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Ministro de Minas e Energia diz na Fiesp/Ciesp que o governo não vai propor racionamento

Edison Lobão tranquiliza setor produtivo sobre um eventual racionamento de energia  e garantiu que há segurança de abastecimento pelo menos até 2015

O setor de energia elétrica deve receber investimentos de até R$ 260 bilhões até 2022, sendo 77% do aporte destinado à geração e 23% para transmissão. Além disso, há projetos de expansão da oferta que devem garantir um volume de 6 a 8 mil megawatts, dos quais 2,8 mil megawatts já entraram em operação nos primeiros meses do ano. Esses e outros fatores devem tranquilizar a sociedade e o setor produtivo do país sobre um possível racionamento de energia, segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

“A situação de 2001 [quando houve um racionamento] não se repetirá porque a situação do sistema elétrico é totalmente diferente do daquela época”, disse Lobão.

Segundo ele, o sistema elétrico sofreu uma expansão de 60% em 11 anos. “Nós temos segurança de que não haverá problema no setor elétrico porque estamos investindo maciçamente nele”, acrescentou, ao participar na noite desta segunda-feira (12/05) de uma reunião com empresários na sede da Federação E Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), em encontro conduzido pelo presidente das entidades, Paulo Skaf.

Lobão afirmou que, graças ao planejamento e aos investimentos nos últimos anos, o país desfruta das condições necessárias para o seu completo abastecimento energético. Ele comentou ainda a crise de abastecimento da água em Paulo e os baixos níveis no Sistema Cantareira. “Decorre um pouco da falta de investimento.”

O ministro tem liderado um grupo de técnicos do governo para conter os temores de diversos setores sobre um possível racionamento. Integrante desse comitê, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse logo após reunião com empresários na Fiesp/Ciesp que o abastecimento de energia “está garantido até 2015”.

Lobão afirmou que embora tenha enfrentado uma “prova de fogo” no começo do ano, o sistema elétrico “não se abalou”.

“No sudeste as condições não foram favoráveis. A falta de chuva comprometeu o abastecimento de água potável em São Paulo. Nem por isso o sistema se abalou”, garantiu Lobão. “Agora, todo consumidor que quiser evitar desperdício, terá meu aplauso, mas nós não vamos propor uma racionalização.”

Estrutura

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, também integra o comitê do governo. Na reunião com empresários na Fiesp/Ciesp, ele reconheceu que o sistema elétrico nunca enfrentou uma situação como a enfrentada em janeiro e fevereiro deste ano. “Mas por que não estamos apavorados? Porque temos uma situação estrutural completamente diferente.”

Segundo Tolmasquim, a evolução do consumo de energia até 2001 crescia 7% a mais que a capacidade instalada. A partir deste período, a capacidade passou a crescer mais de 40% em relação ao consumo.

Ainda de acordo com ele, a participação de todas as térmicas, inclusive as de bagaço da cana, subiu de 16% para 29% na matriz energética brasileira.

“Se somarmos aos 2% de participação da eólica, estamos falando de 31% que complementam a [fonte] hidrelétrica”, explicou.

A expansão de transmissão de energia no país também mais que dobrou desde 2001. Na ocasião, a região sul, por exemplo, poderia demandar 2.600 megawatts do sudeste do país. Agora, a demanda pode chegar a 5.800 megawatts, acrescentou Tolmasquim.

“Temos muita tranquilidade para dizer que hoje temos um equilíbrio estrutural entre oferta e demanda. Conseguiremos passar por esse ano conjunturalmente difícil”, garantiu Tolmasquim.

O diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Cavalcanti, também participou da reunião. “Não é nessa casa que vocês vão encontrar o arrefecimento da tese de que hidrelétricas devem continuar sendo a principal fonte de energia elétrica do país”, alertou Cavalcanti, sem deixar de manifestar apoio a diversas observações do ministro e dos integrantes do comitê.

Durante a Rio+20, em 2012, a Fiesp e o Sistema Firjan divulgaram posicionamento em que defendem o amplo aproveitamento dos recursos hídricos disponíveis no mundo, “considerando seu baixíssimo nível de emissão de GEE, asseguradas as ações de compensação ambiental e social”.

Alice assunção, Agência Indusnet Fiesp