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Indústria de SP demite 14,5 mil em agosto; emprego no setor pode encerrar o ano com 0% de crescimento

Segundo diretor do Ciesp e da Fiesp, queda no emprego é generalizada em setores e regiões no pior agosto já registrado pela pesquisa

A indústria de São Paulo demitiu 14,5 mil funcionários em agosto, o que significa uma diminuição de 0,30% do quadro de funcionários em relação a julho, com ajuste sazonal, revela pesquisa divulgada nesta quinta-feira (12/09) pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). O emprego no setor manufatureiro deve encerrar o ano com taxa de crescimento igual a 0% e ainda que haja recuperação da atividade industrial no próximo ano, o mercado de trabalho da indústria deve sentir os reflexos positivos somente seis meses a partir do novo cenário mais favorável.

De janeiro a agosto desse ano, foram criados 39,5 mil empregos, mas cerca de 20 mil devem ser devolvidos pelo setor sucroalcooleiro até o final de 2013 e o restante das vagas, uma vez que evolução de setembro e outubro, dada a forte queda em agosto, não sugere perspectivas de crescimento enquanto novembro e dezembro são meses de típica perda de emprego, explica Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

“Falamos em 10 a 15 mil empregos gerados em 2013 depois de uma perda de 54 mil em 2012, o que daria um saldo negativo de cerca de 40 mil empregos na somatória dos dois anos”, afirma Francini. “Mas se tivesse de fazer alguma correção seria para pior do que foi antes anunciado”, alerta.

Em sua última previsão, o Depecon projetou um crescimento de 0,4% para o emprego industrial em São Paulo em 2013. Francini, no entanto, assinala que a estimativa “passa a ser otimista e o emprego talvez se aproxime de zero até o final do ano”.

O diretor da Fiesp e do Ciesp explica que o agravamento da situação de emprego em agosto deste ano se deu pela exaustão de empresas que vinham mantendo seu quadro de funcionários acima do seu nível de demanda em meio a expectativas de melhora das condições econômicas.

“As empresas estão um pouco mais cansadas dessa espera e resolveram promover um ajuste que deve prosseguir. Houve aumento de estoques, o que significa frustração de vendas. Então, se há frustração, você resolve ajustar”, diz Francini.

Com exceção de 2011, a taxa de desemprego na indústria em agosto é a pior da série histórica da Fiesp iniciada em 2006. Segundo Francini, o desempenho dos setores no mês passado é o pior desde o início da pesquisa.

“Se tem 73% dos setores caindo é porque está mal mesmo. Em nenhum agosto dos outros anos houve resultado semelhante a esse”, afirmou.  O diretor da Fiesp e do Ciesp acrescenta que, no acumulado do ano, com exceção da crise de 2009, quando indicador caiu 2,05%, o ano de 2013 “apresenta um péssimo desempenho do emprego. Este ano já é classificado para a indústria como ruim”.

Segundo o indicador da Fiesp e do Ciesp, no acumulado de 12 meses a indústria paulista fechou 39,5 mil postos de trabalho, um queda de 1,49% na comparação com o período anterior. Das 14,5 mil vagas fechadas em agosto, o setor de açúcar e álcool foi responsável por 3.515 demissões, enquanto os demais setores da indústria demitiram 10.985.

Câmbio

Para Francini, a taxa de câmbio não deve voltar a R$2,20 o que representa certa melhora para a indústria de transformação, no entanto, o setor ainda vai precisar de tempo para absorver os resultados positivos da variação cambial.

“Os reflexos da variação dessa taxa de câmbio vão se fazer sentir mais a partir do próximo ano e serão positivas numa dimensão que ainda desconhecemos, mas vai representar um ganho adicional de competitividade para a indústria domestica”, afirma o diretor do Depecon.

Francini pondera, no entanto, que apesar da esperada melhora do cenário para o setor produtivo em 2014, o mercado de trabalho da indústria pode demorar até seis meses para reaquecer.

“A partir do momento que começar a crescer a atividade da indústria, esse crescimento demora seis meses para chegar ao emprego”, completa.

Setores e Regiões

Dos 22 setores avaliados pela pesquisa, o emprego de 16 fechou o mês em queda, enquanto cinco segmentos apresentaram alta e um ficou estável. Entre as perdas no Estado se destaca o das indústrias de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos, que computou queda de 2,2% ao demitir 1.631 funcionários.  Dentre os bons desempenhos, os setores de Produtos Diversos e Outros Equipamentos de Transporte fecharam com alta 0,9% – ambos contrataram 645 e 289 profissionais, respectivamente.

No âmbito regional há uma queda generalizada no emprego na indústria, avalia Francini. Segundo o indicador, 23 regiões anotaram baixa no mercado de trabalho da indústria local, 10 registraram alta e três ficaram estáveis.  Isso significa que 64% das regiões pesquisadas computaram desempenho negativo.

A região de Sorocaba fechou agosto com variação positiva de 1,34%, motivada pelos setores de Máquinas e Equipamentos (+9,70%) e Confecção de Artigos do Vestuário (+5,03%). São Caetano também registrou alta a 0,79% estimulada por Produtos Minerais não Metálicos (+2,04) e Produtos de Borracha e Plástico (+1,15).

Já emprego na indústria de Taubaté encerrou com mês com variação negativa de 3,22%, pressionado principalmente pelo fechamento de uma fábrica do setor de Celulose, Papel e Produtos de Papel por falência, o segmento teve a queda mais expressiva: -73,91% em agosto. Outro setor que contribuiu para o desempenho ruim de Taubaté foi a indústria de Equipamentos de Informática e Produtos Eletrônicos (-6,99%).

Cotia também registrou queda de 1,84% abatida pela redução de postos de trabalho nas indústrias de Produtos Químicos (-8,42%) e Veículos Automotores e Autopeças (-2,70%). Em Osasco, a perda foi de 1,68% com o fechamento de uma outra fábrica no segmento de Confecção de Artigos do Vestuário (-15,07) e Veículos Automotores e Autopeças (-2,82%).

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