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Poluição atmosférica em SP: agentes causadores e possíveis soluções são foco do seminário O ar que respiramos

Presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, participou da abertura do encontro, via vídeo, e agradeceu a presença dos representantes do Poder Público e da sociedade no seminário "O ar que respiramos"

Mariana Soares e Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Todas as grandes cidades mundiais enfrentam uma realidade mais do que preocupante: a poluição atmosférica. Um estudo do Instituto de Saúde e Sustentabilidade e da Escola Paulista de Medicina aponta que, se os níveis de poluição continuarem como estão, até 2025 haverá mais de 51 mil mortes na Grande São Paulo provocadas pela má qualidade do ar.

A Região Metropolitana da cidade mais populosa do Brasil e outros aglomerados urbanos do país são áreas extremamente afetadas. Com o objetivo de propor soluções para resolver a questão, que representa grave ameaça à saúde pública e à qualidade de vida das pessoas, a Fiesp realiza, nos dias 7 e 8/8, o seminário O ar que respiramos.

O presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, Eduardo San Martin, na abertura do seminário, fez um breve histórico a respeito dos principais agentes poluidores do ar. Há algum tempo, empresas se instalaram no Estado de São Paulo e, em especial, nas maiores cidades e regiões metropolitanas. O movimento se deu antes da criação de uma legislação ambiental, implementada em 1976, aqui em São Paulo, tendo sido a primeira do país com este perfil e poder de atuação. Em razão disso, as empresas e as indústrias passaram a controlar as suas emissões. “A partir de então, começaram a aparecer outros poluentes, principalmente, o transporte. Simultaneamente, a Cetesb passa a comparar outros parâmetros. A rede de monitoramento foi ampliada e com isso ficou evidente a ação negativa dos poluentes decorrentes das emissões dos transportes, dos veículos”, afirmou, em sua introdução.

Para controlar a poluição atmosférica, uma das soluções é o desenvolvimento do transporte ferroviário, iniciativa que até agora não acompanhou outras ações em prol da redução do problema e suas consequências, que geram danos graves à saúde. “Investir nos biocombustíveis é o início de uma solução a curto prazo. O governo da China, por exemplo, está decidindo adicionar 10% de etanol à sua gasolina para melhorar a qualidade do ar. Este é o futuro e temos que pensar em alternativas que solucionem o problema”, completou.

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, participou, via vídeo, da abertura do seminário. Ele agradeceu a participação dos representantes do Poder Público e da sociedade, no encontro, e falou sobre a preocupação da casa da indústria paulista em relação ao tema. “A poluição do ar é um problema responsável por causar 7 milhões de mortes no mundo, a cada ano. Aqui, no Brasil, o registro de vítimas fatais da poluição do ar vem crescendo. Outra consequência grave são os custos das doenças cardiorrespiratórias para a saúde pública. Nós organizamos o seminário para discutir esse problema e apontar soluções. É a nossa saúde que está em jogo. O ar que respiramos diz respeito a todos nós”, reforçou Paulo Skaf.

O evento O ar que respiramos reúne especialistas no assunto e autoridades com o objetivo de abordar novos aspectos a respeito do principal agente causador de poluição, a queima de combustíveis derivados do petróleo, tais como a gasolina e o diesel, e os impactos gerados pelos poluentes provenientes dos transportes aéreos e marítimos, e as fontes de energia mais limpa.

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O presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, Eduardo San Martin, enfatizou a importância de se tratar de tema tão relevante como a poluição atmosférica, problema que afeta a vida nas grandes cidades. Foto: Karim Kahn/Fiesp

O papel do Poder Público

Para Rubens Rizek, secretário de Justiça do Município de São Paulo, a emissão de poluentes no ar é um ataque silencioso à saúde das pessoas, para o qual o Poder Público precisa estar atento. Na cidade de São Paulo a frota soma 9 milhões de veículos mais 16 mil ônibus que rodam dia e noite, informou.

Nesse sentido, disse que “a Cetesb tem atualmente a quarta ou quinta melhor gestão ambiental do mundo e, se os indicadores são bons, isso se deve ao trabalho realizado. Há muito a fazer, mas já realizamos muito. O ranking mundial de qualidade do ar mostra que São Paulo está à frente de cidades como Nova York, Cidade do México, Paris e Sidney, por exemplo. Mas o esforço empregado aqui obviamente é imensamente maior, dado ao gigantismo dos números da nossa cidade. Para se ter uma ideia, atualmente, em mais de 90% dos dias a qualidade do ar foi considerada boa na capital”, avaliou.

De acordo com seus dados, nos anos 80, a qualidade era bem pior. Hoje, a frota triplicou, mas diante dos números da medição realizada, o resultado é que a qualidade do ar melhorou. “Nós fizemos a lição de casa, iniciando ações concretas em meados dos anos 90, com medidas como o rodízio de veículos. Nos anos 70, o grande problema foi a indústria, mas, na década seguinte, devido aos programas de redução de emissões da Cetesb, a situação foi contornada e o carro passou a ser o principal vilão. Hoje, esse título é do material particulado, mais especificamente de veículos pesados movidos à diesel, como o ônibus e o caminhão”, reportou aos presentes.

A circulação restrita será ampliada para caminhões, na capital, depois da conclusão do trecho Norte do Rodoanel, avisou o secretário, e, como temos 16 mil ônibus em circulação, emissores de material particulado, a meta é substituir a frota de ônibus. Assim, em dez anos apenas 50% deles devem ter como matriz energética o combustível fóssil, com redução de 90% de particulados e, em vinte anos, zero de combustível fóssil e redução de particulados, de acordo com suas informações.

Como cidadão, Rizek defendeu a renovação de toda a frota de veículos, fato que movimentaria toda a economia, aliada a uma mistura de Logística Reversa de veículos com incentivos fiscais de ICMS e produção mais barata de automóveis movidos à álcool.