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ESG e a Agenda 2030 aponta para retomada mais sustentável, inclusiva e justa

Carlo Linkevieius Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, enfatiza oportunidades de negócios e geração de empregos

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê (Cores) da Fiesp e o Núcleo de (NRS) de Responsabilidade Social (Cores) do Ciesp têm realizado uma série de lives sobre ESG [Environmental, social and corporate governance, na sigla em inglês] desde maio deste ano. Hoje (25/10) foi realizada a sétima live com o tema responsabilidade social na prática. Em foco, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), a Agenda 2030, e as metas que podem se conectar aos princípios ESG e impactar ações e políticas públicas ou corporativas a fim de potencializar esforços e impulsionar resultados.

À frente do Cores e do NRS, Grácia Fragalá frisou que o trabalho desenvolvido na casa foca na dimensão social do desenvolvimento sustentável tendo em vista três eixos: indústria diversa, indústria responsável, para a disseminação de conceitos, e as parcerias estratégicas.

A dimensão ambiental vem se consolidando há mais tempo, impulsionada também por questões regulatórias, mas o social é um conceito mais novo e a impressão que se tinha era que este era um problema do Estado ou da sociedade civil. As empresas estiveram atentas a questões sociais e podem fazer ainda mais e demonstrar suas ações efetivas aos investidores e seu público de interesse.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) implicam em um pensamento sistêmico, abrangente e incentiva a pensar de maneira integrada, pontuou Fragalá, antes de apresentar Carlo Linkevieius Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas (ONU), com mais de vinte anos de atividade no setor produtivo e em organizações internacionais.

Pereira abriu sua participação tratando dos avanços mundiais consideráveis nos últimos trinta quanto aos quesitos guerra, morte por doenças e epidemias, além de guerras, mas também a existência de estados autocráticos, armas nucleares e pobreza extrema. Há hoje a crise climática e o que se chama a ‘grande aceleração’ devido ao consumo excessivo de tudo com o esgotamento dos recursos do planeta Terra, o que leva a crises e eventos cada vez mais frequentes e extremos. Ele citou, por exemplo, os furacões nível 5 que surgiam a cada 10 ou 12 anos e agora são anuais, mais a crise hídrica, no Brasil, o tornado-bomba no Sul do país, e tempestades de terra, que agora aparecem na previsão do tempo, com tom de normalização de um fenômeno que não ocorria antes. Pereira também apontou a tendência de maiores riscos ambientais, relacionados especialmente à mudança climática, sobrepujando os econômicos.

Em sua apresentação, o representante da Rede Brasil do Pacto Global da ONU afirmou que a desigualdade aumentou, no Brasil, depois da regressão registrada até 2015, mas este é um movimento com repercussão mundial. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 80% desde 1980, mas, para os mais pobres, apenas 20%, para a classe média 50%, e para os super-ricos, 420%.

Especificamente sobre o nosso país, apontou que há 116,8 milhões de pessoas sofrendo com insegurança alimentar, um número expressivo, e 19,1 milhões que passam fome no território nacional. Para ele, o cenário se torna ainda mais complexo ao se constatar que hoje há mais óbitos em decorrência da obesidade e das doenças decorrentes do que de fome. Outro ponto que destacou são as insurgências que ocorrem em diversos países pela falta de confiança em seus governantes e a dificuldade de acesso ao que é básico e essencial.

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O representante da Rede Brasil do Pacto Global da ONU afirma que a desigualdade vem aumentando no mundo todo e, no Brasil, milhões convivem com a insegurança alimentar


Uma possibilidade guarda relação com a geração millennials [nascidos entre 1981 e 1996] e os nascidos depois desse período e que que confiam que o investimento que fazem pode ajudar a combater a mudança climática e a pobreza, entre outros problemas que assolam a Humanidade. Eles contam com outro conjunto de valores e princípios, conforme analisou o expositor, otimista. Nesse contexto, Pereira também retratou o mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) no qual vivemos, onde a alta velocidade e a intensidade das forças promovem as mudanças, além da alta instabilidade, e múltiplos fatores envolvidos, inclusive de pontos de vista na análise de fatos.

Historicamente, com o mundo se deteriorando em vários aspectos, o estabelecimento dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODMS) refletiram uma agenda antipobreza, que se desdobrou depois na Rio+20, nos ODS e demais pactos. Entre as alavancas para promover mudanças, encontram-se as empresas, instituições de confiança da sociedade, em pesquisas recentes citadas por ele, à frente de governos e mídia, o que indica que os CEOs podem liderar questões caras à sociedade, pois se espera posicionamento sobre temas como pandemia, automação do trabalho e problemas sociais.

Em sua análise, os ODS são direcionadores de uma retomada mais sustentável, inclusiva e justa e as empresas têm papel essencial para seu o alcance com maior impacto e efetividade. “E há muitas possibilidades, fala-se em 12 trilhões em oportunidades de negócios, em 2030, e 380 milhões de novos postos de trabalho”, contabilizou Pereira, antes dos debates.

Para acompanhar a live, na íntegra, clique aqui.

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