Skaf apresenta a Meirelles opções para evitar aumento de impostos

Presidente da Fiesp e do Ciesp propõe redução de despesas e busca de novas receitas, como o leilão de hidrelétricas

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, disse nesta segunda-feira (27 de março) em entrevista após reunião em Brasília com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que levou a ele sugestões para fazer frente ao déficit previsto de mais de R$ 50 bilhões do Governo sem apelar ao aumento de impostos.

“O momento é completamente inoportuno para o aumento de impostos. Completamente.” Segundo Skaf, o contingenciamento de despesas permitiria ganhar tempo, enquanto se buscam alternativas que gerem receita, como os leilões de hidrelétricas e a venda de ações de estatais. “Tudo para evitar o aumento de impostos.”

“Discutimos com o ministro muito mais a questão das despesas. E de onde se poderia equacionar esse valor”, disse Skaf. “O primeiro seria a redução de despesas mesmo, com o contingenciamento”, que depois poderia ser revertido ao longo do ano, com o aumento da arrecadação.

Outra possibilidade está nas hidrelétricas da Cemig, que vão voltar para a União, que poderá leiloá-las. “É uma fonte significativa de receita”, assim como a venda de controle de empresas estatais. Na reunião, explicou Skaf, se procurou mostrar ao ministro que há várias opções para contornar o déficit, evitando o aumento de impostos.

“O objetivo da minha visita foi tentar demonstrar ao ministro que num momento como este, em que estamos nos esforçando para retomar o crescimento do país, seria nocivo, seria contraditório, seria muito ruim o aumento de impostos”, afirmou Skaf, lembrando que a carga tributária brasileira já é alta. “As empresas estão debilitadas, não é só a indústria, há um desemprego muito grande – temos 12 milhões de desempregados -, e a nossa grande luta é buscar a retomada do crescimento. O aumento de impostos seria muito grave, seria ir na contramão de tudo isso.”

Segundo Skaf, o ministro “ouviu atentamente e anotou muitos dados” levados à reunião. “É lógico que a decisão é do Governo. Nós como sociedade vamos ficar na expectativa de que o bom senso impere e que o Governo encontre alternativa para os R$ 50 bilhões de déficit.”

“O que eu esperava [da reunião] foi atingido: que o ministro tivesse atenção em relação à sociedade. Essa atenção, esse tempo, os ouvidos abertos, para nossas sugestões.”

Em relação a uma possível mudança na desoneração da folha de pagamento, Skaf explicou que não seria aumento de carga, ou criação de imposto. “Seria um ajuste”, uma opção que o Governo poderia deixar de dar.

A reunião foi tema de reportagem no jornal O Estado de S. Paulo.

Imagem combinando foto de Adriano Machado|Reuters publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo com manchete de sua página