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Indústria paulista demite 4,5 mil em outubro e pode encerrar ano com saldo de emprego negativo

Para diretor do Ciesp e da Fiesp, Paulo Francini, projeção de 15 mil empregos gerados em 2013 está “sob risco”

A indústria de São Paulo demitiu 4,5 mil funcionários em outubro. A leitura com ajuste sazonal, no entanto, indica um comportamento praticamente estável de 0,04%, mostrou a Pesquisa de Nível de Emprego, divulgada pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) nesta quinta-feira (14/11). O mercado de trabalho da indústria paulista pode encerrar 2013 com taxa negativa, uma vez que a geração de 15 mil empregos estimada pela entidade pode acabar frustrada, avalia o diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades, Paulo Francini.

“A nossa ultima previsão é de um saldo positivo no final do ano de 15 mil empregos, ainda muito longe da perda do ano passado de 50 mil. Mas agora, mesmo os 15 mil estão sob risco”, prevê Francini. “Talvez o emprego na indústria acabe o ano com valor negativo”, completa.

O diretor titular do Depecon afirma que a “luz vermelha” para a indústria está ligada desde o início do segundo semestre deste ano.

Em contrapartida, a previsão da Fiesp e do Ciesp para o Produto Interno Bruto (PIB) do setor manufatureiro é de crescimento de 2,1% este ano, enquanto o Indicador de Nível de Atividade, elaborado pela entidade, deve fechar 2013 com alta de 2,5%.

Os dados indicam que pode haver uma troca de sinais entre o desempenho da produção e o emprego na indústria por conta de um ajuste para baixo do quadro de funcionários por empresários que esperaram uma recuperação forte que ainda não ocorreu este ano. Isso significa que 2013 pode terminar com valor ligeiramente positivo para a produção e negativo para o emprego.

“Havia a convicção de que existia um excedente de pessoal nas empresas motivado por uma questão de custos de demissão, de dificuldades em caso de reposição de funcionários”, afirma Francini. “Evidente que a paciência vai se esgotando diferentemente de empresa para empresa e esse esgotamento faz com que as empresas demitam. Isso está, sim, acontecendo”, acrescenta.

Ele também credita esse ajuste ao fato de o emprego ser o último item da pauta da indústria a sentir os reflexos positivos de uma eventual recuperação ou os negativos. “Ele é o ultimo a crescer e, quando há redução, é o ultimo a cair.”

Emprego em São Paulo
 De janeiro a outubro deste ano foi gerado pela indústria paulista 36,5 mil empregos, com variação positiva de 1,4%. Mas a pesquisa também revelou que nos últimos 12 meses foram fechados 39,5 mil postos de trabalho, o equivalente a uma queda de 1,51% no mês passado em relação a outubro de 2012.

Do total de demissões no mês passado, a indústria de açúcar e álcool foi responsável pelo fechamento de 2.357 vagas, enquanto os setores da indústria de transformação demitiram 2.143 trabalhadores. No acumulado do ano, a indústria sucroalcooleira criou 23.274 vagas. Já os outros segmentos do setor manufatureiro geraram 13.226 novos empregos no acumulado do ano.

A indústria de produtos alimentícios fechou 3.009 postos de trabalho em outubro. Um número considerado “anômalo” por Francini, já que uma empresa está em recuperação judicial.

“É uma empresa de açúcar que demitiu 800 pessoas. Então, isso é que está colaborando com esse número negativo expressivo”, explica o diretor da Fiesp e do Ciesp.

Das 22 atividades analisadas pela pesquisa, nove computaram queda, oito registraram alta no mês e cinco ficaram estáveis.  O setor de Celulose, Papel e Produtos de Papel foi destaque no mês com 1,1% de alta, enquanto Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos registrou queda de 0,9%.

No acumulado do ano, destaque para o emprego na indústria de Coque, Petróleo e Biocombustíveis, que computou alta 8,9%. Já Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos registrou queda de 4% no mesmo período.

De 36 regiões analisadas pelo Ciesp, 19 apresentaram quadro negativo, 14 ficaram positivas e três regiões encerraram o mês estáveis. Matão foi a que apresentou a maior alta, com taxa de 1,49% em outubro, impulsionada por Produtos Alimentícios (2,37%). A região de Franca registrou ganho de 1,10% sob influência positiva dos setores de Artefatos de Couro e Calçados (2,30%) e Produtos de Borracha e Plástico (1,96%).

O índice de emprego em Cotia subiu 0,89%, influenciado por Produtos de Borracha e Material Plástico (2,69%) e Produtos Têxteis (1,24%). Francini pondera, no entanto, que apesar do percentual expressivo, o número real de vagas criadas não é “significativo”.

Entre as Diretorias Regionais do Ciesp com desempenho negativo, Araçatuba computou a queda mais expressiva do mês com 2,63%, abatida pelas perdas em Artefatos de Couro e Calçados (-1,86%) e Produtos Alimentícios (-7,24%).

Santo André fechou o mês com baixa de 1,96%, pressionada pelo desempenho ruim dos setores de Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (-4,27%) e Produtos de Borracha e Plástico (-1,76%). O emprego em Jaú caiu 1,72%, com fortes perdas em Móveis (-3,27%) e Artefatos de Couro e Calçados (-2,80%).

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp