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Diretor do Ciesp apresenta desafios para o desenvolvimento de biocombustíveis no país


Ao palestrar no Campetro Oil & Gas, Luiz Gonzaga Bertelli indagou se cabe ao país concentrar investimentos maciços em petróleo e sugeriu ampliar foco em energias alternativas

O zelo excessivo ao ambientalismo é um dos maiores entraves ao desenvolvimento de projetos de geração de energia e o Brasil precisa construir mais hidrelétricas, avaliou na tarde desta terça-feira (04/11) o diretor de Energias Renováveis do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Luiz Gonzaga Bertelli.

“Com a intransigência de travar no Brasil a construção de hidrelétricas, haverá o aumento exagerado e caro do uso das usinas térmicas movidas a carvão”, defendeu Bertelli ao palestrar durante o Campetro – Campinas Oil & Gas, congresso organizado pela entidade e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) por meio do Comitê da Cadeia Produtiva do Petróleo e do Gás (Competro).

O diretor apresentou números da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), segundo os quais o petróleo corresponde a 37,9% de toda energia que se gasta no país, seguido por 14,7% da matriz hidrelétrica, 16,1% dos derivados de cana-de-açúcar e 9,3% de gás natural – deste item, 60% é importado da Bolívia. O carvão detém uma fatia de 6,1% de toda a matriz brasileira, enquanto a queima da lenha equivale a 12,4% e a fonte de urânio a 1,6%.

Durante o encontro, Bertelli sugeriu ampliar o foco da produção de energia para outras fontes que não o conhecido combustível fóssil.

“Por mais que o petróleo ainda seja necessário no mundo, cabe questionar se o Brasil deve concentrar tão maciçamente seus investimentos nessa área. Há riscos estratégicos em termos econômicos, sociais e ambientais”, afirmou o diretor.

Na opinião de Bertelli, o governo tem dado preferência a investimentos em estações de energia eólica, principalmente no nordeste, ainda que, segundo ele, mais de 60% dos componentes para montar parques eólicos sejam importados.

“A capacidade de geração de fonte eólica no país chegou a mais de nove mil megawatts no ano passado, sendo o nordeste responsável mais de oito mil”, afirmou. “Nada contra as eólicas, elas têm de ter espaço, mas o governo achou que deveria incentivar bastante.”

Rodada de Negócios

O Campetro Campinas Oil & Gas prosseguiu até quarta-feira (05/11) com palestras, congresso, feira, e encerrou os trabalhos com uma Rodada de Negócios promovida pelo Ciesp Sede.

Em um período de três horas e meia, a rodada contabilizou 1.424 reuniões com 26 empresas-âncoras e cerca de 180 participantes.

A estimativa é que as negociações entre empresas âncoras (compradoras) e fornecedoras tenham gerado R$ 20 milhões em negócios futuros. O diretor de Produtos, Serviços e Negócios do Ciesp, José Henrique Toledo Corrêa, explicou que esse volume de negócios pode até ser ampliado nos próximos meses, em razão do alto valor agregado dos produtos negociados. “Em se tratando da cadeia de petróleo e gás, há produtos de maior valor agregado sendo ofertados. Por isso, acreditamos que o montante de R$ 20 milhões para os próximos meses ultrapasse nossa expectativa”, considerou.

O Ciesp deve realizar mais três rodadas de negócios neste ano: dia 6/11 em Jacareí; 13/11 em Franca; e 18/11 em Itatiba.

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp, de Campinas (SP)