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Ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e de Minas e Energia, Bento Costa Lima, participaram de encontro com empresários 

Poluição do ar e combustíveis renováveis para transportes pautam reunião conjunta de conselhos, na Fiesp

Alex de Souza e Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

“Exatamente 40 anos após o lançamento do primeiro carro movido a álcool, no Brasil, o tema continua atual e estamos reunidos hoje para tratar de questões importantíssimas correlacionadas, tais como a poluição do ar e o uso de combustíveis renováveis no transporte”, afirmou o presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), Jacyr Costa, em reunião conjunta com mais dois conselhos da Fiesp, o de Meio Ambiente (Cosema) e o de Infraestrutura (Coinfra), e seus respectivos presidentes, Eduardo San Martin e Marcos Lutz.

O presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, na abertura, enfatizou a necessidade de olhar com equilíbrio as questões relativas ao desenvolvimento e meio ambiente e comemorou o acordo entre Mercosul e União Europeia e disse estar confiante na aprovação da reforma previdenciária. “O acordo anunciado na semana passada é muito relevante, por abrir possibilidades para o mercado dos dois blocos, e isso tudo ocorre no momento que o texto da reforma da Previdência está prestes a ser votado na comissão. Se tudo correr bem, passa na Câmara antes do recesso e logo depois no Senado”, afirmou.

Ministros convidados

Ao defender ações pragmáticas e menos ideológicas, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recordou sua atuação quando secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e apontou a falta de recursos para o desenvolvimento das pessoas como maior problema ambiental. “Quando estive à frente da pasta em São Paulo trabalhamos muito para acabar com os lixões, uma política pública abandonada por diversos governos, e avançamos mais que qualquer outro Estado da federação. Hoje, no Ministério do Meio Ambiente, queremos ir além. Trabalhar na questão da logística reversa, saneamento, renovação da frota de veículos de transporte público e descontaminação de áreas urbanas poluídas. Melhorar a vida das pessoas tem impacto direto no meio ambiente”, disse o ministro.

Salles afirmou que a pasta tem trabalhado para desenvolver o país sem diminuir o cuidado com o meio ambiente. “Queremos aproximar os setores produtivos e o Poder Público para buscar soluções. Visão macro é fundamental. Não podemos criar dificuldades para vender facilidades. Sabemos o que fazer, não interrompemos nenhuma política pública, mas queremos mais eficiência e não atrapalhar quem produz. Mas sabemos para aonde estamos seguindo”, completou.

O ministro de Minas e Energia, Bento Costa Lima, falou sobre as políticas energéticas e voltou a defender o etanol nacional. “Uma das matrizes mais limpas do mundo”, mas enalteceu a diversidade e possibilidades do Brasil. “Temos Itaipu, o programa nuclear, diversas alternativas energéticas. Somos exemplo para o mundo. A mudança de padrão de consumo deve respeitar o potencial que nós temos, que beneficia toda a sociedade”. Lima enfatizou que o biocombustível é política pública e foram aprovadas as metas para o Renovabio até 2029, uma das prioridades do governo federal, que deverá trazer expressivo investimento, uma expectativa de cerca de 1,3 trilhão de reais, além da geração de emprego. Em sua apresentação, tratou de governança, previsibilidade, estabilidade regulatória e jurídica, que, somados, incentivam os investimentos e geram credibilidade e competitividade. “O beneficiário final será o consumidor”, concluiu.

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O presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, integra os debates ao lado dos ministros Bento Costa Lima e Ricardo Salles. Fotos: Karim Kahn/Fiesp

Jacyr Costa, à frente do Cosag, enfatizou o fato de a indústria ter tecnologia implementada somada à vocação do país como grande produtor de biocombustíveis. Outra vantagem apontada por Costa em relação ao Renovabio – que entra em operação em 1º de janeiro de 2020 – é que irá promover a descarbonização.

O representante da Sociedade Civil no Conselho Nacional de Política Energética do Ministério do Meio Ambiente, Plinio Nastari, voltou a citar o etanol como um dos grandes avanços brasileiros no que tange ao uso de energias renováveis. “Desde 1975 o país começou a utilizar biocombustíveis, mas a falta de políticas públicas, refletida na irregularidade do consumo, impediu um crescimento mais robusto. Mas avançamos muito de lá para cá e temos, talvez, a solução para os maiores problemas mundiais: a integração dos biocombustíveis à energia elétrica limpa”, afirmou. Nastari também observou a tendência mundial de eletrificação, dada sua eficiência, citando veículos com eletricidade a bateria, célula a combustível movida por hidrogênio e os veículos híbridos.

Para o diretor de Assuntos Regulatórios da Fiat Chrysler Automobile, João Irineu Medeiros, o etanol brasileiro apresenta enorme vantagem competitiva e o Brasil precisa continuar investindo em pesquisas e desenvolvimento nesse setor. “É um diamante que está em nossas mãos e que deve continuar sendo lapidado”, comparou. O diretor técnico da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Henry Joseph Júnior, lembrou que vários países da América do Sul empregam porcentagem significativa de etanol e que o Brasil deveria aproveitar seu expertise no assunto e olhar de maneira diferenciada a questão “para aumentar a utilização de biocombustíveis na região e fortalecer esse mercado”.

Convidado para o evento, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, elogiou o debate e enalteceu o setor sucroalcooleiro. “Desenvolvimento é o novo nome da paz. Os municípios paulistas que receberam usinas deram enormes saltos em seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Estamos no caminho correto”, pontuou. Também participaram do evento, à mesa, Roberto Rodrigues, conselheiro do Cosag, e o vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Deinfra, Carlos Cavalcanti.

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Ministro das Minas e Energia, Bento Costa Lima, defendeu o etanol nacional: Fotos: Karim Kahn/Fiesp