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Em evento na Fiesp, Ibope revela que 87% dos brasileiros consideram muito alto valor pago pela energia elétrica

Sseminário sobre o mercado livre de energia elétrica reuniu o diretor geral da ANEEL e especialistas

Mayara Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Nesta segunda-feira (12/8), especialistas se reuniram na sede da Fiesp para discutir a liberalização do mercado de energia elétrica, no Brasil, durante mais uma edição da série de workshops organizada pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da entidade. Um dos pontos altos do evento foi a divulgação das descobertas feitas por uma pesquisa aplicada pelo Ibope e pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia.

O levantamento, que tem como objetivo ouvir a opinião dos brasileiros sobre a situação da energia elétrica no país e a percepção sobre a livre escolha do consumidor no setor elétrico, revelou que 87% dos brasileiros consideram o custo da energia alto ou muito alto. Mais de 90% afirmaram que gostariam de gerar energia elétrica na própria casa e quase 80% responderam que gostariam de ter a liberdade de escolher o seu fornecedor – maiores patamares da série histórica, iniciada em 2014.  A pesquisa aponta também que sete em cada dez brasileiros trocariam a empresa fornecedora de energia elétrica. Destes, 68% indicaram o preço como fator determinante para a realização da portabilidade.

“De fato, a energia no Brasil está muito cara”, admitiu o diretor geral da Aneel, André Pepitone. O executivo alertou que a pauta merece o esforço de diversos atores e que a autarquia, responsável pela regulação do fornecimento de energia feito no país, vem executando uma série de ações para tentar solucionar esse impasse.

“Logo que eu assumi a diretoria geral da Aneel, fizemos desoneração das tarifas de energia, por meio de ações que atacaram diretamente os custos da geração, os tributos e os subsídios”, informou Pepitone. Segundo ele, 70% por cento da energia negociada no Brasil está no ambiente regulado, e apenas 30%, no ambiente livre. “O futuro da conta de luz passa pelo empoderamento do consumidor”, advertiu o diretor.

Ricardo Cyrino, secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, anunciou que a pasta também tem tomado medidas consistentes a fim de viabilizar a expansão do mercado livre. “O Ministro Bento criou grupos de trabalho empenhados em tirar da hibernação projetos voltados para a liberalização do mercado de energia elétrica e cuja gestão está pautada na governança, estabilidade regulatória e jurídica, previsibilidade e alocação eficiente de custos e riscos”, observou Cyrino. “A abertura de mercado é algo que a gente tem que trabalhar, mas de forma sustentável”, ressaltou.

Para Leandro Caixeta Moreira, subsecretário de Energia do Ministério da Economia, o caminho para o mercado livre consiste na revisão do papel das distribuidoras, na redução dos subsídios e no fomento à concorrência. “Em todos os países desenvolvidos, os consumidores podem contratar energia livre”, lembrou o especialista. “Nos EUA, a liberalização começou na década de 1990 e, na União Europeia, o mercado já é totalmente liberalizado”, exemplificou.

De acordo com Reginaldo Medeiros, presidente da Abraceel, a energia é um elemento fundamental para o desenvolvimento econômico-social, a competitividade dos setores produtivos brasileiros e, consequentemente, para a indústria.

“Ao longo da sua existência, o mercado livre entregou uma redução média de 29% nas contas de energia dos consumidores, principalmente para a indústria brasileira, o equivalente a uma economia de R$185 bilhões, com impostos”, sublinhou Medeiros. “O consumidor está muito interessado nessa agenda, então todos, incluindo as federações de indústria e as federações de comércio, precisam pressionar o governo e o Congresso Nacional para tomarem medidas que abram o mais rapidamente possível o mercado de energia elétrica no Brasil”.

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No evento, foi divulgada pesquisa aplicada pelo Ibope e pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia. Foto: Karim Kahn/Fiesp