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Em webinar, Fiesp e Ciesp recebem convidados para discutir a Primeira Infância e a Indústria do Futuro

Iniciativa faz parte do Programa Fiesp e Ciesp pela Primeira Infância; especialistas debateram como as indústrias se tornam competitivas por meio da educação e como o investimento nessa fase contribui para o desenvolvimento sustentável

Mayara Moraes e Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Nos dias 6 e 7/10, a Fiesp e o Ciesp realizaram mais um evento para discutir a importância do investimento na Primeira Infância com foco no desenvolvimento da criança, dos negócios e do país. Como o investimento nos primeiros seis anos de vida de uma criança podem torná-la um profissional qualificado, no futuro, e como as indústrias podem se tornar competitivas por meio da educação foram o mote dos dois dias de webinar apoiados pela United Way Brasil, Sesi-SP, Sanasa Campinas, Fundação Feac e Prefeitura de Campinas.

Luiz Fernando de Araújo Bueno, diretor do Departamento de Sustentabilidade do Ciesp Campinas, explicou ao público, que acompanhou o evento pela internet, que o desenvolvimento humano durante a Primeira Infância se dá em uma velocidade sem precedentes. ”Durante nossos primeiros mil dias de vida, mil células cerebrais se conectam por segundo”, afirmou Bueno. “Elas são responsáveis pela nossa saúde mental e física, pelos resultados de aprendizagem e desenvolvimento de nossas capacidades sociais, isto é, perder essa janela de oportunidade pode ter implicações para o resto da vida”, acrescentou.

Para José Nunes Filho, diretor titular do Ciesp Campinas, a Primeira Infância (0 a 6 anos) é uma fase fundamental não apenas para a construção da cidadania, mas também para a formação de profissionais aptos a ocupar posições num mercado de trabalho cada vez mais moderno e exigente. ”Estamos no limiar da Indústria 4.0 e necessitando de mão de obra qualificada”, disse Filho. “Investir na Primeira Infância é a única forma de formar profissionais de qualidade para as nossas indústrias”, advertiu.

Todos esses argumentos ajudam a explicar por que a Primeira Infância se tornou uma pauta prioritária para a Fiesp. Como explica Grácia Fragalá, vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) da Fiesp e diretora titular do Comitê e Núcleo de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp e do Ciesp, o ser humano aprende durante toda a vida, porém, é sabido que durante os seus primeiros seis anos as respostas são mais rápidas, mais amplas e mais intensas. Os investimentos feitos durante a Primeira Infância são mais persistentes e duradouros.
“Quando você dá afeto, estímulo, educação e nutrição adequada para a criança neste período, dá os recursos necessários para que ela possa ter um desenvolvimento saudável e equilibrado ao longo da vida”, argumentou Fragalá. Mas para garantir o bem-estar e o pleno progresso de nossas crianças, é necessário que famílias, comunidade, governo e iniciativa privada compartilhem essa responsabilidade.

É neste contexto que foi criado o Programa Fiesp-Ciesp pela Primeira Infância, que tem o objetivo de promover o desenvolvimento integral das crianças de zero a seis anos por meio de ações e programas direcionados para famílias, escolas e comunidades. Uma das frentes desse programa é o projeto Empresários e Empresas pela Primeira Infância, concebido para mobilizar o empresariado a atuar como embaixador e investidor da Primeira Infância. Durante o ano de 2019, a Fiesp e o Ciesp organizaram workshops voltados para a sensibilização e capacitação de empresários de todo o país e desde então vêm trabalhando incansavelmente para ativar uma rede em prol dessa agenda.

Políticas voltadas à família possuem impactos diretos na retenção de funcionários, na redução do absenteísmo e na redução de custos de recrutamento. Dados fornecidos pela Great Place to Work, em 2019, indicam que os benefícios proporcionados por essas políticas vêm sendo cada vez mais reconhecidos pelas companhias brasileiras. Dentre as 150 melhores empresas para se trabalhar, em 2019, 49% ofereciam licença-maternidade por seis meses pelo menos; 30%, licença-paternidade por 20 dias pelo menos; 31%, sala de lactação permanente e dedicada exclusivamente para este uso; e 11% ofertavam creches ou berçários para filhos de funcionários no local de trabalho ou nas proximidades.

O papel do Sesi-SP no investimento na Primeira Infância

Também fazem parte do Programa Fiesp-Ciesp pela Primeira Infância o convênio de cooperação técnica com o Sistema Sesi de Ensino e a proposta de terceirização de creches em todo o estado de São Paulo.

A qualidade do Sistema de Ensino Sesi às crianças de zero a seis anos é nacionalmente reconhecida e, por isso, o Sesi-SP resolveu propor um convênio às prefeituras. O acordo inclui o compartilhamento da proposta metodológica do Sesi-SP, o oferecimento de monitoramento in loco, a disponibilização do Manual Sesi-SP da Primeira Infância (voltado para a capacitação do adulto cuidador) e a realização de workshops focados em pautas fundamentais para a Primeira Infância, como educação, saúde e nutrição.

