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Indústria deve encerrar 2013 com a criação de até 15 mil empregos, mas não recupera perdas do ano de 2012

Segundo diretor de Economia da Fiesp e do Ciesp, indústria deve retomar parcialmente a competitividade em 2014 se taxa de câmbio continuar entre R$2,30 e R$2,40

A indústria paulista encerrou o mês de julho com 5,5 mil empregos a menos em comparação com o quadro de funcionários em junho, o equivalente a uma variação negativa de 0,36% na comparação com junho, com ajuste sazonal.  Este é o pior desempenho para o mês da série histórica da pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). O resultado foi mais pressionado por um fato isolado do que pela conjuntura econômica, explicou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini.

No mês passado, uma indústria do setor de couro e calçados da cidade de Franca foi encerrada por ordem judicial. Cerca de mil funcionários foram demitidos.

“É um fator episódico, e não daria destaque a isso dentro de uma conjuntura econômica. Se não fosse por isso, os 0,36% negativo não ganharia essa medalha de pior julho de todos os anos”, afirmou Francini, diretor do Depecon.

Segundo o levantamento, o emprego na indústria de Franca com queda de 5,89%, foi pressionado pelo segmento de Artefatos de Couro e Calçado, que anotou baixa de 10,86% em seu quadro de funcionários.

Francini manteve a previsão de ganho de 10 a 15 mil empregos para a indústria ao final de 2013. “Recuperar é bom, mas para quem perdeu 53 mil vagas o ano passado, isso não dá tanta alegria”, ponderou.

A Fiesp e o Ciesp projetam um crescimento de 0,4% do emprego industrial em 2013, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) deve encerrar o ano com crescimento de 1,9%, antes a entidade previa uma expansão de 2,5%, e a atividade industrial deve chegar ao final de 2013 com variação positiva de 3,2%.

Câmbio

Francini avaliou que a valorização do dólar ante o real é favorável para a indústria, mas os resultados positivos disso só serão percebidos em 2014.

“Devemos retomar certa competitividade em função da taxa de câmbio que nos abre uma perspectiva para 2014, mas necessitamos de tempo para que isso se estabeleça melhor, do que 2013”, afirmou o diretor.

Para ele, o câmbio de R$2,30 a R$2,40 deve se firmar como o patamar mais adequado para a competitividade da indústria brasileira, mas para promover os esperados efeitos positivos é necessário que essa taxa “seja crível como sendo algo que veio para ficar”, explicou.

 Pesquisa

De janeiro a julho deste ano foi gerado pela indústria paulista 53,5 mil empregos, com variação positiva de 2,08%. Mas a pesquisa também revelou que nos últimos 12 meses foram fechados 34,5 mil postos de trabalho, o equivalente a uma queda de 1,29% no mês passado em relação a julho de 2012.

Nível de Emprego – Julho 2013

Do total de demissões no mês passado, a indústria de açúcar e álcool foi responsável pelo fechamento de 2.403 vagas, enquanto os setores da indústria de transformação demitiram 3.097 trabalhadores.

No acumulado do ano, a indústria sucroalcooleira criou 30.096 vagas. Já os outros segmentos do setor manufatureiro criaram 23.404 novos empregos desde janeiro até o mês passado. Segundo Francini, o setor deve devolver até o final os 30 mil empregos gerados para temporada de colheita da cana-de-açúcar, enquanto a indústria devolverá cerca de 10 mil vagas em 2013, o que chegaria a saldo de 10 a 15 mil postos de trabalho criados neste ano.

Setores e regiões

Das atividades analisadas no levantamento, 11 computaram queda, 10 fecharam o mês em alta e uma ficou estável. O emprego no setor de Artefatos de Couro, Calçados e Artigos para Viagem registrou a maior queda do mês com 3,8%, o que representa a demissão de 2.913 empregados. Outro desempenho negativo foi o da indústria de Produtos Minerais Não-Metálicos, que encerrou o mês com perdas de 0,9% ao fechar 1.003 vagas em junho.

Agência Ciesp de Notícias