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Indústria de SP demite 17 mil e tem pior março da história

Resultado de março é o pior em 10 anos, segundo pesquisa da Fiesp e do Ciesp

A indústria de São Paulo demitiu 17 mil trabalhadores em março, o pior da série histórica da pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). O resultado foi influenciado pela contratação abaixo da média por parte do setor sucroalcooleiro.

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“Em 2014, foram gerados mais de oito mil empregos no campo. Este ano só 1,4 mil. Portanto, não tivemos a parcela positiva de usinas de açúcar e álcool”, avalia Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, responsável pela pesquisa de emprego no estado.

Segundo ele, a situação atual, pela qual o setor passa, é muito ameaçadora para o emprego, “uma vez que há um número razoável de empresas em recuperação judicial”.

Na leitura com ajuste sazonal, o emprego na indústria caiu 0,88% em março ante fevereiro. No acumulado do ano, o setor manufatureiro paulista fechou 23 mil vagas. Mas o número mais preocupante para as entidades é o fechamento de 173 mil postos de trabalho na indústria na comparação de março de 2014 com março de 2015.


“Março comparativamente ao mesmo mês do ano passado teve 6,54% a menos de emprego. Um número muito ruim. E nos coloca na rota de um 2015 certamente negativo na geração de empregos na indústria de transformação”, acrescenta Francini.

A Fiesp e o Ciesp estimam que o mercado de trabalho da indústria de São Paulo deve encerrar este ano com uma queda de ao menos 5%.

A indústria de máquinas e equipamentos foi a que mais demitiu em março. Ao todo, foram fechadas 7.380 vagas em todo o estado.

“É um setor totalmente ligado a investimento, que, por sua vez, é uma crença no futuro e essa crença está muito débil atualmente”, justifica o diretor do Depecon. “É necessário ganhar um novo espírito com relação ao futuro”.

Números de março

No mês passado, as demissões na indústria chegaram a 18.423, mas uma pequena parte da cifra foi anulada pela contratação de 1.423 trabalhadores pelo setor de açúcar e álcool.

Apesar de contratar, o setor sucroalcooleiro sinalizou um arrefecimento no mercado trabalhado se comparado com anos anteriores. Em 2014, por exemplo, foram admitidos por usinas 8,6 mil trabalhadores.

O emprego industrial já caiu 0,93%, na leitura sem ajuste sazonal, de janeiro a março deste ano. Este é o pior resultado da série histórica da pesquisa com exceção dos resultados de 2009, quando o mercado de trabalhou encolheu 2,34% durante o mesmo período.

Setores e Regiões

Dos 22 setores avaliados pela pesquisa do Depecon, 18 registraram baixa no emprego, três informaram contratações e um permaneceu estável.

Além da indústria de máquinas e equipamentos, o setor de veículos automotores, reboques e carrocerias se destacou entre as demissões de março com o fechamento de 2.358 vagas, seguido pelo segmento de produtos alimentícios, que perdeu 1.722 vagas no mês passado.

Das 36 regiões apuradas, 24 sofreram queda no emprego, oito anotaram alta e quatro mantiveram-se estáveis.

Entre os comportamentos de alta, a indústria de São João da Boa Vista se destacou com aumento de 1,4%, impulsionado pelos segmentos de veículos automotores (6,94%) e de produtos alimentícios (2,9%). Franca também avançou, a 1,16% em março, motivada por contratações nos setores de artefatos de couro e calçados (1,89%) e de produtos de borracha e plástico (0,80%).  O emprego em Bauru subiu 0,71%, em meio a alta na indústria de confecção de artigos de vestuário (6%) e de produtos alimentícios (1,83%).

No campo das perdas, a região de Osasco registrou a maior queda, 3,34% pressionada por baixo desempenho nos segmentos de produtos alimentícios (-14,45%) e de impressão e reprodução (-2,16%).  Diadema também anotou baixa, de 3,02% em meio a demissões nas indústrias de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-8.26%) e de produtos de borracha e plástico (-4,69%).

Santos também se destacou com uma queda de 1,79%, influenciada pela baixa nos setores de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-15,07) e de impressão e reprodução de gravações (-3,75%).

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp