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Queda de 1,6% em julho compromete desempenho da indústria em 2013, diz diretor da Fiesp/Ciesp

Efeitos positivos da desvalorização cambial vão depender da estabilidade do patamar do dólar pelos próximos meses, avalia Paulo Francini

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista registrou queda de 1,6% em julho sobre junho, considerando os efeitos sazonais, mostrou pesquisa do Centro e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp), divulgada nesta quinta-feira (29/08). O desempenho do setor manufatureiro deve encerrar 2013 com taxa positiva de 3%. No entanto, o resultado de 2013 não será capaz de recompensar as perdas de 2012, que terminou com queda de 4,1%.

Segundo Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Ciesp e da Fiesp, mesmo com o crescimento de 4,3% da atividade industrial no acumulado deste ano, o desempenho da produção deve cair já que a base de comparação agora é o segundo semestre de 2012, período no qual houve uma ligeira recuperação e, portanto, os meses comparativos serão mais fortes. Essa referência deve refletir negativamente nos números do segundo semestre de 2013.

“O ano já está comprometido. Mesmo que o período de janeiro a julho comparativamente a 2012 tendo crescido, até o final do ano isso irá cair. É outro ano muito ruim para a indústria de transformação e ruim para o desempenho da economia brasileira”, avaliou o diretor.

Sem ajuste sazonal, a atividade industrial subiu 2,9% em julho. No acumulado de 12 meses, o nível de atividade ficou em 1,7%. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, julho deste ano cresceu 4%. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) apresentou estabilidade a 81,3% em julho contra 81,7% em junho.

Dos setores avaliados pela pesquisa no mês passado, o segmento de Produtos Químicos foi destaque entre os baixos desempenhos com queda de 4,1% na leitura mensal considerando os efeitos sazonais.  O setor foi pressionado pela forte penetração de importados no primeiro semestre.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), as importações em volume do setor cresceram 22,8% de janeiro a julho deste ano.

O indicador também destacou atividade na indústria de Móveis, com declínio de 2,8% em julho ante junho. Diferentemente do segmento de Produtos Químicos, o setor moveleiro depende basicamente da demanda interna, a qual “dá mostra de pouco vigor existente dentro do comércio para esse tipo de produto que, por sua vez, ainda duela com a linha branca”.

Na contramão, a atividade no segmento de Celulose, Papel e Produtos de Papel registrou variação positiva de 0,9%. Segundo Francini, as exportações do setor tiveram crescimento de 8% em julho na comparação com junho. “A demanda está melhorando, e 85% da produção deste setor é destinada a exportação”, completou.

Câmbio

A desvalorização cambial acumulou uma variação de 25% desde o início do ano, segundo Francini, mas os efeitos positivos ainda não foram sentidos pela indústria, principal demandadora de uma correção do câmbio. Ele alerta, no entanto, que para o empresariado se sentir confiante em investir e aumentar sua capacidade de produção é preciso que o patamar do dólar se estabeleça pelos próximos meses. Após fechar em baixa por dois dias seguidos, a divisa norte-americana operava em alta na manhã desta quinta-feira, em torno de R$2,35.

“A pior taxa de câmbio é a volátil. Como assumir compromissos em cima de alguma coisa que não se sabe? Pessoalmente torço para que a taxa se estabilize entre R$2,35 e R$2,40. Se ela ficar nisso as empresas começarão a apostar neste patamar e aí sim vão assumir compromissos”, afirmou.

Percepção

A percepção geral dos empresários com relação ao cenário econômico no mês de agosto, medida pelo Sensor Fiesp, ficou praticamente estável, a 49,4 pontos contra 50,6 pontos em julho.

O item Mercado subiu de 48,6 pontos em julho para 51,6 pontos em agosto, enquanto a percepção dos empresários com relação a Vendas melhorou para 51,5 pontos este mês versus 48,6 no mês passado.

O componente de Estoque ficou em 42,9 pontos em agosto contra 47,2 pontos em julho, indicando acúmulo de estoques das indústrias. O indicador Emprego ficou em 47,9 pontos contra 49,5 pontos no mês anterior.

A percepção do empresariado sobre investimento também piorou, de 59 pontos em julho para 53,3 em agosto.

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp