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Não há clima de confiança para investimento, alerta Paulo Skaf

Segundo presidente da Fiesp e do Ciesp, recuperação ainda em 2015 “é muito difícil”

“Não há clima de confiança para investimento. É como subir uma escada e estar no 20º degrau e alguém puxar a escada. As empresas confiaram e investiram”, afirmou nesta sexta-feira (27/3) o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, ao comentar os resultados do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira cresceu 0,1% em 2014, enquanto a indústria de transformação amargou queda de 3,8% no ano passado.

Skaf acredita que seja pouco provável uma recuperação em 2015, inclusive em 2016.

“Creio que em 2017 a gente possa ter um novo cenário, mas temos de passar por 2015 e 2016 e para passar com o menor prejuízo possível, temos que ter duas agendas. Em uma estamos lutando para não permitir aumento de impostos, pela retomada do crédito. E paralelamente buscamos uma agenda positiva de trabalho para que as coisas realmente não parem na cadeia da construção, da indústria de transformação, nem no agronegócio”, afirmou.

Entre as medidas para atravessar a crise, o presidente da Fiesp lembrou os esforços da entidade para a aprovação da ampliação do enquadramento do Simples Nacional, um regime especial de tributos para empresas de micro e pequeno porte, para empresas de micro e pequeno porte e os Micro Empreendedores Individuais (MEI).

“São medidas que, em meio a tantas más notícias, vão ajudar em um encaminhamento a uma solução”.

Ajuste fiscal

Skaf voltou a defender um ajuste fiscal promovido na direção da redução de gastos públicos em vez de elevar a arrecadação, como está sendo proposto pelo governo.

“Não há necessidade de sempre ir pela forma mais cômoda, mais tranquila e aumentar imposto para as empresas e para as pessoas. É necessário que o governo busque soluções no corte de despesas e não no aumento das receitas através do aumento de impostos”, disse.

Alta do dólar

O presidente da Fiesp reiterou que a recente valorização cambial ajuda por ora as empresas do setor exportador.

Segundo Skaf, o patamar do dólar superior a R$3 “é positivo, mas também não quer ver o dólar em mais de R$3,50 porque desequilibra e o que interessa é um câmbio estável, sem volatilidade e dentro do patamar razoável para que não prejudique a competividade do país”.

Alice Assunção e Lúcia Rodrigues, Agência Indusnet Fiesp