Seminário na Fiesp/Ciesp discute soluções para superar a crise hídrica

Desenvolvimento de ações conjuntas e medidas de longo prazo são citados durante a abertura do encontro

O Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) realiza nesta terça-feira (24/3) o Seminário de Segurança Hídrica na sede das entidades, para avaliar a crise hídrica no estado de São Paulo.

Segundo o direto titular do DMA, Nelson Pereira dos Reis, o assunto dos recursos hídricos pauta as discussões da Fiesp e do Ciesp desde 2005.

“Diante desse cenário, a indústria intensificou os seus esforços para elaboração e viabilização de planos de contingência de água”, afirmou Reis.

Nelson Pereira dos Reis, diretor de Meio Ambiente da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Na abertura do seminário, foram discutidas ações necessárias em uma visão de curto, médio e longo prazo. Participaram representantes de diversas áreas. E na avaliação do diretor do DMA, essa diversidade é importante para o momento de crise, no qual todos os setores devem se unir e desenvolver ações conjuntas para reduzir os impactos causados pela atual situação de escassez.

Segundo Reis, com o trabalho intenso de uso eficiente da água que tem sido feito, a indústria reduz cada vez mais a sua demanda e também os impactos provenientes da atual crise.

Para Carlos Augusto Gadelha, secretário do Desenvolvimento da Produção do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a questão da água é um tema importante para uma agenda estratégica de desenvolvimento, e já faz parte da política industrial brasileira.

“Com novos conceitos e abordagens, além de uma nova responsabilidade da política industrial, o desenvolvimento da qualidade, eficiência e sustentabilidade são essenciais para alavancar a competitividade da indústria”, comentou Gadelha.

Também presente no debate, o gerente-geral de Articulação e Comunicação da Agência Nacional de Águas (ANA), Antonio Felix Domingues, afirmou que a ANA está trabalhando em um projeto de médio a longo prazo para um plano de segurança hídrica.

“Com uma visão integrada na segurança hídrica, teremos planejamento do longo prazo de medidas estruturantes que possam resolver ou mitigar esse risco que estamos correndo. No futuro voltaremos a ter problemas, por isso precisamos prevenir”.

Rafael Cervone, 1º vice-presidente do Ciesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Problema de gestão

Rafael Cervone Netto, primeiro vice-presidente do Ciesp, ressaltou que além da escassez de chuvas, há uma crise de gestão de recursos e falta de planejamento.

“É um problema do país todo, e nesses momentos precisamos nos reinventar, aproveitar a oportunidade para nos unirmos”, disse. “Estamos trabalhando em muitos planos de contingência da indústria, mas a falta de previsibilidade prejudica muito a economia”, acrescentou ao se referir à falta de planos do Governo a médio e longo prazo.

Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Guia

Ainda na abertura do seminário foi lançado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) o guia Gerenciamento de Riscos Hídricos no Brasil e o Setor Empresarial: Desafios e Oportunidades.

“A escassez que estamos passando é um novo marco principalmente no sudeste, onde se concentram as indústrias e existia a cultura da abundância. Esse é um dado novo que precisamos trabalhar”, afirmou Marina Grossi, presidente do CEBDS.

Amanda Viana, Agência Ciesp de Notícias