Inicio do conteudo

É preciso qualificar profissionais para transformar conhecimento em negócios, apontam especialistas no Conic

Brasil tem muitos estudos científicos sobre o grafeno, mas é necessário preparar profissionais para estabelecer ponte entre a academia e a indústria

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Quando esteve na Fiesp para falar a um grupo de empresários na última terça-feira (11/6), o presidente da República, Jair Bolsonaro, citou a necessidade de se investir em pesquisa e a importância do grafeno para o Brasil, uma forma cristalina do carbono cujas tendências e aplicações foram tema de reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic), realizada nesta quinta-feira (13/6), na Fiesp.

O mediador do encontro foi o presidente do Conselho, Antonio Carlos Teixeira Álvares, que também teve à mesa Roberto Aloísio Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic, do general de Divisão Adalmir Domingos, coordenador executivo de Conselhos e Departamentos da Fiesp, e dos palestrantes do dia: Thoroh de Souza, da Dreamtech, Augusto Teruo Morita, do Instituto Senai de Inovação, e José Augusto Pereira Brito, diretor do MackGraphe, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Consenso para os três, a necessidade de qualificar profissionais é o maior desafio para fazer a ponte entre as pesquisas científicas sobre o grafeno e a sua aplicação na indústria. Os países asiáticos, sobretudo a China, investem muito em pesquisa e na qualificação e são os maiores depositários de patentes que envolvem o grafeno. Na Inglaterra, em apenas um dos institutos dedicados exclusivamente ao estudo do elemento, há mais de 400 PhDs envolvidos em pesquisas e registro de patentes.

Os palestrantes ainda apresentaram as inúmeras aplicações e tendências de uso do grafeno, como no setor automotivo – que pode incluir até 10 áreas diferentes –, no setor energético, uma vez que o grafeno conduz eletricidade com mais eficiência que o cobre; na construção civil, por ser até 200 vezes mais forte que o aço e muito mais leve; área têxtil, com a confecção de roupas que oferecem mais conforto térmico, ou mesmo na área da saúde, para produzir próteses mais resistentes ou detectar neoplasias.

Para que toda a pesquisa existente posso se materializar em produtos e serviços, de acordo com os especialistas, é necessário não apenas formar bons profissionais, mas específicos para cada área de atuação por ser um tema transversal e com múltiplas possibilidades de uso. Além disso, é necessário criar sinergia entre indústria e academia e combinar os esforços com ações governamentais que possam tornar essa expectativa em realidade.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1563707950

Apesar da importância do grafeno para o país, é necessário preparar profissionais para estabelecer ponte entre a academia e a indústria, tema de debate do Conic. Foto: Karim Kahn/Fiesp