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Fiesp promove capacitação da cadeia produtiva para investigação de áreas suspeitas de contaminação

A partir de 2020, edições do workshop "O que é preciso para investigar áreas contaminadas" serão agendadas nas regionais do Ciesp, em todo o Estado

Mariana Soares, Agência Indusnet Fiesp 

O gerenciamento de áreas suspeitas de contaminação é definido como um conjunto de medidas tomadas com o intuito de minimizar o risco proveniente da existência de áreas contaminadas à população e ao meio ambiente. Os resultados das análises em cada etapa do processo proporcionam ferramentas necessárias à tomada de decisão no que diz respeito às intervenções mais adequadas. Com a intenção de apresentar a estratégia mais eficiente de gerenciamento da região que pretende ser averiguada e de pontuar as falhas mais comuns no processo de descoberta dessas regiões, a Fiesp realizou o workshop: O que é preciso para investigar áreas contaminadas, na última quarta-feira (27/11).

O gerenciamento de áreas contaminadas baseia-se em estratégia constituída por etapas sequenciais: identificação, diagnóstico, intervenção e monitoramento. Eduardo San Martin, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, chamou a atenção para o fato de que este é um tema relativamente novo dentro da história da legislação ambiental de São Paulo. No entanto, não é menos importante do que as questões relativas ao controle do ar ou da água.

O workshop promovido pela Fiesp se propôs a capacitar empresários e industriais no que tange aos critérios importantes para a contratação de empresas e técnicos que realizam a medição do solo. “A ideia é dar ferramentas para quem trabalha e produz no Brasil conseguir fugir de profissionais mal-intencionados ou irresponsáveis. Com informações relevantes e tomando ciência do cronograma para uma investigação eficiente, será possível crescer e desenvolver os seus negócios, cumprindo com as exigências necessárias para a garantia da saúde das pessoas e a defesa do meio ambiente”, completou.

Quando as empresas contratadas para realizar a investigação produzem um relatório errado e o enviam para a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), tal conteúdo fica lá registrado. A partir de então, o trabalho para reverter qualquer avaliação equivocada pode gerar graves prejuízos.

O vice-presidente da Associação Paulista de Geólogos, Daniel Cardoso, que também é membro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (CREA-SP), reforçou a importância da investigação eficiente. “O primeiro motivo para dedicarmos tempo e recursos na averiguação das áreas contaminadas é porque há previsão legal. Os empresários, gerentes, gestores das empresas, assim como os locatários ou proprietários dos imóveis podem responder civil e criminalmente”, reforçou.

Desde o início do processo de investigação, é preciso fazer um questionamento importante: a atividade realizada pela unidade (indústria e/ou empresa) confere risco ao solo? É crucial atentar para o fato de que toda cadeia produtiva pode gerar contaminação. “Realizar a análise das áreas para entender se há contaminação é um dever. Só assim vai ser possível saber se a região foi afetada negativamente e ainda se o problema ultrapassou os limites da propriedade e atingiu a vizinhança. Caso isso tenha acontecido, as sanções serão ainda mais pesadas”, alertou Cardoso.

O 2º vice-presidente da Associação Brasileira de Água Subterrâneas (ABAS), Gustavo Alves da Silva, explicou o cronograma de ação da investigação das áreas com suspeita de contaminação. A primeira fase corresponde ao estudo da área, quando são levantados histórico da extensão, as condições atuais, de que forma são armazenados os insumos, como são tratados os efluentes, entre outros.

“A partir disso, com a suspeita confirmada ou eliminada é que se dá a próxima etapa. Em seguida, serão feitas as aferições diretas na área que está sendo submetida à análise. As empresas e seus terceiros fazem perfurações para monitorar como está a região”, completou.

O resultado da coleta, ou seja, as amostras, serão analisadas quimicamente em laboratórios especializados e creditados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).  Os próximos passos correspondem ao mapeamento da contaminação, para poder avaliar o valor do risco, e ao tratamento da área para tornar a extensão saudável novamente.

A partir de 2020, nas outras edições do workshop: O que é preciso para investigar áreas contaminadas deverão ser realizadas também nas regionais do Ciesp, em todo o Estado. Para acompanhar o cronograma, é só ficar atento aos sites e às redes sociais da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.

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Áreas suspeitas de contaminação, avaliação e formas de tratamento são tema de encontro ambiental na Fiesp, que contou com a presença de especialistas. Foto: Karim Kahn/Fiesp