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Economia circular em destaque na 18ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp

Reaproveitamento de matérias-primas e resíduos é um tema na ordem do dia da indústria. Debate sobre o assunto foi realizado na tarde desta terça-feira (07/06)

Amanda Viana e Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp 

A economia circular no contexto de sustentabilidade, com o reaproveitamento de matérias-primas e o consumo responsável, foi o tema abordado no painel da tarde desta terça-feira (07/06), primeiro dia de apresentações da 18ª Semana do Meio Ambiente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) das entidades, afirmou que enxerga nos debates sobre o tema uma maneira nobre de introduzir o conceito na sociedade, não tratando os resíduos sólidos, por exemplo, como lixo, mas sim como insumos que a serem inseridos na cadeia produtiva.

“Há muitos anos a Fiesp tem essa preocupação com os resíduos sólidos, promovendo debates sobre como isso pode ser minimizado”, disse Reis. “Também buscamos interligar vários setores produtivos”.

Segundo Reis, a Fiesp e a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) firmaram uma parceria que tem como objetivo desenvolver ações, projetos, produtos, serviços e gestão de resíduos sólidos no Estado de São Paulo.

A assinatura do protocolo de intenções nesse sentido foi feita por Nelson Pereira dos Reis e Carlos Roberto Vieira da Silva Filho, diretor presidente da Abrelpe e vice-presidente da The International Solid Waste Association (ISWA). “Estamos aprendendo como desenvolver, ampliar e implantar ações práticas dentro dos marcos regulatórios que foram criados”, explicou Reis. Já para Silva Filho, o tema é desafiador e inovador no Brasil.

O palestrante explicou que a geração de resíduos sólidos é mais elevada em áreas já desenvolvidas, ou seja, quanto mais gente e mais desenvolvimento, mais resíduos são gerados. De acordo com ele, em 2011 existiam no mundo 7 bilhões de habitantes, com uma geração de 1,3 bilhão de toneladas por ano de resíduos sólidos. A previsão é que para 2050 existam 10 bilhões de habitantes, com geração de 4 bilhões de toneladas anuais de resíduos sólidos. “Este tema deixa de ser exclusivo do meio ambiente e passa a ser um assunto de sobrevivência”, afirmou.

Só uma pequena parte

Conforme Silva Filho, apenas uma pequena parcela dos resíduos retorna como matéria-prima ou insumo. “Precisamos encaminhar um processo de mudança que valorize a reutilização e a reciclagem, seja na forma de matéria-prima ou energia, por exemplo”, explicou. “Esse é o modelo que recentemente passou a ser denominado de economia circular, buscando minimizar as ineficiências e maximizar as oportunidades”.

Nessa linha, o que se pretende com o modelo de economia circular é: mudança de padrão de produção, consumo e descarte, modelo econômico baseado no ganha-ganha, economia de bilhões para a indústria, criação de centenas de milhares de empregos, redução das emissões de carbono e outros gases de efeito estufa.

Segundo ele, para que esse conceito possa ser implementado, é preciso levar em consideração algumas interferências e complexidades. “Cerca de 70% de todos os resíduos não são reciclados ou têm destinação inadequada. E 40% do que é gerado sequer é coletado”, informou.

Também participaram do paine Fabricio Dorado Soler, do Departamento de Meio Ambiente e Sustentabilidade do escritório Felsberg Advogados, Chicko Sousa, da Greening Sustainable Solutions e Flavio de Miranda Ribeiro, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Ernani Nunes, diretor de Novos Negócios da Embraco, apresentou um caso prático de implementação da economia circular na empresa Nat. Genius.

Lá em Israel

Encerrando os debates dessa terça-feira (07/06), no painel “Caminhos para o Futuro – Inovação Tecnológica”, o cônsul para Assuntos Econômicos de Israel em São Paulo, Boaz Albaranes, citou soluções variadas desenvolvidas em seu país no que se refere ao melhor uso dos recursos naturais.

É o caso da água. Segundo Albaranes, em Israel “não tem água, mas também não falta”. “Temos tecnologia para a agricultura, economizamos água”, explicou.

Na agricultura israelense, por exemplo, o reuso chega a 80%. “As nossas fábricas, por exemplo, usam e tratam a água de novo”, diz ele. “O uso de novas águas é baixo, reutilizamos várias vezes”.

A prática da dessalinização, ou seja, o tratamento da água salgada, é outra opção muito usada. “Temos 600 milhões de metros cúbicos por ano de água dessa forma”, disse.

Albaranes citou ainda a chamada “Watergen”, solução para desumidificar o ar e assim obter água. “Esse é um recurso muito usado na Índia também”, explicou.

Segundo o cônsul, Israel está à disposição para compartilhar experiências com os empresários brasileiros. “É mais difícil avançar quando se está sozinho”.

A 18ª Semana do Meio Ambiente segue até a próxima quinta-feira (09/06). Para conferir a programação completa, só clicar aqui.