Indicador de Nível de Atividade da indústria paulista recua 2,3% em agosto

De janeiro a agosto, a queda foi de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista em agosto, sem efeitos sazonais, recuou 2,3% em comparação ao mês anterior. A principal influência negativa foi a variável Total de Vendas Reais, com -4,9%, mas Horas Trabalhadas na Produção e o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) também caíram 1,0% e 0,3 p.p, respectivamente.

Os dados são da pesquisa do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp (Depecon) divulgada nesta quinta-feira (29/9).

“Este resultado é uma indicação clara de que a recuperação pretendida e anunciada ainda não chegou para a indústria paulista. Não vemos sinais de retomada efetiva”, afirma o diretor do Depecon, Paulo Francini.

A projeção para o INA é fechar 2016 com retração de cerca de 6,4%, depois de ter registrado -6,2% em 2015 e -6,0% em 2014, mas com o resultado de agosto, Francini afirma que isto pode mudar.

“Começamos a duvidar deste número, a queda pode ser bastante acentuada. Nos últimos oito meses já registramos queda de -9,6% em relação ao mesmo período de 2015”.

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Setores

No resultado do INA de agosto, sem influência sazonal, dois setores se destacaram negativamente, entre eles o de veículos automotores, que registrou queda de 5,9%, em comparação ao mês anterior. A queda mais expressiva foi do Total de Horas Trabalhadas na Produção (-6,9%), seguido por Total de Vendas Reais (-5,4%) e pelo NUCI (-0,1 p.p).

O INA do setor de celulose e papel também apresentou queda (-1,6%) em relação ao mês de julho, puxada pela redução nas Horas Trabalhadas na Produção (-2,5%) e pelo NUCI (-0,9 p.p.). Neste caso, o Total de Vendas Reais cresceu 0,8%.

Destaque positivo do INA ficou para o setor de metalurgia, que registrou crescimento de 1,1% na passagem de julho para agosto, já dessazonalizado. Todas as variáveis consideradas na formação do resultado apresentaram alta:   Total de Vendas Reais, com 5,0%; Horas Trabalhadas na Produção com 1,0%; e o NUCI, com aumento de 2,8 p.p.

Sensor

A pesquisa Sensor de setembro fechou em 49,1 pontos, na série livre de influências sazonais, número inferior ao de agosto, quando atingiu 49,4 pontos. Como está abaixo dos 50,0 pontos sinaliza queda da atividade industrial para o mês. Dos cinco indicadores analisados, Mercado, Vendas e Emprego registraram redução de pontos em agosto, enquanto Nível de Estoque e Investimentos indicam melhores perspectivas (já que o indicador de estoques passou de 50,2 para 52,9 pontos, e o de investimentos, de 51,0 para 50,2 pontos em agosto, permanecendo em terreno otimista).

Há exatos 30 meses a indústria paulista demonstra que não está otimista com relação à atividade industrial, com resultados abaixo dos 50 pontos na pesquisa Sensor. “A percepção do empresário paulista não estava equivocada. O fato é que continuamos não encontrando a retomada em curso ou motivos que a inspirem”, diz Francini.

O diretor explica que o cenário econômico continua difícil, com falta de crédito, taxa básica de juros (Selic) alta e variáveis do INA que demonstram que houve redução de salário do empregado.