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Presidentes do Ciesp e da Fiesp alertam para a queda da participação da indústria na economia

No interior, Rafael Cervone e  Benjamin Steinbruch, conversaram com empresários na manhã desta terça (16/09)

Em encontro com empresários da região de Jundiaí nesta terça-feira (16/09), os presidentes do Centro e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp), alertaram o empresariado sobre a situação do setor industrial no país.

“A gente está em um momento muito difícil, tendo dificuldades que nunca teve, com um ano eleitoral recessivo”, diagnosticou Steinbruch. “O setor industrial caiu de 25% de participação no Produto Interno Bruto para 12%. Mas temos que persistir”, disse o presidente da Fiesp no evento.

Ao lado de Steinbruch, o presidente do Ciesp, Rafael Cervone, também comentou a situação econômica do país.

“Já cansamos de dar solução para o governo. O problema do Brasil não é falta de diagnóstico. É falta de vontade política em resolver. E a sociedade está muito amortecida. Tudo é muito normal para nós”, afirmou Cervone, para quem a sociedade precisa reagir. “Violência, burocracia, corrupção, carga tributária, nada disso é normal, temos que reagir. Enquanto estamos esperando que o Brasil seja o país do futuro, nossos concorrentes fizeram do futuro o presente”, acrescentou o presidente do Ciesp.

Como medidas imediatas, Rafael Cervone considerou ser urgente diminuir a burocracia e fazer a reforma tributária. “Hoje o ambiente de negócio está muito hostil ao desenvolvimento e ao empreendedorismo. É preciso desonerar e desburocratizar, para simplificar o dia a dia das empresas.”

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Ao centro, presidentes do Ciesp e da Fiesp, Rafael Cervone e Benjamin Steinbruch, analisam a situação econômica e industrial do Brasil em evento na cidade de Jundiaí Tâmna Waqued/Fiesp

Para o presidente da Fiesp, é preciso haver união do setor. “Estamos aceitando coisas que não são para ser aceitas. Trabalhamos para pagar juros, que são os mais caros do mundo e sem razão de ser. E impostos, com uma das cargas fiscais mais pesadas do mundo, e ainda tendo prejuízo. Tem alguma coisa que está errada. Chegou ao limite e estamos esperando muito para reagir.”

Steinbruch comentou ainda as medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na véspera (15/09), de incentivo às exportações. Para ele, é “uma luz no fim do túnel”, mas ainda não é motivo de comemorar. “Houve uma certa flexibilidade para entender os problemas da indústria, para que a gente possa retomar um clima positivo para o nosso negócio.”

Como incentivo aos pequenos e médios empresários, o presidente da Fiesp dividiu sua história profissional e lembrou os momentos em que conseguiu crescer. “Meu pai começou a Vicunha com 14 teares manuais em São Roque (SP) e chegou até 3 mil teares, em um setor competitivo. Foi em cima de muito trabalho e dedicação que eu me fiz, vendo o sacrifício que foi a vida do meu pai. Foi o que me fez aceitar desafios maiores e ser forte para vencer as dificuldades que todos temos.”

Entre os desafios que enfrentou, Steinbruch relembrou as conversas com o pai, que, segundo ele, colaboraram muito para construir o homem que ele é hoje. “Competir com alguém melhor que você te dá muita musculatura. E meu pai era muito melhor do que eu.”

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp, de Jundiaí (SP)