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ENERGIA

Ciesp apóia indústrias em negociação com a CPFL
Encontro debate restituição de contratos de energia a preços mais competitivos

Ciesp apóia indústrias em negociação com a CPFL
 
Na próxima terça-feira, 29 de janeiro, o Comitê Técnico de Energia (CTE) criado pelo Ciesp e pela Fiesp organiza reunião entre representantes da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e indústrias que tiveram o fornecimento de energia mais barata interrompido – decisão que afetou mais de 230 empresas. O encontro acontecerá na sede da Diretoria Regional do Ciesp em Ribeirão Preto, onde fornecedor e compradores vão discutir a rescisão de contratos que garantiam preços menores que os praticados no mercado comum.
 
O ramo mais prejudicado com o fim do fornecimento diferenciado foi o de açúcar e álcool, uma vez que a produção foi potencializada pelas políticas pró-etanol. Para agravar a situação, essas indústrias investiram em equipamentos e aumentaram o consumo de energia hidrelétrica. O CTE, que é formado pelas regionais do Ciesp em Araraquara, Campinas, Franca, Matão, Ribeirão Preto, Sertãozinho, São Carlos e São José do Rio Preto, tenta mediar a discussão com o objetivo de restituir os acordos.
 
O programa
O regime de tarifas menores foi firmado após a crise energética de 2001, quando muitas indústrias optaram por adquirir geradores de energia a base de óleo diesel. Passado o período de ‘apagão’, a CPFL ofereceu a essas empresas “energia limpa” (produzida sem a queima de combustível fóssil, como o diesel). Tanto a distribuidora quanto as indústrias acordaram em fixar um valor médio baseado no custo da produção dos geradores poluentes. Esta condição garantiu tarifas inferiores às praticadas no mercado doméstico. “Depois de 2001 choveu bastante, o que gerou excesso de energia. Então, oferecemos às empresas uma alternativa de substituição [de energia por queima de diesel] por uma energia limpa”, explica o gerente de negócios da CPFL, Clinger Luiz Barcelos Ferreira.
 
Outras indústrias que não geravam a própria energia, mas que se enquadravam na categoria de “modulação”, cujo critério era o compromisso de investir na produção industrial, aderiram ao programa. O problema é que as indústrias passaram a produzir mais em 2007 para atender ao mercado interno em expansão. Com isso, diante do aumento da demanda e da baixa nos reservatórios das usinas devido à falta de chuvas, a companhia diz haver nova crise energética e, por isso, suspendeu os acordos. “A CPFL suspendeu um tipo de energia que era mais barata para as empresas que antes geravam energia por conta própria, utilizando geradores”, afirma o gerente regional do Ciesp Ribeirão Preto, Fabiano Guimarães, organizador do CTE.
 
A companhia garante que a cláusula 12 do contrato prevê a suspensão de energia suplementar em caso de dificuldades na geração.
 
Indústrias conseguem liminar
Algumas indústrias conseguiram liminares favoráveis à restituição do fornecimento diferenciado. “O juiz entendeu que a CPFL não podia ter rescindido os contratos. Em alguns casos, a distribuidora dobrou o preço da energia no horário de pico, e com isso, algumas empresas estão parando a produção. Há casos em que o valor do gasto com energia representa até um quarto da produção e pode corresponder a até 20% do preço do produto final”, afirma Guimarães, do Ciesp. Segundo o gerente da CPFL, Clinger Ferreira, a decisão judicial ainda não foi enviada à companhia.
 
Reunião com a Aneel
Em 29 de fevereiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai realizar audiência pública em Campinas, na qual vai receber sugestões sobre as tarifas energéticas. A reunião acontece a cada quatro anos. Na ocasião, o CTE apresentará estudo realizado por técnicos da Universidade de São Paulo (USP) que afirmam ser possível reduzir as tarifas atuais em 15%.
 
O CTE foi criado em 2007, com o objetivo de agregar as reclamações do setor produtivo quanto aos problemas físicos e comerciais intrínsecos ao consumo e fornecimento de energia. Além disso, mantém grupo de estudos permanente sobre os aspectos mercadológicos e regulatórios que condicionam a disponibilidade, a qualidade e a modicidade da energia elétrica no Brasil.
 
Agência Ciesp de Notícias
Nivaldo Souza
24/01/2008
Foto: Wilson Dias/ABr

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