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Presidentes do Ciesp e da Fiesp alertam para período de crise e hostilidade nos negócios

Rafael Cervone e Benjamin Steinbruch tiveram encontro nesta quarta (24/09) com empresários da cidade do interior para falar das perspectivas da economia brasileira

O presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Ciesp, Rafael Cervone Netto, defendeu nesta quarta-feira (24) em Bragança Paulista que, sejam quais forem os governos eleitos em nível federal e estadual, é preciso que o presidente da República e o governador do Estado, tenham uma agenda nos 60 dias iniciais para promover reformas que tornem o ambiente menos hostil para quem quer empreender. “Temos que ter mais previsibilidade. Precisamos de visão de longo prazo”, declarou Cervone ao falar de questões tributárias e trabalhistas para empresários da região bragantina. O encontro aconteceu na sede da Diretoria Regional do Ciesp e teve a presença do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp, Benjamin Steinbruch.

“Estamos discutindo com todos os candidatos à Presidência da República e ao Governo do Estado a investir os primeiros dois meses a esses temas. Não temos isonomia de condições com os nossos concorrentes internacionais. O ambiente de negócios está hostil, muito hostil. Precisamos retomar nossa competitividade.”

Cervone citou as dificuldades que as indústrias enfrentam, também, no âmbito nacional. O presidente do Ciesp alertou que a “concorrência desleal” provocada pela guerra fiscal tem levado empresas a migrar de São Paulo para outros estados.  “No caso de São Paulo, queremos discutir os eixos do desenvolvimento com o próximo governador”, frisou.

De acordo com Cervone, nem São Paulo e nem o Brasil não vão se sustentar somente com uma economia baseada em serviços. “Até porque o setor de serviços depende muito da indústria. O Brasil não consegue resultados positivos sem a indústria.”

Prognóstico de crise forte

Para o presidente Fiesp, Benjamin Steinbruch, a situação é delicada nos principais setores da vida brasileira.

Depois de alguns minutos de conversa amena, em que relembrou o início dos anos 70, quando, com pouco mais de 18 anos de idade, deu um de primeiros passos em sua vida de empreendedorismo justamente em Bragança, Steinbruch disse não estar otimista com o cenário econômico atual e as perspectivas para 2015.

“Estamos em um momento muito delicado na economia do país, em todos os aspectos: da indústria, do comércio, da educação, da saúde. Acho que a gente está vivendo uma crise, que vai se aprofundar”, assinalou.

Segundo o presidente da Fiesp, cada empresário sabe como conduzir seu negócio, mas ainda assim é aconselhável que todos estejam prontos para ultrapassar uma fase em que os prognósticos não são animadores.

“O que posso antecipar é que não vejo nenhuma facilidade pela frente. Tem que se preparar, seja do ponto de vista de pessoa, de família, de negócios. A crise vem forte e quem se antecipar a ela – e quem se preparar – tem mais condições de enfrentá-la”, alertou Steinbruch.

“Infelizmente já estamos vendo desemprego e isso não é bom para ninguém. Empresário nenhum gosta de reduzir quadro de pessoal e empregado nenhum gosta de ser demitido.”

De acordo com o presidente da Fiesp, o modelo econômico baseado em consumo aparentemente se exauriu. “As famílias ficaram endividadas, o financiamento ficou mais caro, o crédito mais difícil. E com a falta de confiança os estoques aumentaram, o comércio caiu e a produção parou”, explicou.

“A falta de confiança não é só do empresário. É de quem compra. Quando o consumidor para de comprar, a economia vem para trás. Do ponto de vista de consumo, o mercado está caindo, e aí o risco de menor produção e de menor emprego”, observou Steinbruch, acrescentando que o modelo de crescimento pelo investimento em infraestrutura também não se confirmou por falta de confiança.

De acordo com o presidente da Fiesp, os empresários continuam investindo porque ainda acreditam no futuro. Mas será preciso apertar os cintos. “Vamos ter que rezar bastante e torcer para que as coisas deem certo.”

Uma das soluções, segundo ele, passa por uma melhor gestão da coisa pública. “O princípio básico é gastar o que tem. O que a gente vê hoje é o governo gastando o que não tem. E gastando mal.”

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp, de Bragança Paulista (SP)