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Qualificação profissional na cadeia produtiva da construção cresce nos últimos 11 anos

Presença feminina é maior nos segmentos de serviços e comércio

Cristina Carvalho, Agência Indusnet

A qualificação dos profissionais na cadeia produtiva da construção brasileira é uma tendência que vem se estabelecendo. A participação de profissionais com pelo menos o Ensino Médio concluído passou de 30% em setembro de 2007 para 43,2% no 3º trimestre de 2018, aumento de mais de 13 pontos porcentuais em 11 anos. Já a proporção de profissionais sem instrução passou de 7,5% do total da cadeia produtiva em 2007 para 3,8% em 2018. Também houve queda significativa na representatividade dos profissionais com Ensino Fundamental incompleto, que caiu de 43,2% para 34,3%. A participação de profissionais com Ensino Médio completo cresceu de 24,6% para 27,3%, enquanto a de pessoas com Ensino Superior (completo ou incompleto) apresentou o maior crescimento, passando de 5,4% para 15,9%. O setor de serviços, que já contava com a maior proporção de profissionais qualificados (56%, em 2007), foi o que apresentou maior crescimento, passando a ter 75,2% de pessoas qualificadas em seus quadros.

Os dados foram divulgados pelo Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que traz uma análise inédita sobre os recursos humanos na cadeia produtiva da construção brasileira, destacando também o perfil da mão de obra e a evolução da produtividade no setor. A análise tem por base dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Trabalho, com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2007 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continuada do 3º trimestre de 2018.

Avaliando por gênero, a participação de mulheres, apesar de ser historicamente baixa no setor, mostra uma tendência de crescimento. Em 2007, elas ocupavam 9,1% dos postos de trabalho, fatia que passou a ser de 11,7%, em 2018, a qual corresponde à entrada de 324 mil mulheres na força de trabalho da cadeia produtiva.  A presença feminina é maior nos segmentos de serviços (32,7%) e comércio (26,5%). Detentores da maior participação, os homens responderam por cerca de 88,3% das ocupações na cadeia produtiva da construção, em 2018, sendo a presença masculina destaque nos segmentos da construção (96,2%) e da indústria de materiais, máquinas e equipamentos (80,6%).

Já na composição por idade, na média dos segmentos, a idade dos profissionais passou de 37,6 anos, em 2007, para 40,5 anos, em 2018. Houve diminuição na participação de jovens com menos de 17 anos (3,4% para 1,1%) e de pessoas entre 18 e 24 anos (16,0% para 12,0%) no período. Por outro lado, o crescimento da participação das faixas de 45 a 54 anos (18,3% para 21,4%) e de 55 a 64 anos (8,1% para 11,3%) somou 832 mil pessoas. Essa mudança é resultado tanto do próprio envelhecimento da população brasileira quanto da busca pelos jovens por maior qualificação profissional antes do ingresso no mercado de trabalho.

Em relação a ocupação total na cadeia produtiva da construção (indústria, construção civil, comércio e serviços), houve crescimento de 37,5% entre 2007 e 2013, quando chegou a 12,8 milhões de pessoas. Contudo, a partir de 2013 o volume de ocupações recuou 21,6% em cinco anos, chegando em 2018 a patamar próximo ao observado em 2010, perdendo cerca de 3 milhões de ocupados. Esse resultado é explicado pelo corte de financiamentos habitacionais e de despesas públicas nas áreas de desenvolvimento urbano (habitação, saneamento e mobilidade) e infraestrutura econômica (transportes, energia e telecomunicações).

Do total de ocupados na cadeia produtiva no terceiro trimestre de 2018, 67,4% estavam no segmento da construção, incluindo construtoras e ocupações por conta própria. A região Sudeste concentra 47,1% das ocupações da cadeia produtiva, enquanto o Nordeste, em segundo lugar, representa 21,7% do total. A região Sudeste não só concentra um grande volume de obras (44,7%) como também um volume proporcionalmente maior de atividades industriais (51,0%) e de serviços (59,4%).

As regiões Nordeste e Centro-Oeste registraram as maiores taxas de crescimento médio anual nas ocupações: 1,3% ao ano e 1,0% ao ano, em ambos os casos devido à forte expansão das ocupações nas atividades comerciais e industriais.

Quanto aos empregados com carteira de trabalho ou estatutários na cadeia produtiva, eles responderam por 34% das ocupações em 2018, somando 3,4 milhões de pessoas. O número de pessoas sem carteira de trabalho caiu de 2,0 milhões para 1,9 milhões. Já o número de trabalhadores por conta própria cresceu 2,1% ao ano entre 2007 e 2018, passando de 3,2 milhões para 4,0 milhões de pessoas. Houve também um crescimento expressivo no número de empregadores, que passaram de 411 mil para 624 mil pessoas, expansão de 3,9% ao ano no período. A remuneração anual média da cadeia produtiva foi de R$ 17,922 mil, em 2018, sendo a indústria o segmento com o maior valor (R$ 37,187 mil) e a construção ainda figurando com o menor patamar (R$ 13,963 mil). Contudo, o segmento da construção apresentou a maior taxa média de crescimento, de 10,4% ao ano – representando um ganho real de 4,3% entre 2007 e 2018, considerando a inflação no período.

Para acessar o estudo completo e outros elaborados pelo departamento da construção e mineração, clique aqui.