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Primeiro trimestre registra queda de 11% da atividade industrial paulista em relação a 2015

Em março a queda foi de 1,3% em relação ao mês anterior

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp/Ciesp

Nos três primeiros meses deste ano o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista registrou queda de 11%, sem o efeito sazonal, em comparação com o mesmo período de 2015. Em 12 meses o acumulado de queda foi de 8,4%. 

Os resultados divulgados nesta sexta-feira (29/4) pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp (Depecon), responsável pelo levantamento, indicam que no mês de março a queda da atividade industrial foi de 1,3% em relação ao mês anterior. A maior influência foi a queda de 3,4% do Total de Vendas Reais, além das Horas Trabalhadas na Produção, que caíram 0,4%. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) apresentou crescimento de 1,7 ponto percentual, descontada a sazonalidade. 

Segundo o gerente do Depecon, Guilherme Moreira, ainda não é possível enxergar alguma melhora no setor, o que faz com que a projeção do INA para 2016 fique em -5,3% “O índice do primeiro trimestre está muito abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, que já foi horrível para a indústria. Mantemos a projeção que divulgamos em fevereiro. Um número ruim se considerarmos que em 2015 a queda foi de 6,2%.” 

Setores 

Dois setores se destacam pelo resultado negativo em março. Um deles é do de borracha e material plástico, segmento que serve de insumos, principalmente para a cadeia automobilística – que se mantém em forte crise este ano – e cuja atividade teve retração de 0,7% em relação ao mês anterior, já sem os efeitos sazonais, registrando a queda de 1,8% no Total de Vendas Reais e do NUCI, -0,7 ponto percentual, enquanto o item Horas Trabalhadas na Produção teve  variação de 0,2%. 

Outro setor que registrou resultado negativo foi o de metalurgia, com recuo de 4,6% no nível de atividade, sem influências sazonais, registrando todas as variáveis em queda: Horas Trabalhadas -3,4%, NUCI -3,3 pontos percentuais e Total de Vendas Reais com forte recuo de 15,1%. 

O destaque positivo foi o setor de Alimentos, que avançou 4,1% em março, já dessazonalizado, em comparação ao mês de fevereiro, com o aumento de 5,1% do Total de Vendas Reais e 2,6% das Horas Trabalhadas na Produção, além do NUCI, que registrou variação positiva de 0,5 ponto percentual. 

Mas, de acordo com o gerente do Depecon, o resultado positivo é pontual e não impediu que o nível de atividade do setor fechasse este trimestre em queda de 3%, em relação aos três últimos três meses de 2015, na comparação livre de influências sazonais. Ele explica que, em março, o crescimento da exportação de carnes e derivados de soja, além da antecipação da safra do setor de açúcar e álcool são fatores que podem estar ligados ao bom desempenho do segmento alimentício. “Não sabemos ainda como vai ser o comportamento daqui para frente, porque é um setor que, apesar dessa recuperação no mês, no trimestre está negativo. Mas, pode ser que isso signifique uma melhora lá na frente”, pondera Moreira. 

Sensor 

A pesquisa Sensor do mês de abril fechou em 46,1 pontos, na série livre de influências sazonais, contra 43,7 pontos de março, mantendo-se abaixo dos 50,0 pontos, o que sinaliza expectativa de queda da atividade industrial para o mês.

Guilherme Moreira explica que, apesar da melhoria da maioria das variáveis de perspectivas do Sensor – pesquisa que traz as expectativas dos empresários – não é possível considerar que haja otimismo. 

“Ainda não podemos afirmar que esteja havendo uma recuperação, porque as variáveis ainda estão abaixo dos 50,0 pontos e apontam um pessimismo, mas melhoraram em relação ao mês passado. Achamos que isso tem a ver um pouco com a esperança que a mudança da condução da política econômica brasileira traga melhorias e aumente a confiança.” 

No item condições de mercado o indicador apontou melhora pelo segundo mês consecutivo, de 44,6 pontos em março para 46,9 em abril, descontada a sazonalidade, ainda ficando abaixo dos 50 pontos e sinalizando piora das condições de mercado. 

O indicador de vendas, por sua vez, recuou 1,1 ponto e chegou a 45,9 pontos  em abril, o que representa redução de vendas para o mês por ficar abaixo de 50. Já o nível de estoque melhorou e ficou em 45,4 pontos este mês, contra 42,9 pontos registrados no mês de março. 

O indicador do nível de emprego avançou em 1,1 ponto e ficou em 44 pontos em abril, já que em março o índice registrado foi de 42,9 pontos. Por estar abaixo dos 50,0 pontos, a expectativa é de demissões para o mês. 

No caso do indicador de investimentos a variação foi de 8,0 pontos em relação ao mês de março e ficou em 48,8 pontos. Por estar abaixo dos 50,0 pontos a indicação é de redução dos investimentos no mês.

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