitir aumento de impostos.

O Brasil precisa andar

Na reunião na sede do Ciesp em São José dos Campos, Skaf defendeu a operação Lava Jato, defendendo também que paralelamente a ela haja retomada da economia do país, lembrando que a apuração pode demorar anos.

“Uma operação envolvendo 1.000 pessoas não pode travar 200 milhões de habitantes”, disse. “O Brasil não pode esperar mais para retomar o crescimento. O povo brasileiro não pode esperar mais para retomar seus empregos, sua oportunidade de empreendedorismo, os governos não podem esperar mais para voltar a arrecadar. E para tudo isso, a palavra-chave é crescimento.”

Skaf disse que sua principal preocupação é como fazer para que a economia deslanche, para destravar os investimentos na infraestrutura, o que ajudaria muito, gerando empregos, riqueza. Também é preciso estimular as exportações, aproveitando o câmbio, que dá competitividade aos produtos brasileiros.

É importante ainda a retomada de cadeias produtivas, disse Skaf, como a da construção civil, que é uma grande empregadora. “É só a confiança ser restabelecida que a resposta vem rápido”, afirmou, lembrando que o governo anterior tinha perdido totalmente a confiança, e a economia acabou travada, com a falta de consumo e de investimentos.

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Paulo Skaf durante reunião com empresários no Ciesp em São José dos Campos. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Perspectivas

Skaf disse que a previsão de queda de 3% do PIB este ano, em vez do recuo antes esperado de 5%, é indicação de melhora. “Se embicar para cima, começamos a ter uma recuperação muito lenta”, e ano que vem talvez haja crescimento, de 0,5% ou 1%. “Depende muito das atitudes do governo, que interfere muito e influencia negativamente ou positivamente. Se fizer o que tem que fazer, acertando suas contas e restabelecendo a confiança, com certeza no ano que vem já teremos crescimento.”

Skaf reafirmou que foram positivas as medidas de longo prazo anunciadas pelo novo governo, destacando a limitação do aumento dos gastos, com base na inflação do ano anterior. Se isso tivesse sido feito em 2005, a dívida pública, que está em R$ 4 trilhões, seria de R$ 600 bilhões, destacou. Teríamos superávit, e o juro da taxa Selic poderia ser de 2%, em vez de 14%, o que daria economia de R$ 500 bilhões por ano com o pagamento da dívida.