Em Sorocaba, presidentes do Ciesp e da Fiesp comentam sobre o ambiente hostil para o desenvolvimento industrial e empresarial no país

Rafael Cervone e Benjamin Steinbruch se encontraram com empresários da região para analisar o atual cenário econômico nacional e as perspectivas para 2015

Os presidentes do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone Netto e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, estiveram na manhã desta terça-feira (23/09) com empresários da região de Sorocaba, município a aproximadamente 90 quilômetros da capital. Na pauta do encontro, o atual cenário econômico e as perspectivas para 2015.

Em sua participação no encontro, o presidente do Ciesp compartilhou a ideia de que o Brasil hoje é um ambiente hostil para o desenvolvimento empresarial e o empreendedorismo.

“As leis trabalhistas devem proteger o trabalhador. Mas como estão, elas travam as empresas, de maneira que a gente não consegue mais trabalhar”, criticou Cervone. “Outro problema é a falta de previsibilidade, seja trabalhista, tributária, previdenciária.”

A burocracia é outro entrave para o desenvolvimento da indústria, segundo Cervone. “É preciso simplificar. O excesso de processos burocráticos acarreta, geralmente, em corrupção”, declarou. “Os empresários têm que gastar seu tempo pensando em produzir, melhorar e investir em inovação”, propôs.

O presidente do Ciesp também defendeu mudanças urgentes. “Tudo isso faz com que o ambiente de negócio seja ruim, nossa lucratividade caia, o valor agregado diminua e a vontade de investir também fique cada vez menor”.

Além das previsões de um 2015 difícil, o presidente da Fiesp, Benjamin Steinbruch, disse que será um desafio enfrentar os últimos meses de 2014. “Todo mundo estava preparado para um ano de 2015 difícil, porque, independente de quem ganhe a eleição, será um ano de ajuste. O problema, agora, vai ser chegar até 2015.”

“Vamos ter outubro, novembro e dezembro horríveis. Ano de eleição, historicamente, sempre foi um ano bom. Nesse ano, vamos ter uma diminuição de consumo com uma recessão instaurada no país. Para chegarmos até dezembro, vamos ter que ser mágicos.”

Segundo ele, a situação é pior do que apontam os números. “O desaquecimento da economia está vindo a galope. As coisas vinham bem até abril, maio. Depois, começaram a capotar”, analisou Steinbruch.

“A questão vem em cadeia. Aconteceu na indústria automobilística, depois na [indústria de] linha branca e certamente vai acontecer nos outros segmentos da indústria. O consumo caiu por falta de confiança do consumidor. Com o medo do desemprego, não adianta dar mais prazo, nem desconto, porque não vai ter consumo. E com o câmbio como está, não tem chance de exportação.”

Na opinião de Steinbruch, um agravante para a situação atual é o processo de desindustrialização pelo qual vem passando o Brasil. “Há 25 anos, a indústria representava 25% do PIB [Produto Interno Bruto]. Hoje, é 12,5%, ou seja, reduzimos pela metade a participação no PIB. É um processo de desindustrialização jamais visto em qualquer outro país, em tempos normais.”

Para mudar esse quadro, o presidente da Fiesp disse que empresários e cidadãos precisam reagir. “Estamos vivendo uma artificialidade tanto do ponto de vista empresarial como na nossa vida de cidadão. E a gente se conformou até uma situação em que as casas são muradas, os carros são blindados e a preocupação é uma constante na vida da gente”, comentou.

“Chegou a hora de a gente reagir, não em benefício de nós mesmos, mas do Brasil. Já passou do limite. Queria encorajá-los a questionar essas coisas e nos ajudar a aproveitar esse momento para melhorar as coisas e favorecer que prevaleça a racionalidade”, finalizou Steinbruch.

Momento é de mudança para o Brasil

Para o diretor titular do Ciesp Sorocaba, Antonio Roberto Beldi, é fundamental trazer essa discussão para os empresários de Sorocaba e região, por meio das visitas que as entidades da indústria paulista estão fazendo nas regionais do Estado, para estimular a confiança dos empresários para continuarem investindo e gerando economia. “Esse é um momento muito importante de mudança para o Brasil. Nós temos que cuidar da economia, para que haja uma evolução o mais breve possível”, ressaltou.

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp, de Sorocaba (SP)