“Temos uma proposta educacional e metodologia próprias, construída com base em modelos de sucesso nacionais e internacionais e focada na identidade e na autonomia do aluno”, contou Christiane Moreira Jorge, supervisora escolar da Rede Sesi-SP. “O que estamos fazendo com esse acordo de cooperação técnica é compartilhar com as prefeituras nosso know-how em educação, reconhecendo e potencializando a proposta pedagógica do ensino que já existe no município”, acrescentou.

Quarenta municípios já adotaram o modelo Sesi de Ensino, isto é, 23 mil crianças de 0 a 3 anos e 41 mil crianças de 4 a 5 anos já foram beneficiadas pelo convênio de cooperação técnica, cujos resultados, como melhoria da qualidade do ensino, enriquecimento das práticas pedagógicas e aperfeiçoamento da gestão educacional, puderam ser comprovados pelos parceiros.

A terceirização de creches sugerida pelo Serviço Social da Indústria também prevê a implementação da metodologia de ensino do Sesi-SP em gestão educacional. O projeto propõe o conceito de creche corporativa, isto é, a transição da creche autogerida para a creche terceirizada. Uma empresa ou um grupo de empresas se responsabilizam pela infraestrutura local.

O que São Paulo e o Brasil podem aprender com Campinas

Em 2019, foi publicado o Plano Municipal pela Primeira Infância Campineira (PIC). O projeto tem vigência de dez anos e sugere maneiras de as empresas participarem ativamente da implantação de diretrizes que prometem tornar o município de Campinas amigável para as crianças de zero e seis anos.

Paulo Bonilha, médico da prefeitura de Campinas e membro do PIC, destacou algumas ações. Entre elas, a criação de um pacto empresarial pela Primeira Infância para que as empresas possam aderir às diretrizes por meio de uma carta de princípios e ganhar um selo de Empresa Amiga da Primeira Infância; a criação do selo Empresas Amigas do Peito, que incentiva a amamentação de trabalhadoras com a criação de salas de apoio à amamentação; e a extensão das licenças-maternidade e paternidade pelas empresas que tenham aderido ao Programa Empresa Cidadã.

Organizações privadas como a Fundação Feac também têm feito articulações em prol da Primeira Infância. Projetos como o Novo Olhar têm ganhado fôlego e inspirado a criação de campanhas de mobilização como a Semana do Bebê, pensada para 2021.

“Com o projeto Novo Olhar buscamos acompanhar o processo de aprendizagem de todas as crianças e monitorar seu progresso, por meio da parceria com vários centros de educação infantil de Campinas”, contou Jair Resende, superintendente socioeducativo da Feac. “Os educadores dessas unidades passam por processo de capacitação para se tornarem mais atentos aos processos pelos quais cada criança precisa passar para alcançar seu pleno desenvolvimento, entendendo que cada criança é um ser único e tem o seu próprio tempo”, acrescentou.

Para o próximo ano, a Fundação Feac prepara a Semana do Bebê, uma estratégia de mobilização social que pretende garantir a sobrevivência e o desenvolvimento infantil como prioridade na agenda dos municípios brasileiros. “Vamos envolver toda a sociedade, o governo, as famílias, as empresas e as federações de empresas para colocar em evidência a importância da Primeira Infância e dos cuidados nessa época da vida para o desenvolvimento pleno das pessoas”, destacou Resende.

De olho no futuro, empresas apresentam suas ações para a Primeira Infância

No segundo dia deste evento, representantes de diversas empresas apresentaram suas ações em prol da Primeira Infância. Jane Valente, coordenadora do PIC, reafirmou que “a empresa do futuro se faz com pessoas do futuro. Nossa desigualdade abre um flanco muito grande e precisamos agir”.

Com moderação de Gabriela Bighetti, diretora-executiva da United Way Brasil, o primeiro case apresentado foi da Sanasa Campinas, a cargo de Fernando Rossilho, da chefia de Relações Institucionais da presidência da  empresa, que explicou como se deu o engajamento a essa causa.

Na percepção de Rosilho, a crise hídrica recente (2014-2015) no estado de São Paulo, demonstrou que Campinas, município não muito afetado graças a investimentos em automação, pontuou a necessidade de contar com pessoas que cresçam entendendo o que é a automação e trabalhem com isso, como profissionais. O mesmo se dará com os leituristas, “pois entramos na fase de telemetria. Não precisamos mais de braços, mas de mentes, neste futuro de indústria 4.0″, exemplificou.

