Inicio do conteudo

Investimento em saneamento básico é primordial para efetiva despoluição do rio Pinheiros

Despoluição dos rios foi tema de reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp com a presença de representantes da Sabesp, Cetesb e DAEE

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

A despoluição dos rios, em São Paulo, foi tema da reunião do Conselho Superior do Meio Ambiente (Cosema) nesta terça-feira (23/7), quando se apresentou o projeto de despoluição do rio Pinheiros a ponto de torná-lo navegável até 2022.

O diretor-presidente da Sabesp, Benedito Braga, lembrou que a empresa tem tomado ações desde a década de 1990. “Não estamos começando do zero. Na primeira e segunda fases, de 1992 até 2000, tivemos 8,5 milhões de pessoas com esgoto coletado e tratado. Na terceira, mais 5 milhões e, até o momento, mais 3,7 milhões. Ao longo desses anos todos tivemos perto de US$ 3 bilhões investidos, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Caixa Econômica e recursos próprios da Sabesp”, disse.

Dados ainda da Sabesp mostram que São Paulo tem hoje 10 milhões de esgotos tratados, número equivalente à população de Portugal. “São 1,7 milhão de ligação domiciliares, refletindo diretamente na redução da mortalidade infantil e numa redução da mancha de poluição do Tietê abaixo da ordem de 408 quilômetros. Essa redução não aconteceu só porque investimos aqui na Região Metropolitana, mas porque investimos também em estações de tratamento no interior do Estado”, falou.

O plano de investimento da Sabesp é de R$ 8,7 bilhões até 2023, sendo R$ 11 milhões em coleta e tratamento de esgoto e R$ 5,3 milhões no projeto Tietê. “O projeto de despoluição é do governo do Estado e não da Sabesp. Estão sendo pensadas obras de ciclopassarelas sobre o rio para que na situação final do Pinheiros exista a possibilidade de as pessoas aproveitarem o rio de uma forma mais direta”, disse.

Um dos maiores desafios da Sabesp, contou Braga, é conseguir encaminhar 2,8 mil litros de esgoto por segundo para tratamento. “Não é uma tarefa muito simples. Nós queremos para o rio Pinheiros uma condição aeróbia todo o tempo. Não significa que o rio estará em curto espaço de tempo apto para contato direto. A tarefa da Sabesp nesse projeto do governo é intensificar e acelerar as operações de coleta desses esgotos, aumentando a rede disponível. Para isso, vamos eliminar lançamentos, aumentar o índice de coleta e ter ações socioambientais. Com essas ações, temos a expectativa de gerar 3,7 mil empregos diretos e indiretos”, concluiu.

Também presente à reunião, Patrícia Iglecias, diretora-presidente da Cetesb, observou que há diferença entre o projeto atual e o antigo. Os projetos anteriores tinham tecnologias aplicadas diretamente ao rio para que pudesse gerar sua despoluição. “Hoje, o projeto é muito mais completo. O grande fator para essa possível despoluição é o saneamento, que é feito pela Sabesp. Sem um projeto que envolvesse o saneamento, nós nunca chegaríamos a um resultado desejável ao rio Pinheiros. O projeto atual envolve, além do saneamento, a dragagem, feita pela EMAE. E, neste projeto, a Cetesb tem o papel do licenciamento e fiscalização, o que já vem ocorrendo há muito tempo”, disse.

Ainda durante sua fala, Patrícia ressaltou que o projeto é semelhante ao do rio Tâmisa, na Inglaterra, que prevê a navegabilidade do rio e não o uso de sua água para beber ou para mergulho.

Por fim, Lupercio Ziroldo Antonio, diretor do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e coordenador do programa Água Limpa, observou que falta visão dos municípios para zerar [em relação ao saneamento básico] as zonas rurais, local onde estão as nascentes dos rios. “Temos que nos preocupar com a água. Em razão do esgotamento dos recursos hídricos, nos próximos 30 e 40 anos, os projetos hídricos vão para o interior paulista”.

A reunião foi presidida por Eduardo San Martin, presidente do Cosema.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1566194679

Expositores debateram a despoluição dos rios, em São Paulo, em reunião do Cosema da Fiesp. Foto: Karim Kahn/Fiesp