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“A indústria é base fundamental de transformação e de desenvolvimento de uma nação”, diz Paulo Francini, em Congresso de Empreendedorismo do NJE

“Onde estamos? Para onde vamos?” foi o tema discutido na apresentação, que trouxe ao público um panorama geral da economia brasileira

O custo do produto industrializado no Brasil é 34% maior que o custo do produto industrializado em parceiros industriais. Quando se fala em oportunidades de se fazer negócios a realidade é ainda pior, o país ocupa o 116º lugar. Com essa análise, o diretor do Departamento de Economia (Depecon) da Fiesp/Ciesp, Paulo Francini, iniciou sua apresentação no 11º Congresso Estadual de Empreendedorismo, realizado na sexta-feira (5/9), em Santo André. Francini mostrou às mais de 400 pessoas que acompanhavam o evento as dificuldades de se fazer negócios em um contexto econômico como o nosso. “O ambiente de negócios no Brasil é hostil e reflete diretamente na questão do empreendedorismo”, frisou o diretor no evento promovido pelo Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) do Ciesp.

Paulo Francini norteou sua apresentação com uma síntese do retrato atual do Brasil no plano econômico e avaliou possíveis medidas para reverter o quadro de recessão econômica que o país tem vivido. Na palestra “Onde estamos? Para onde vamos?”, o diretor citou dados, pesquisas e números que comprovam o mau desempenho do Brasil no âmbito econômico. Os fatores desse panorama “são a alta tributação, juros altos, baixa infraestrutura logística, taxas de câmbio, energias e matérias primas, burocracia excessiva e altos gastos públicos”, enumerou.

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Paulo Francini: “Um país que abre mão de sua indústria está incapacitado de se tornar um país desenvolvido”. Foto: Everton Amaro

Apesar desse ambiente de hostilidades e dificuldades para os negócios, o diretor entende que nem tudo está perdido, já que existem forças da sociedade e da economia brasileira que buscam abrandar essa situação. “De 2004 a 2014, tivemos um crescimento de 34% em relação à ascensão da classe média, e um crescimento vigoroso dos salários”, explicou. Segundo Francini, com a elevação do crédito, o aumento do poder de compra da sociedade cresceu 80% no período, bem como o forte aumento do volume de vendas no comércio: “Com o aumento do potencial econômico da população brasileira, temos uma força crescente”, disse.

Força da indústria
Outra ameaça para a economia nacional é a perda da força da indústria. “É decepcionante o andar da indústria no Brasil hoje” avaliou. A participação da indústria de transformação no PIB do país deverá recuar em 2014 para 12,6%; nível observado em 1954. “Um país que abre mão de sua indústria está incapacitado de se tornar um país desenvolvido. A indústria é base fundamental de transformação e de desenvolvimento de uma nação”, considerou Francini.

De acordo com o palestrante, o Brasil precisa de oportunidades e de um plano estratégico em busca de soluções. Francini criticou a atuação do governo sobre a falta de planejamentos para o país e para o cidadão brasileiro.

O especialista também comentou sobre a necessidade de se combater as fraquezas brasileiras, principalmente as que estão relacionadas ao Custo Brasil, e reforçou que uma das ameaças para o país é a perda da competitividade do setor produtivo, tornando ainda mais urgentes as reformas estruturais. “Nossa força está no poderoso mercado interno, turbinado pelo aumento do acesso ao crédito e dinamização do mercado de trabalho”, afirmou.

Ao apresentar alguns setores chave para alcançar o crescimento do país, Francini observou que o ideal seria um plano de ação para dinamizar setores que possuem capacidade de alavancar desenvolvimento econômico. Para ele, o empreendedor está associado à intenção de vencer obstáculos e ultrapassar barreiras, e essa é uma das forças que podem mover o país.  “A consequência do ato de empreender promove riquezas para o país, que nem sempre é a riqueza material, mas também a do conhecimento e do saber”, finalizou Paulo Francini.

Amanda Viana, Agência Ciesp de Notícias, de Santo André.