A atuação da Sanasa na área de responsabilidade social, inclusive voltada à Primeira Infância, rendeu convite para integrar o Comitê Municipal Intersetorial – PIC, no final de 2017, com o objetivo de elaborar o Plano Municipal à Primeira Infância, concluído em dezembro de 2018. Entre as ações, além de um pacto empresarial, a criação de espaços, na comunidade, que fomentem o contato intergeracional com crianças na Primeira Infância. Em prol do meio ambiente, projetos paisagísticos e hortas comunitárias instalados em áreas periféricas.

A Sanasa desenvolve atividades socioeducativas e ambientais nos bairros de Campinas, o que inclui educação em saúde bucal, incentivo à ciência e cultura, inclusive com visitas ao Museu da Água, no Centro de Conhecimento da Água da empresa, inaugurado em agosto deste ano.

A ação também se desdobra no apoio ao projeto Sapeca – Serviço de Atendimento e Proteção Especial à Criança e Adolescente com foco em famílias acolhedoras (crianças de 0 a 6 anos), vítimas de violência doméstica. O “voluntariado é essencial”, enfatizou, e é incentivado entre os funcionários da Sanasa. Rosilho tratou, ainda, dos benefícios trabalhistas para que seus colaboradores deem a atenção necessária aos seus filhos.

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A Kinderhauss, que conta com a parceria do Sesi-SP, foi apresentada por Fabio Amaral Machado, gerente de Recursos Humanos da Bosch

A Bosch, empresa multinacional, com seu viés tecnológico, inclusive voltado à sustentabilidade, entendeu a necessidade de mudar de postura: da andragogia (educação de adultos), com ênfase no supletivo e na aprendizagem industrial, e precisou inovar-se.

Em Campinas, a creche corporativa Kinderhauss tem, em sua gênese, a preocupação com a inovação e a tecnologia, respeito à diversidade, educação bilingue, pois hoje se trata da Internet das Coisas e é preciso atuar de forma estruturada, o que fará diferença também para os pais, segundo avaliou Fabio Amaral Machado, gerente de Recursos Humanos da Bosch. Antes, já existia um trabalho com o Senai-SP e agora o prédio da Kinderhauss conta com o apoio do Sesi-SP, inclusive no quesito nutricional, segundo explicou.

Para ele, trata-se de um processo consolidado, com uma experiência de sucesso em Curitiba e, partir de fevereiro deste ano, também em Campinas, atendendo 100 crianças de 4 meses a 4 anos. De acordo com Machado, já é possível colher resultados, inclusive de clima [organizacional]. “Esse é o caminho”, concluiu.

A palavra-chave é rede. Não é possível mais trabalhar sozinho: é preciso compartilhar metodologias, experiências e potencializar recursos”, alertou Milena Porelli Drigo Azal, coordenadora de Programas Socioeducativos do Instituto Arcor, com foco na infância, e com a missão de contribuir para que a educação seja uma ferramenta de igualdade de oportunidades.

Em suas linhas de atuação, o desenvolvimento integral nos primeiros anos de vida e na infância, para garantir uma vida saudável, propósitos que se alcançam com programas estruturados, mudança sistêmica, parcerias, avaliações e escuta, relacionamento e participação em redes.

Segundo esclareceu Azal, mobilizam-se atores sociais locais, há apoio às secretarias municipais de educação, além de se promover o engajamento das famílias como corresponsáveis pelo processo de educação das crianças, ou seja, um trabalho articulado. Para demonstrar o investimento estratégico na Primeira Infância, o Instituto Arcor Brasil tem mais de 500 projetos desenvolvidos com mais de 3 milhões de crianças e adolescentes beneficiados.

Para Claudinéia Zorzela, coordenadora de Benefícios do RH da Natura, a Primeira Infância representa grande valor para a empresa, trabalhando com escolas públicas também, tendo em vista que seu público é eminentemente feminino e tem características próprias. “É preciso elaborar políticas inclusivas para que ela possa ser mãe e profissional e ficar próxima da criança durante o trabalho. Isso fideliza os colaboradores. Está na política do RH trabalhar a transformação”, elucidou. Em sua avaliação, a criança deve ser construtora do seu conhecimento e do seu protagonismo, consciente das suas escolhas, disse, e informou que são atendidas 250 crianças de colaboradores de mães e pais, reforçando os laços parentais, com incentivo à paternidade ativa, com home office e possibilidade de horário flexível.  O berçário atende crianças de zero a 3 anos, ou seja, a Primeiríssima Infância. “Compreendemos a licença parental como um ciclo e é importante que o gestor e o RH estejam próximos do colaborador para garantir algumas ações”, concluiu.

Para encerrar a apresentação de cases, Claudia Takao Niencheski, gerente de Recursos Humanos da Takeda Distribuidora Ltda., trouxe as ações e os benefícios para a Primeira Infância desenvolvidos pela empresa, que tem 239 anos e é líder biofarmacêutica global, com sede no Japão. Niencheski tratou também da licença parental e de adoção e dos demais benefícios dados aos seus colaboradores para apoiá-los.